Este trabalho é dividido nas seguintes partes:
1- Introdução
2- Acertos do livro
3- Erros e Contradições do livro
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A hipótese (gradualismo) de que a evolução prossegue através da acumulação lenta de pequenas mutações genéticas e/ou recombinação gênica tem sido contestada por vários biólogos que argumentam que a especiação observada no registro fóssil não parece ser gradual, e que novas espécies podem aparecer repentinamente.
Dando suporte a este ponto de vista, está o fato de que as modificações graduais ou a transição de uma espécie para outra em geral faltam no registro fóssil. Existe com frequência uma lacuna entre formas reconhecidamente aparentadas, porém distintas. Com efeito, nos raros casos em que uma espécie é representada por uma longa seqüência de fósseis, suas características, quase sempre, mostram variação, mas não uma mudança direcional, como esperada, se a seleção natural estivesse operando.
Mais do que progredir através do acúmulo constante de pequenas modificações na estrutura, na fisiologia e no comportamento, a evolução parece alternar-se entre períodos de rápida modificação e períodos nos quais pouca ou nenhuma mudança ocorre (ESTASE ). O equilíbrio pontuado explicaria a existência de espécies reconhecíveis ao longo do tempo. Se espécies aparecem repentinamente através de súbitos ajustes estruturais genéticos, e então permanecem em equilíbrio estável até a próxima pontuação; então, essas espécies representam entidades distintas com estruturas e períodos de existência definidos
Esta controvérsia entre as duas hipóteses está ilustrada na Figura 26.2. Durante o processo de especiação, uma nova espécie diverge como uma pequena população isolada da sua espécie parental. De acordo com o modelo gradualista, as espécies descendentes de um ancestral comum, assim que adquirem adaptações únicas, divergem mais e mais em sua morfologia. Os proponentes do modelo do equilíbrio pontuado acreditam que uma nova espécie se altera muito quando se separa de sua linhagem parental e, depois, se modifica minimamente para o resto de sua existência.
GRADUALISMO
Um dos mais difíceis assuntos da Biologia Evolutiva, ainda um tema polêmico, é o fato de Darwin ter estado ou não certo quando argumentou que a evolução se processa por pequenas mudanças sucessivas. O principal problema reside no fato de que vários táxons superiores (por exemplo: o filo animal, ordens de insetos e de mamíferos) serem muito diferentes e não estarem conectados por estados intermediários. O termo gradualismo tem sido utilizado em dois sentidos distintos.
O primeiro é o sentido que o próprio Darwin originou: a evolução acontece de forma gradual. Assim, a diferença entre organismos evoluiu por meio de formas intermediárias que atuaram como inúmeras pequenas etapas entre um organismo e outro.
SALTACIONISMO
O oposto de evolução gradual é evolução em saltos ou SALTACIONISMO (grandes diferenças evoluíram por saltos, sem intermediários entre os estados ancestrais e os descendentes). Darwin foi obrigado a postular que as formas intermediárias haviam sido extintas e a admitir que o registro fóssil fosse extremamente incompleto, visto que se desconheciam (e permanecem desta forma até o presente) formas intermediárias para diversos organismos vivos e linhagens fósseis.
A gradualidade da evolução darwiniana tem pouca relação com a velocidade ou o ritmo da evolução; é um modo de alteração que depende do fenômeno populacional. A gradualidade diz respeito às mudanças nos organismos, provavelmente genéticas, entre duas gerações consecutivas (essas alterações estariam dentro da faixa de variação normal observada nas populações modernas). As alterações morfológicas podem surgir geologicamente de forma rápida, ainda que gradual. O segundo sentido de "gradualismo" é o de que as velocidades evolutivas são geologicamente lentas, constantes e comumente ORTOGENÉTICAS.
O oposto seria a evolução quântica (alterações morfológicas rápidas em uma escala geológica). Este segundo sentido é equivalente ao GRADUALISMO FILÉTICO denominado por N. Eldredge e S. Gould (ELDREDGE & GOULD, 1972). Esta não é a maneira como Darwin utilizou o termo gradualismo, embora alguns evolucionistas pós-Darwin o tenham feito.
O primeiro sentido lida com a maneira como a evolução ocorre, o segundo trata do ritmo do processo evolutivo. Esta diferença foi apontada por diversos cientistas proeminentes. O trabalho de ERNST MAYR no processo de especiação peripátrica serviu de base para a formulação da hipótese do equilíbrio pontuado. Em seu livro Um argumento extenso (One long argument) de 1997, Mayr afirma: “entender a independência da gradualidade e da velocidade evolutiva é importante para avaliar a hipótese do equilíbrio pontuado”.
