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terça-feira, 30 de julho de 2013

EVANGÉLICOS se CONVERTERÃO ao BRASIL?

21/07/2013 - 03h20
Folha de Sao Paulo
A conversão do pentecostalismo
REGINALDO PRANDI


RESUMO 
Depois de trocar o discurso do desapego material pela apologia do consumo, o pentecostalismo brasileiro se vê instado a afrouxar sua moral conservadora para conquistar segmentos mais abastados e escolarizados. Na trilha para se tornar a força religiosa dominante no país, ele terá de se dobrar ao éthos nacional.
*
O avanço acelerado das igrejas evangélicas anuncia para breve um Brasil de maioria religiosa evangélica. Se isso vier a acontecer, o país se tornará também culturalmente evangélico? Traços católicos e afro-brasileiros serão apagados, assim como festas profanas malvistas pela nova religião predominante?
Deixarão de existir o Carnaval, as festas juninas, o famoso São João do Nordeste? Rios, serras, cidades, ruas, escolas, hospitais, indústrias, lojas terão seus nomes católicos trocados? A cidade de São Paulo voltará a se chamar Piratininga? E mais, mudarão os valores que orientam a vida por aqui?
Provavelmente não, porque a religião mudaria antes. Ela se reconfigura em resposta a demandas sociais, e essa recauchutagem é tão mais profunda quanto maiores forem a consolidação e a difusão da crença. Deixa de ser radical e sectária, ajusta-se. Vê-se isso na história recente das próprias religiões evangélicas.
Igrejas pentecostais pregavam uma ética de afastamento do mundo, com profundas restrições ao consumo. Ao preconizar vida simples e despojada, ofereciam um modelo ideal de conduta para uma classe proletária então destinada a ganhar mal e comprar pouco.


Quando a âncora da economia muda do trabalhador que produz para o consumidor (garantidor do crescimento), o pentecostalismo tem de rever sua posição sobre o consumo, até então encarado como ponte para o mundanismo.


Dessa forma, acompanhou a mudança e adotou a teologia da prosperidade -coisa de gênio. Abandonou o princípio de que o dinheiro é do diabo e largou mão do velho ascetismo, mantido na esfera da sexualidade. Adequou-se às aspirações de classe média no que diz respeito a vestir-se, educar os filhos, ter tudo de bom em casa, comprar carro, viajar a turismo e muito mais.
A nova teologia promete que se pode contar com Deus para realizar qualquer sonho de consumo. Em suma, já não se consegue, como antes, distinguir um pentecostal na multidão por suas roupas, cabelo e postura. Tudo foi ajustado a novas condições de vida num país cujo governo se gaba do (duvidoso) surgimento de certa "nova classe média", de fato cliente preferencial das lojas de R$ 1,99.
Incapazes de influir nos grandes temas da sociedade, as igrejas pentecostais ajustaram o foco na velha preocupação com a vida íntima. Agarraram-se a uma moralidade mesquinha e reacionária, tão fácil de impor aos descontentes com sua vida pessoal.
A maioria dos pentecostais é de recém-convertidos, e conversão precisa de motivo forte, subjetivo, que tenha elo direto com felicidade e capacidade de viver bem.


IMPOSIÇÃO DA LEI
A interferência da religião nos costumes poderia vir agora também pela imposição da lei. Para fazer mudanças a seu gosto, o credo da nova maioria contaria com as casas legislativas, onde vai ampliando suas fileiras. Bem no tom de ameaça do pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP).
Ao perder uma batalha em sua guerra homofóbica travada nas trincheiras da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que espantosamente continua a presidir, ele acenou para um revide amparado na possibilidade de a bancada evangélica dobrar numericamente na próxima legislatura.


O instituto Datafolha confirma: se dependermos da opinião expressa por pentecostais, o Brasil pode retroceder em matéria de família, sexualidade e liberdade de escolhas e abandonar normas e direitos fixados após longas lutas.