Os argumentos utilizados pelos gradualistas contemporâneos em defesa desta hipótese são baseados: 1. na real existência, para alguns taxa, de intermediários entre espécies atuais e extintas; 2. em considerações funcionais a respeito da intrincada e harmoniosa construção dos organismos. Darwin acreditava que se um caráter evolui, a seleção natural deve causar alterações compensatórias nos caracteres com funções interativas, equilibrando o dano da mutação; 3. nos efeitos adaptativos das mutações. Muitas mutações discretas (por exemplo, cor do olho ou forma de asa em Drosophila) apresentam efeitos pleiotrópicos diversos (no exemplo de Drosophila essas mutações afetam a forma da espermateca – parte do sistema reprodutivo das fêmeas – diminuindo sua viabilidade); 4. na genética das diferenças das espécies: a impossibilidade de cruzamento entre espécies distintas (por não deixarem descendentes férteis) impede a determinação do número e do efeito fenotípico dos genes que resultam nas diferenças fenotípicas entre taxa mais primitivos
EQUILÍBRIO PONTUADO
Em 1972, NILES ELDREDGE e STEPHEN J AY GOULD publicaram sua hipótese do equilíbrio pontuado ou intermitente. Eles observaram que, na história de muitas linhagens fósseis, períodos longos, sem alterações – chamados estase – eram quebrados por curtos momentos de modificações rápidas, que não podiam ser observadas nos fósseis devido à sua velocidade, e que estes períodos menores estavam associados a eventos de especiação. Eles excederam tais observações, inferindo que a maior parte das alterações morfológicas ocorreu durante eventos de especiação.
Outra extrapolação derivada por Eldredge e Gould foi afirmarem que a maioria das espécies não se modificou muito durante a maior parte de suas vidas (diversos milhões de anos) e que quando houve modificações evolutivas, boa parte era CLADOGENÉTICA(ocorrendo durante eventos de especiação) em vez de ANAGENÉTICA(ocorrendo dentro de uma espécie).
As afirmações de Eldredge e Gould contradizem o gradualismo darwiniano, iniciando uma controvérsia que persiste até hoje. Seu efeito positivo foi o revigoramento da Paleontologia (lembre-se de que ambos possuem esta formação científica!), demonstrando que essa área de estudos revela padrões não previstos por processos microevolutivos, e que tinha contribuições singulares a fazer. Seu efeito negativo foi o exagero de diferenças entre os neontólogos e os paleontólogos, inibindo sua comunicação.
A hipótese do equilíbrio pontuado (EP) equipa os paleontólogos com uma explicação para os padrões que eles encontram no registro fóssil. Esse padrão inclui o característico surgimento abrupto de novas espécies, a relativa estabilidade da morfologia em espécies amplamente disseminadas, a distribuição de formas transicionais (quando estas são encontradas), as diferenças aparentes na morfologia entre espécies ancestral e filha, além do padrão de extinção das espécies.
As características principais do EP são:
• A Paleontologia deve se basear na Neontologia (estudo de espécies viventes ou recentemente extintas).
• A maior parte dos eventos de especiação ocorre por cladogênese.
• A maior parte dos eventos de especiação ocorre por especiação peripátrica.
• Espécies amplamente distribuídas modificam-se lentamente durante seu tempo de existência;
• As espécies-filhas desenvolvem-se em região geograficamente limitada.
• As espécies-filhas desenvolvem-se em limitada extensão estratigráfica, que é pequena em relação ao tempo total de existência da espécie ancestral;
• A amostragem do registro fóssil revela determinado padrão de estase para a maioria das espécies. O aparecimento repentino de novas espécies derivadas é conseqüência de sucessão ecológica e dispersão;
• As mudanças adaptativas nas linhagens ocorrem, na maior parte das vezes, durante períodos de especiação.
• As tendências adaptativas acontecem através de um mecanismo de seleção de espécies.
O EP depende do estudo de espécies modernas para seus princípios; isso ocorre porque o registro fóssil é incompleto. Essa imperfeição tem muitos fatores contribuintes. Os processos geológicos podem causar confusão ou erro, já que a velocidade de deposição de se dimentos pode variar, a erosão pode provocar o desaparecimento de algumas camadas, a compressão pode transformar os fósseis em um lixo irreconhecível, e vários outros motivos pelos quais um determinado registro fóssil acabe tornando-se o equivalente a um livro parcialmente queimado, totalmente desencadernado, do qual algumas páginas foram possivelmente embaralhadas e poucas permaneceram nas posições corretas. Além da Geologia, existe a Tafonomia – estudo de como os organismos tornam se preservados como fósseis. Aqui, outros fatores importantes estão envolvidos. As partes duras dos organismos fossilizam preferencialmente. As condições sob as quais até mesmo essas partes se fossilizam são bastante especiais. Tudo isso resulta em uma distribuição fortemente distorcida sobre as partes dos organismos que são fossilizadas e afeta o reconhecimento das características morfológicas que estarão disponíveis para uso na classificação das paleoespécies (espécies derivadas do estudo de fósseis). A questão geográfica entra nisso como conseqüência do fato de as linhagens atuais ocuparem nichos ecológicos que estão ligados a certas características geográficas de fossilização. Esses estudos indicam a importância da consideração das interações entre as espécies e as condições geográficas nas predições da distribuição e abundância de espécimes transicionais. Ainda que Eldredge e Gould reconheçam que os processos geológicos contribuem para a existência de "lacunas" no registro fóssil, afIrmam que o EP é notadamente a causa mais importante a ser considerada.
EQUILÍBRIO PONTUADO: A HIPÓTESE E SEUS CRÍTICOS
A Teoria Sintética da Evolução possui menos componentes propensos a má interpretação e crítica do que a hipótese do equilíbrio pontuado. Em alguns casos, afirmações dos próprios autores, Niles Eldredge e Stephen Jay Gould, podem suscitar desconfianças e agirem como opositoras de si mesmas. O modelo pontuado de Eldredge e Gould foi muito publicado, mas, ironicamente, enquanto a hipótese foi desenvolvida especificamente para justificar a ausência de variedades transicionais entre as espécies, seu maior efeito parece ter sido o de haver chamado mais atenção para as lacunas no registro fóssil. Quando Eldredge aventou a questão com um grupo de escritores científicos, há alguns anos, suas conclusões foram amplamente reproduzidas e chegaram inclusive à primeira página do jornal inglês The Guardian Weekly; todavia, foi a ausência de formas transicionais que chamaram atenção, em particular do repórter, que intitulou o artigo de “Missing believed non-existent” (Ausência, acreditada como não-existente).