A pesquisa publicada hoje pela Folha mostra que, no continuum da moralidade, as posições estão bem marcadas: os pentecostais formam o segmento mais atrasado. Os católicos são tão avançados quanto a população média do país, maioria que são. Os evangélicos não pentecostais ocupam posição intermediária entre católicos e pentecostais; já tiveram sua fase de sectários e poderiam representar hoje os pentecostais de amanhã.
Os sem religião, espíritas e umbandistas tendem a ter posição condizente com os avanços da sociedade, à frente dos católicos, mas são muito minoritários. Outras religiões, pelo pequeno número de seguidores na população, nem aparecem na amostra.
É preciso lembrar que, independentemente de religião, os mais pobres e os menos escolarizados, camadas em que os pentecostais arregimentam preferencialmente seus adeptos, estão menos afeitos ao avanço dos costumes e direitos.
Religião e posição social se atraem e se somam. Por outro lado, se o pentecostalismo também sonha em ser uma religião de classe média ilustrada, terá de mudar.
Ainda que majoritária, condição aqui apenas hipotética, a religião evangélica, sobretudo pentecostal, seria a crença de indivíduos convertidos um a um, e não a que funda uma nação e fornece os elementos formadores de sua cultura, lugar ocupado pelo velho catolicismo.
O processo que culminaria no redesenho do cenário da fé seria diferente daquele que modelou a cultura no Brasil. Por tudo isso, em vez de o Brasil virar culturalmente evangélico, a religião evangélica pode bem se converter ao Brasil.
REGINALDO PRANDI, 67, é professor sênior do departamento de sociologia da USP e pesquisador do CNPq. Escreveu, entre outros livros, "Mitologia dos Orixás", "Segredos Guardados" (ambos pela Companhia das Letras) e "Os Mortos e os Vivos" (selo Três Estrelas, do Grupo Folha).




"Só uma minoria deles se diz contra a legalização da união entre pessoas do mesmo sexo (36%) e contra a adoção de crianças por casais homossexuais (42%), índices inferiores ao que pensa a média da população e muito abaixo do registrado entre evangélicos (em torno de 65% e 70%, respectivamente).
Apenas espíritas e umbandistas são mais liberais a respeito desses temas. Mas membros de todas as igrejas cristãs pensam de forma muito parecida sobre o aborto: entre 65% a 70% dizem que a mulher que praticar aborto deve ser processada e presa."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/119929-catolicos-vao-pouco-a-missa-e-contribuem-menos-com-igreja.shtml
RESPOSTA:
1-O colunista da Revista Veja, Reinaldo Azevedo, diz que a pregação da Assembleia de Deus (Igreja que mais cresceu de acordo com o último censo-2010)

“está muito mais centrada na defesa de VALORES, especialmente os ligados à unidade da família. Se é uma igreja que cresce no chamado “Brasil moderno e urbano”, esse crescimento se dá com a pregação de valores que podemos chamar “tradicionais. O colunista continua: “A Assembleia, infiro, tende a crescer de forma sustentável e consolidada porque opera numa esfera que produz alterações que tendem a ser permanentes. As correntes que dão excessivo valor às relações de troca com Deus podem ter ascensão vertiginosa, mas esbarram, não tem jeito, no peso da realidade. O Altíssimo não sai por aí recompensando quem faz muita bobagem com sua conta bancária. Também não costuma resolver os problemas que estão afeitos à medicina. A força desse tipo de discurso
 é limitada”


2-Os Pentecostais tem por princípio a liberdade religiosa;
  •  portanto se a maioria fosse evangélica não se proibiria a manifestação de festas católicas, espíritas ou quaisquer outras.
  •  Basta conhecer que TODOS os países de maioria evangélica, privam pelos direitos à  liberdade religiosa. 
  • Assim estas festas continuarão a existir a menos que toda população se tornasse evangélica!!!

3- Em segundo lugar, NUNCA em toda a história do protestantismo (mesmo dentro do pentecostalismo) se abriu mão dos valores tradicionais como sexualidade dentro do casamento, heterossexualidade,e outros valores tradicionais, exceto em seitas derivadas do protestantismo, e essas são tidas como movimentos heréticos.

3-Mesmo dentro do movimento Neopentecostal esses valores sempre perduraram, como diz este Sociólogo especializado no assunto:
"Mesmo as neopentecostais, embora mais liberais, estabelecem orientações tipicamente puritanas, moralistas: contra o homossexualismo, a pornografia, as drogas, a assistência a programação de tv que exploram a violência e sexualidade, a frequência a bares e danceterias, participação no carnaval" (Neopentecostais- Ricardo Mariano, Edições Loyola, p. 210)

4- Assim a afirmação que E mais, mudarão os valores que orientam a vida por aqui? Provavelmente não, porque a religião mudaria antes. ... Vê-se isso na história recente das próprias religiões evangélicas."  é falsa pois, o que mudou nas igrejas pentecostais foi os chamados "usos e costumes de santidade" (que nada tem de fundamentação bíblica como: uso de saias, cabelos sem cortar, não uso de bermudas, etc.) e mudança para uma liturgia "mais brasileira" com ritmos populares, basicamente isso.


5-Em relação à Teologia da Prosperidade,a maioria dos pentecostais não à adota . O segmento que adota é conhecido como NEOPENTECOSTAIS. A Assembléia de Deus combate o ensino da Teologia da prosperidade ou Teologia da Confissão Positiva. 