RICHARDS DAWKINS foi apelidado de “o menino mau do evolucionismo” devido ao seu espírito combativo em defesa do darwinismo. Valeu-se de sua inteligência e objetividade brilhantes para defender a Teoria da Evolução de Darwin e explicar as controvérsias criadas pelos criacionistas e pelos defensores de outras teorias evolutivas. No seu livro O relojoeiro cego, Richard Dawkins disserta sobre o equilíbrio pontuado: “Esta nova hipótese –equilíbrio pontuado – é a proposta feita pelos cientistas para lidar com o embaraço provocado pelo registro fóssil, de um modo geral, que se mostra na atualidade da mesma forma como foi encontrado em 1859, mesmo tendo-se em vista as "caçadas" intermitentes que lhe são feitas pelos especialistas. O que precisa ser dito agora, alto e bom som, é a verdade: que a teoria do equilíbrio pontuado reside solidamente dentro da síntese neodarwiniana. Sempre residiu. Levará tempo para corrigir o dano causado pela retórica excessiva, mas ele será corrigido” (DAWKINS, 1986).
CONCLUSÃO
As três hipóteses sobre a origem da diversidade das espécies, gradualismo, saltacionismo e equilíbrio pontuado, foram formuladas sobretudo com dados de morfologia e divergem principalmente quanto à forma como vêem o acúmulo de mutações (a velocidade evolutiva). Elas são utilizadas para explicar a diversidade da vida nos vários níveis hierárquicos, de espécies a fi los e reinos. A teoria do saltacionismo, que tem sido desacreditada pela nova Genética Molecular, estabelece que os BURACOS FENOTÍPICOS existam porque os intermediários nunca existiram, já que as espécies se originariam por meio de alterações drásticas (macromutações) que alterariam, e muito, o fenótipo gerando novas espécies." Controvérsias evolutivas III. Gradualismo e equilíbrio pontuado cederj p. 136-147
2- Acertos do livro
2.1 Religião e Ciências não são necessariamente contraditórios
Há exagero na suposta guerra entre a ciência e a religião na cultura ocidental. De fato quase todas as figuras que moldaram o advento da ciencia moderna eram profundamente relgiosas e pensavam, como observa Wertheuim, estar desvendando pouco a pouco a 'mente de Deus'"....Mas é verdade que a revolução Darwiniana em meados do século dezenove - aliada ao conhecimento revelado por alguns ramos mais recentes da ciência sobre a antiguidade da Terra (e, especialmente, comparável antiguidade da Terra), sua longa história e suas mudanças tem estado em intenso conflito com as tradicionais crenças religiosas p. 10
Em um aspecto primordial desse enfoque de base comum somos conduzidos a visão de físicos que contemplam a mente de Deus , e de alguns teólogos que buscam Deus em dados científicos. p. 14-15
E temos ainda o fato de muitos cientistas ocidentais serem eles próprios religiosos, apesar do preconceito. Além disso, muitos clérigos ordenados também são cientistas praticantes, com título de Ph. D. Juntos, esses fatos mostram que, para muitos, está longe de haver uma barreira intrínseca entre ciência e religião, se bem como a maioria dos cientistas religiosos, certamente, separa as experiências comuns de suas crenças e práticas religiosas. p. 15
2.2 A ciência não é ateista
Johnson [criacionista] afirma que a ciência é intrínseca e inerentemente ateísta...Nós humanos podemos experimentar o mundo material diretamente apenas através de nossos sentidos e não há como experimentarmos diretamente o sobrenatural. Assim, no empreendimento chamado ciência, não há afirmação ontológica de que não exista um Deus como Johnson visualiza, mas sim um reconhecimento epistemológico de que, mesmo se esse Deus realmente existisse, não haveria como experimentá-lo, apesar dos meios impressionantes, embora ainda limitados, que estão à disposição da ciência. E por definição, isto é verdadeiro. p. 13
Restringir a análise puramente a termos materiais e naturalistas é ateísmo -ou o mesmo que dizer que Deus não existe, diz Johnson. A ciência não afirma - por não poder fazer isso - que só existe o mundo material. Mais precisamente, a ciência se mantém dentro dos limites dos sentidos humanos e foi inventada só para explorar a natureza do universo material. Aciência não exclui a existência do sobrenatural, simplesmente pode, por suas próprias regras de evidência, estudar o sobrenatural- se é que ele exista realmente. p. 137
Estou convencido de que o que motiva a grande maioria dos criacionistas a de que a evolução seja essencialmente má, crença que tem origem na interpretação religiosa, e que, portanto, constitui uma ameaça aos corações e mentes das pessoas. p.11
2.4 Reconhecimento que a origem da vida não é um problema resolvido ou comprovado
2.5 Criticar a tese dos criacionistas da Terra Jovem que o Universo, a Terra, a vida são jovens
2.6 Falsa explicação de usar o Dilúvio para a ocorrencia de sedimentos de rochas e fósseis existentes, tese dos criacionistas da Terra Jovem
3-Erros do livro
3.1 Criacionismo se resume aos criacionistas de terra jovem:
De fato, uma das histórias da criação relatada no Gênese diz que a Terra foi criada em apenas seis dias, e toda a vida em apenas dois desses dias, dando a entender que o registro histórico da vida deveria mostrar tudo aparecendo ao mesmo tempo, exceto os humanos, que vieram um dia após. p.33
Cuvier julgava que as proliferações eram criações independentes de Deus (diferentemente dos criacionistas de hoje, que seguem Gênese literalmente e veem a criação da vida como episódio único); é o triunfo da perspectiva evolutiva inspirada em Darwin, que nos permite compreendê-las como realmente são: respostas evolutivas a alterações no ecossistema. Foi Cuvier, apesar da interpretação criacionista, um dos primeiros a chamar a atenção para esses padrões de estabilidade tão importantes, a que chamou revoluções. p. 49
o modelo de "ciência da criação Escritores criacionistas proeminentes, como Duane Gish e Gary Parker, c Institute for Creation Research, ou ICR, de São Diego, forneceram pequenas partes com as quais, talvez, pudéssemos emendar um modelo de criaçã cientifica. Mas o modelo do advogado Wendell R. Bird, editado em dezem bro de 1978, em Acts and Facts, publicado pelo ICR, é o melhor ponto d partida por ter fornecido os fundamentos da ciência da criação, como reza decreto 590 de Arkansas. A lista de sete pontos de Bird resume sucintamente a posição criacionista científica. Vou usá-la no restante deste capítulo e nos demais como trampolim para discutir as principais alegações criacionistas O modelo de criação científica de Bird é o seguinte:
(1) Criação especial do universo e da terra (por um Criador) com base em evidência científica. (2) Aplicação da lei da entropia para produzir deterioração da terra e da vida, com base em evidência científica. (3) Criação especial da vida (por um Criador), com base em evidência científica. (4) Fixidez dos tipos originais de plantas e animais, com base em evidência científica. (5) Ancestralidade distinta entre homem e macaco, com base em evidência científica. (6) Explicação de grande parte da geologia da terra através de um dilúvio global, com base em evidência cientifica (7) Origem relativamente recente da terra e das formas de vida (em confron-to com vários bilhões de anos), com base em evidência científica.
Compare agora a lista de Bird com o que reza o decreto 590, que define a ciência da criação:
(A ciência da criação) significa evidência científica para a criação e suas inferências. Inclui evidências científicas e inferências afins, indicando: (1) Criação repentina do universo, da energia e da vida a partir do nada. (2) Insuficiência de mutação e seleção natural para ocasionar o desenvolvimento de todas as formas de vida a partir de um único organismo. (3) Modificações apenas dentro dos limites fixos dos tipos originalmente criados de plantas e animais. (4) Ancestralidade separada entre homem e macaco. (5) Explicação da geologia terrestre por meio de catastrofismo, incluindo a ocorrência de uma inundação mundial. (6) Começo relativamente recente da terra e de todas as formas de vida. p. 93-94
Os criacionistas dizem que o niverso, a terra e toda vida são jovens. tudo foi criado nos ultimos poucos mil anos. p. 98
Resposta:
1-A maioria dos criacionistas, são criacionistas de Terra Antiga e não são fixistas como já explicado. Creem na formação de novas especies. Não creem que todos os organismos tem um ancestral comum, mas que Deus criou alguns indivíduos e desses vieram a se formar outros como por exemplo op ancestral dos cães, lobos, etc,
Na página 123 ele diz" microevolução produzindo variação dentro desses grupos básicos" e "a evolução ocorre dentro dos grupos e não entre eles,
"De bom grado os criacionistas modernos aceitam a variação evolutiva em pequena escala e a origem de espécies novas a par-tir de espécies mais antigas. A meu ver isso é o mesmo que outorgar o tema por completo, porque, como descrevi com alguns detalhes no Capitulo 4, há uma total continuidade nos processos evolutivos das escalas menores (microevolução) até as maiores (macroevolução)."
...Neste ponto o modelo criacionista é claro: O Criador criou "grupos básicos", cada um deles repleto de seu próprio complemento para variação genética. Para os criacionistas não há nada de errado em admitir que a seleção natural e o isolamento reprodutivo atuam dentro de cada grupo básico, selecionando esta variação primitiva para produzir diversos grupos especializados. P.119
2- O próprio livro reconhece que as sequencia básicas do tempo geológico foram estabelecidas por criacionistas p. 104
A verdade é que os elementos básicos da coluna geológica - a grossa sequência de estratos que delineiam os eventos da história da Terra - como também a maioria das divisões básicas do tempo geológico foi estabelecida bem antes de Darwin publicar A Origem das Espécies em 1859. Realmente, publicamente sobre o assunto, os geólogos que estabeleceram naquela época a sequência básica das divisões do tempo geológico eram criacionistas. A acusação de que a sequência das subdivisões do tempo geológico - tendo as Eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica, como as principais divisões do último meio bilhão de anos, mais ou menos - é uma trama para apoiar a falsa doutrina da evolução é sim-plesmente ilegítima. "Paleozóico", "Mesozóico," e "Cenozóico" significam, respectivamente, "vida antiga", "vida média" e "vida recente", referindo-se a animais e plantas fossilizados nessas rochas, cuja sequência foi elaborada independentemente de qualquer noção de evolução . p. 104
3.2 Supor que os dados do inicio do universo não lançam muita luz sobre a natureza de Deus
Em um aspecto primordial desse enfoque de base comum somos conduzidos a visão de físicos que contemplam a mente de Deus , e de alguns teólogos que buscam Deus em dados científicos. Certa vez, li os dados originados de uma reunião que relatou ter-se chegado ao consenso de que, se a taxa de expansão do universo fosse maior do que a velocidade da fuga das estrelas em relação ao seu centro a partir do Big Bang, o universo seria uma singularidade, literalmente, um fenômeno do tipo que só ocorre uma vez, lançando dúvidas sobre a existência de Deus. Se, por outro lado, a taxa de expansão fosse menor do que a velocidade da fuga das estrelas, a expansão perderia velocidade e, com o tempo, o universo desabaria sobre si mesmo e explodiria novamente, talvez numa série infinita de Big Bangs e implosões. Esse cenário sugeriu aos cientistas e teólogos reunidos em assembleia que, afinal, talvez houvesse um ser sobrenatural por trás do universo. Esses exercícios, dentro do espírito ecumênico, como em sua maioria o são, não causam dano, mas duvido que podem lançar muita luz sobre a natureza de Deus ou do universo. p. 14-15
Resposta:
O Big Bang deu origem ao tempo, ao espaço e a matéria, e portanto por razões necessárias, lógicas, a causa do Big Bang está fora do tempo, do espaço e da matéria ( que é por natureza mutante) que são exatamente atributos de Deus atemporalidade (eternidade), imaterialidade, imutabilidade https://lordisnotdead.blogspot.com/2015/04/prova-pelo-surgimento-do-universo.html
3.3 Dizer que os criacionistas ensinam que ciência e religião são alternativos de fé
O estratagema predileto dos criacionistas, ao discutirem a introdução de sua marca particular de religião nas salas de aula, é a afirmação de que, em última análise, ciência e religião são sistemas alternativos de fe e que, para sermos justos, deveríamos expor às crianças as duas versões, imparcialmente, e deixar que elas escolham aquela que mais as sensibilize. Querem que digamos às nossas crianças que não há como fazer distinção entre os relatos da origem e história do universo, da Terra e da vida, oriundos da tradição religiosa, como afirmados pela Bíblia, e o mais recente pensamento cientifico sobre esses assuntos. Insistindo não haver diferença intrínseca entre as duas maneiras de explicar, a científica e a não científica, chamando ambas de sistemas alternativos de fé, vai-se direto ao âmago da ameaça à integridade educacional feita pelos criacionistas: quando afirmamos ás crianças que não há nenhuma diferença, poucas chances elas têm de captar os rudimentos da ciência e de como ele é realizada . p. 20
Resposta:
1- Os criacionistas não dizem que os dois são sistemas alternativos de fé.
2- Os criacionistas ensinam que tanto o Neodarwinismo como o Criacionismo podem ser testados por causa das previsões de ambos, a previsibilidade, tema este abordado no livro na p. 25-31
3.4 Dizer que não existe verdade definitiva
A história da ciência está repleta de ideias que acabaram descartadas - noções sobre como as coisas são, que simplesmente não puderam ser confirmadas através de investigação continuada. A ciencia está longe de ser um sistema de fé, porque em ciência nenhuma a afirmação que seja verdade definitiva. Está na própria natureza das coisas que muito que muito poucas ideias apresentadas até hoje incólumes pelo teste do tempo. A evolução biológica é uma delas, assim como a ideia de que a Terra é redonda.
Resposta:
Esta teses falsa que a ciência tem apenas verdades provisórias, é utilizada infelizmente por criacionistas bíblicos, em especial os mais leigos em ciência.
Quanto a experimentação, sabemos de fato por inúmeras provas de que os seres vivos não são imutáveis e que novas espécies são formadas por um ancestral comum, mas que a macroevolução a niveis taxonômicos mais amplos é por inferência, por extrapolação e não por meio de experimentação, isto atestado em livro de Nivel Superior Universitário https://averacidadedafecrista.blogspot.com/2019/10/15-respostas-ao-evolucionismo-15.html
Vimos que a evolução pode ser observada diretamente em pequena escala. As formas extremas de uma espécie podem ser tão diferentes quanto duas espécies distintas e, na natureza e experimentalmente, as espécies evoluem para formas bastante diferentes daquelas formas das quais partiram. Seria impossível, contudo, observar da mesma maneira direta toda a evolução da vida a partir de seu ancestral unicelular comum de poucos bilhões de anos atrás. A experiência humana é muito breve. À medida que estendemos a discussão de observações em pequena escala, como as descritas para o HIV, para cães e para salamandras, à história de toda a vida, devemos passar da observação para a inferência.
É possível imaginar, por extrapolação, que, se os processos em pequena escala que vimos continuassem por um período de tempo suficientemente longo, eles poderiam produzir a variedade moderna da vida. O princípio racional aqui é chamado de uniformitarianismo. Em um sentido modesto, o uniformitarianismo quer dizer simplesmente que os processos cuja operação foi observada pelo homem poderiam também estar operando quando os seres humanos não os estavam observando; mas ele também se refere ao postulado mais controverso, de que os processos operando no presente podem explicar a evolução da Terra e da vida por extrapolação para períodos longos. Por exemplo, a persistência a longo prazo dos processos que vimos em mariposas e salamandras poderia resultar na evolução da vida. Esse princípio não é peculiar à evolução. Ele é utilizado em toda a geologia histórica. Quando a ação persistente da erosão de um rio é utilizada para explicar a escavação de desfiladeiros profundos, o princípio racional é, de novo, o uniformitarianismo. Evolução. Mark Ridley , 3ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2006 p. 77 veja mais no link
3.5 Os criacionistas fazem uso indevido da segunda lei da termodinâmica
Num sentido bem real, isso tudo é brincar com palavras, como fazem os criacionistas. É evidente que todos os sistemas deverão se esgotar - sem um influxo novo de energia. Na verdade, a segunda lei se aplica apenas a sistemas isolados. E a Terra não é um sistema isolado: as plantas captam somente uma fração da energia solar que vem em nossa direção; a energia é captada na forma de açúcares que constituem a base da cadeia alimentar que sustenta toda a vida animal .p. 86
O uso que os criacionistas fazem da segunda lei, como regra geral para falsiicação da evolução, é um exemplo maravilhoso de pseudociência e de tentativas desesperadas para salvar uma ideia (por não perceberem desde o início que a segunda lei se aplica apenas a sistemas fechados). Nada disso tem laivos de ciência. Não passa de tentativa humana de proteger uma ideia de estimação, custe o que custar - mesmo que seja necessário mudar as regras da ciência normal para servir aos seus propósitos . p. 97
Resposta:
A segunda lei aplicada a origem da vida é sim bem aplicada:
A analogia entre a experiência de Miller e as condições conhecidas da terra primitiva é inválida, pois ignora a presença de forças destrutivas. O oxigênio destruiria o processo.
A energia necessária do Sol e da radiação cósmica danifica as próprias substâncias produzidas. Sob as condições necessárias para a vida ter surgido espontaneamente, é mais provável que os elementos fossem destruídos mais depressa do que seriam produzidos. A natureza está cheia de forças destrutivas que derrubam e desorganizam. Isso é parte da segunda lei da termodinâmica .Mesmo que os elementos químicos certos pudessem ser produzidos, não se pode responder de forma satisfatória como seriam ordenados adequadamente e envolvidos numa parede celular. Isso exigiria outra série totalmente distinta de condições. Além disso, os evolucionístas jamais apresentaram qualquer mecanismo que possa captar a energia para fazer o trabalho de selecionar aminoácidos e determinar qual deles construirá cada gene para desenvolver um organismo vivo. Não adianta ter uma gaveta cheia de pilhas se não há uma lanterna — um mecanismo para captar energia — para contê-las. A molécula de DNA é muito complexa.
Supondo que poderia haver energia suficiente disponível, os únicos sistemas que podem captar energia para fazer esse tipo de trabalho são ou vivos ou inteligentes. E fácil transferir bastante energia a um sistema aleatoriamente para aquecê-lo, mas organizá-lo e criar informação exige inteligência. Enciclopedia de Apologética- Norman Geisler, p. 328-329
3.6 Primeira predição refuta o criacionismo
Predição 1: A própria idéia de evolução descendência com modificação- implica que algumas espécies estão mais estreitamente aparentadas entre si do que com seus parentes mais distantes. Portanto, predizemos que o mundo vivo está organizado em grupos de espécies muito semelhantes, os quais, por sua vez, fazem parte de grupos maiores de parentes mais distantes, que compartilham me nos semelhanças e que, por sua vez, fazem parte de grupos ainda maiores com semelhanças claramente definidas, embora poucas. Finalmente, o maior grupo de todos tudo da vida, deve estar unido pela posse compartilhada de uma ou mais características. Em outras palavras, se a evolução for verdadeira, o mundo vivo deve estar organizado hierarquicamente em grupos dentro de grupos- reflexo direto de quão intimamente inter-relacionado cada organismo está.
Num sentido muito real, esta predição foi constatada como verdadeira muito antes da ideia de evolução ter sido normalmente aceita como a explicação de como o mundo vivo está organizado. Durante pelo menos um século antes de Charles Darwin (1809-1882) publicar Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural (On the Origin of Species by Means of Natural Se-Nection), em 1859, os biólogos haviam reconhecido que a vida estava organizada em agrupamentos distintos, dispostos de maneira natural e hierárquica. O famoso naturalista sueco Carl von Linné (1707-1778) mais conhecido simplesmente por Lineu havia publicado 101 anos antes a décima edição do seu Systema Naturae, em que descrevia seu esquema de classificação das coisas vivas. Os biólogos ainda usam a hierarquia Lineana, que Lineu estabeleceu como um sistema natural antes da ideia de evolução ter sido geralmente aceita. (O próprio Lineu, como a maioria dos biólogos anteriores a Darwin, era criacionista.) Lineu via agrupamentos naturais de diferentes tipos de plantas dentro de seu Kingdom Plantae, e de diferentes tipos de animais dentro de seu Kingdom Animalia. Desde a época de Lineu os biólogos têm refinado muito sua obra, catalogando centenas de milhares de espécies adicionais e corroborando com o esquema de classificação original de Lineu, mas a estrutura hierárquica básica do esquema de Lineu prevalece - uma ver que reflete como a natureza biológica está organizada.
Darwin veio simplesmente demonstrar por que a hierarquia Lincana existe por que ela tem que estar ali se a vida realmente evolui. A hierarquia Lineana, apesar de seus rudimentos terem sido reconhecidos há quase um século antes do epopeico livro de Darwin...p. 26-27
"...E voltamos assim à primeira grande predição da própria ideia de que a vida tem evoluído: os padrões de semelhanças no mundo orgânico estão organizados como um conjunto complexo de caixas chinesas encaixadas.Podemos observar a natureza e verificar facilmente essa predição fundamental. Será que funciona? Tomemos qualquer espécie - por exemplo, o cão doméstico (Canis familiaris) e rastreemos seu relacionamento com outros organismos. Se essa predição fundamental de evolução estiver certa, deve haver espécies adicionais que lembrem mais ou menos os cães - e certamente há: coiotes e várias espécies de lobos. Um tanto mais distantes em termos de semelhança e, portanto de relacionamento, vemos que os cães se unem às raposas e algumas formas extintas, conhecidas apenas através de fósseis, porque todos comparti-lham algumas características peculiares da orelha mediana. p. 28
3.7 A segunda predição refuta o criacionismo- registro fóssil
Há uma segunda grande predição que vem da simples tese de que toda a vida descende de um único ancestral comum, ou seja, de que a vida evoluiu. Segunda Predição: Deve haver um registro da história evolutiva da vida preservado nas rochas, e esse registro deve revelar uma sequência geral da progressão ocorrida, durante longos períodos de tempo, das formas de vida menores e mais simples até as maiores e mais complexas. p. 32
Por que deveríamos predizer que há uma sequência geral a partir das formas de vida mais simples e normalmente menores – organismos unicelulares como bactérias - até as criaturas pluricelulares como nós? Em vez disso, por que não admitir que tudo surgiu praticamente de uma só vez ou até no sentido inverso, ou seja, dos humanos ou elefantes até as bactérias? De fato, uma das histórias da criação relatada no Gênese diz que a Terra foi criada em apenas seis dias, e toda a vida em apenas dois desses dias, dando a entender que o registro histórico da vida deveria mostrar tudo aparecendo ao mesmo tempo, exceto os humanos, que vieram um dia após. p. 32-33
Resposta:
1- Nenhum tipo de criacionismo se opõe a ideia que organismos mais simples foram criados antes dos mais complexos, inclusive os criacionistas bíblicos
2-O próprio livro mostra que há uma sequencia de estase, explosão criativa, o que refuta a ideia tradicional da evolução lenta e gradativa, e por isso o autor , como já explicado, defende o evolucionismo de equilíbrio pontuado. Mas o equilíbrio pontuado não explica como as estruturas complexas e irredutíveis se forma.
Os criacionistas veem essas explosões criativas como ações divinas na criação, por meio da impossibilidade lógica de sistemas irredutíves evoluírem, veja o que o próprio livro diz:
Os grandes biólogos e geólogos anteriores a Darwin eram todos criacionistas pelo menos de alguma forma. A evolução não ganharia credibilidade científica até a primeira metade do século dezenove e a grande maioria dos europeus instruídos eram religiosos, como seria de se esperar. No início de 1800, o grande biólogo-geólogo-paleontólogo francês, Barão George Cuvier (1769-1832), reconheceu não menos do que 32 divisões separadas no registro fóssil da vida de maneira crua e principiante, vendo a história da vida de forma não muito diferente de como fazemos hoje como uma sucessão de extinções seguidas de proliferação de novos ecossistemas, com espécies novas preenchendo as vagas deixadas pelos predecessores extintos. Cuvier julgava que as proliferações eram criações independentes de Deus (diferentemente dos criacionistas de hoje, que seguem Gênese literalmente e veem a criação da vida como episódio único); é o triunfo da perspectiva evolutiva inspirada em Darwin, que nos permite compreendê-las como realmente são: respostas evolutivas a alterações no ecossistema. Foi Cuvier, apesar da interpretação criacionista, um dos primeiros a chamar a atenção para esses padrões de estabilidade tão importantes, a que chamou revoluções. p. 49
O trabalho de Palmer (principalmente nos anos sessenta e setenta) foi o primeiro do gênero na era moderna visando expor a pura essência da organização do registro fossil durante o último meio bilhão de anos de vida no planeta. No decorrer de todo o tempo em que os animais complexos (e mais tarde, as plantas) habitam a Terra, é muito comum o padrão de rápida diversificação evolutiva, seguida de longos intervalos de grande estabilidade no ecossiste-ma, com muito pouca mudança evolutiva detectável entre as espécies, segui-da (após milhões de anos) por distúrbio físico dos ecossistemas e extinção de muitas espécies, e de outra explosão de rápida alteração evolutiva. Efetivamente, se padrão pode ser encontrado praticamente por toda parte o registro fossil da história da vida p. 48
3- O livro refuta a alegação que as lacunas no registro fóssil é devido a uma incompleta documentação geológica dos eventos ocorridos na Terra, a qualidade dos registro fóssil, e por isso defende a evolução por equilíbrio pontuado. Em outras palavras, a formação de espécies é rápida e porntanto não deixa fósseis. Mas isso cria um grande problema, como essas estruturas complexas e irredutíveis se formam? A pergunta permanece sem respostas
Nesse trabalho, Simpson teve de enfrentar aquele maior e mais persistente fantasma da paleontologia: as notórias lacunas do registro fóssil. Darwin e os paleontólogos evolucionistas que o sucederam preferiram apresentar razões evasivas para justificar essas lacunas: culparam a incompleta documentação geológica dos eventos ocorridos na Terra. De acordo com essa justificativa, a ausência no registro fóssil de uma abundância de exemplos (os criacionistas dizem não haver algum) que indiquem variação suave e gradual entre ancestrais e descendentes, apenas evidencia que a qualidade do registro das rochas não é muito boa. Muito verdadeiro, mas não inteiramente, disse Simpson, o que lhe garantiu eterno crédito. p. 77
...Os criacionistas adoram as lacunas do registro fossil, mais do que qualquer outro aspecto do mundo natural. Como veremos adiante, ao abordarmos a postura dos criacionistas, há todo tipo de elos ausentes: falta de formas transicionais com gradações intermediárias, não só entre espécies como também entre grupos maiores, ou seja, famílias de carnívoros ou ordens de mamife-ros. Realmente, quanto mais subimos na hierarquia Lineana menos formas transicionais parecem existir. Por exemplo, o Peripatus, criatura lobular ver-miforme provida de pernas, que no hemisfério sul frequenta troncos apodre-cidos, parece o elo intermediário de dois importantes filos que hoje habitam a Terra: os vermes segmentados e os artrópodes. Mas poucos outros filos apre-sentam tais elos unindo-os a outros. Quando procuramos por esses elos no registro fóssil, encontramos muito pouco auxílio. As extinções certamente extirparam muitas espécies intermediárias. Mas, por outro lado, os registros fosseis não são exatamente tão abundantes em seus remanescentes .p.77
Outro ponto a considerar é que, apesar de alguns geneticistas terem voltado sua atenção para o processo de especiação com grande empenho, o foco na variação genética entre populações tem levado ao menosprezo da descontinuidade entre as espécies, cuja importância foi inserida no discurso evolutivo de Dobzhansky e Mayer, pouco antes da segunda guerra mundial. Mas as lacunas são reais e criadas pelo processo evolutivo. E ambos os problemas - estases e lacunas, criados pelo processo de especiação foram reunidos em um postulado teórico conhecido por equilíbrio pontuado, parte de uma segunda linha de pesquisa evolutiva desenvolvida nos anos sessenta p. 83
... nós paleontólogos nos deparamos realmente com uma persistência por parte das espécies de permanecer estáveis por milhões de anos, antes que surjam outras, geralmente muito semelhantes a elas. Ás vezes, há um claro componente geográfico no padrão. Mas, com frequência, descobrimos que essas espécies aparecem na coluna de rochas umas sobre as outras. Duas espécies, ancestral e descendente, podem aparecer sobrepostas no tempo, mas isso é raro.
Como explicar essas lacunas - essas rápidas variações entre traços anatômicos? Facilmente: Gould e eu percebemos que não precisávamos mais do que a teoría de especiação geográfica desenvolvida basicamente por Dobzhansky e Mayr. Para ocorrer o isolamento geográfico, que conduz ao isolamento reprodutivo, não é necessário muito tempo, segundo os nossos cálculos, entre cinco a cinquenta mil anos. Após isso, alguns geneticistas comentaram que a especiação poderia ser muito mais rápida.
A especiação pode ser um processo rápido - rápido demais para deixar detalhes no registro fossil. As camadas sedimentares, que sepultam o registro fóssil, são simplesmente muito episódicas, com muitas falhas que impedem o registro sucessivo dos anos, décadas e séculos do tempo geológico. Em suma, as lacunas entre as espécies proximamente aparentadas da fauna e flora modernas, diretamente ocasionadas pelo processo de divisão denominado especiação, ocorrem tão rapidamente que é raro nos depararmos com eles ao investigarmos os registros fósseis à procura de indícios sobre como ocorre a evolução.
Mas isso não é tudo. Quando em 1972 publicamos nosso artigo sobre equilíbrio pontuado, embora Gould e eu alegássemos que se tratava de um padrão genérico - típico das espécies que se movimentavam no registro fóssil desde tempos imemoriais não percebemos que muitas espécies se conservam juntas nos ecossistemas regionais, em estase, durante longos períodos. Tampouco levamos em consideração o outro aspecto importante o paradigma maior das estases coordenadas, ou "turnover pulse" que, como vimos no capítulo 3, é tema dominante na história da vida há meio bilhão de anos. Em outras palavras, não percebemos que o padrão das linhagens de estases e especiação das espécies, que chamamos equilibrio pontuado, ocorria na grande maioria das linhagens de espécies que habitavam próximas umas das outras em ecossistemas locais e regionais. p. 85
3.7 Não reconhecer impossibilidades na origem da vida
Que a origem da vida, se coloca como problema bioquímico, ainda não esteja completamente resolvida no ano 2000, não é particularmente surpreendente, nem é certamente forte evidencia de jamais será" p. 144
Resposta:
https://lordisnotdead.blogspot.com/2025/12/prova-pela-origem-da-vida-por-que-vida.html
https://fatosdoevolucionismo.blogspot.com/2014/01/os-fatos-sobre-origem-da-vida.html
3.8 Desprezar o problema da singularidade do homo sapiens em relação aos outros hominíneos e simplificar a proximidade genética entre homens e chimpanzés
O livro engana o leitor ao não dizer que similaridade genética comparada se baseia no DNA codificante que é cerca de 5% do total e em apenas 5 sequencias de cromossomos
https://fatosdoevolucionismo.blogspot.com/2019/09/15-respostas-ao-absurdo-criacionista.html
Erra ao desprezar a singularidade do homo sapiens
https://averacidadedafecrista.blogspot.com/2025/02/william-lane-craig-in-quest-of.html