6-Mas a Igreja Universal do Reino de Deus (maior denominação neopentecostal e a  igreja que mais dá ênfase à prosperidade financeira foi a que mais perdeu fiéis (queda de 11% em relação a 2000). A igreja, que nos anos 1990 deu um salto de 269 mil para 2,1 milhões de fiéis, perdeu 228 mil na última década. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/por-que-edir-macedo-e-a-igreja-catolica-perderam-fieis-e-por-que-a-assembleia-de-deus-ganhou/

7- A afirmação: "Quando a âncora da economia muda do trabalhador que produz para o consumidor (garantidor do crescimento), o pentecostalismo tem de rever sua posição sobre o consumo, até então encarado como ponte para o mundanismo.
Dessa forma, acompanhou a mudança e adotou a teologia da prosperidade" tem vários equívocos:
  • A teologia da prosperidade começou nos Estados Unidos e iniciou-se no Brasil com a Igreja Nova Vida, da qual saiu a universal e Internacional da Graça de Deus (igrejas neopentecostais)
  • O neopentecostalismo é um tipo de pentecostalismo, mas numa 3ª onda, de onde veio a Teologia da Confissão Positiva- ver apêndice 1
  • Assim não houve adoção da Teologia da Prosperidade, especialmente por parte majoritária da Assembléia de Deus (a igreja que mais cresceu)
  • o autor do texto dá a entender que o fator preponderante do crescimento dos pentecostais seria a teologia da prosperidade, mas desde que surgiu o pentecostalismo sempre foi o ramo evangélico que mais cresceu!!!!! mesmo antes do surgimento da Teologia da Confissão Positiva- ver apêndice 2
8- Sobre homofobia
  • O simples fato de ser contra a prática de atos homossexuais não caracteriza homofobia
  • O SITE PSIQWEB CITA o dicionário especializado:"Esta expressão significa medo do homossexualismo. O medo do homossexualismo empurra as pessoas em direção ao sexo oposto com objetivos de reprodução e de garantir ao sujeito sua identidade heterossexual.
    Homofobia é típica de pessoas que, consciente ou inconscientemente, ainda têm muitas dúvidas e angústias sobre sua identidade sexual. Como mecanismo de defesa de sua insegurança, estas pessoas costumam ridicularizar e agredir os homossexuais. Casos muitos graves de Homofobia levam o sujeito a fazer investidas como o assassinato de homossexuais. "  
    http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?area=ES/VerDicionario&idZDicionario=382
  • Os valores cristãos repudiam atos de violência, ódio aos homossexuais ou qualquer pessoa
  • Para haver tolerância aos homossexuais tem que haver discordância, assim os evangélicos tem o dever de amar todas as pessoas, e isso inclui tolerar  práticas  consideradas pecaminosas pela bíblia.



9- A afirmação "se dependermos da opinião expressa por pentecostais, o Brasil pode retroceder em matéria de família, sexualidade e liberdade de escolhas e abandonar normas e direitos fixados após longas lutas."

  • A pesquisa citada da Folha  não faz distinção entre praticantes e não praticantes. Existem muitos católicos nominais, como também evangélicos, o que tornaria os 'católicos'  mais receptivos a conceitos como aborto, união civil homossexual, etc.
  •  os valores [em termos de doutrina] de família, sexualidade e liberdade de escolha são os mesmos no catolicismo, evangélicos pentecostais e não pentecostais
  • a única diferença é que os evangélicos são a favor dos métodos anticoncepcionais
  • Defender o direito à vida por parte de fetos inocentes (ser contra o aborto) não é ser retrógrado.
  • Para se evitar as concepções pós estupro (que giram em torno de 1-3%) deve-se implementar políticas de Segurança (garantidas pela constituição) e investir em informação especialmente na pílula do dia seguinte (que impede à fecundação) e assim seria desnecessário o aborto
  • em relação a adoção, o número de casais que querem adotar é mais que 5 VEZES o de crianças a serem adotadas  http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/05/25/ha-54-vezes-mais-pretendentes-do-que-criancas-aptas-a-adocao-aponta-cnj.htm. Em relação à adoção as opinioes dos evangélicos é dividida.

Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião
Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram o crescimento da diversidade dos grupos religiosos no Brasil. A proporção de católicos seguiu a tendência de redução observada nas duas décadas anteriores, embora tenha permanecido majoritária. Em paralelo, consolidou-se o crescimento da população evangélica, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 %, evangélicos não determinados. A pesquisa indica também o aumento do total de espíritas, dos que se declararam sem religião, ainda que em ritmo inferior ao da década anterior, e do conjunto pertencente às outras religiosidades. http://censo2010.ibge.gov.br/noticias-censo?view=noticia&id=1&idnoticia=2170&t=censo-2010-numero-catolicos-cai-aumenta-evangelicos-espiritas-sem-religiao








Apêndice 1
3.2.2- DISCUSSÃO DAS CLASSIFICAÇÕES de PENTECOSTAIS
A classificação de Bitencourt despreza a ênfase de doutrinas pentecostais dadas por diferentes igrejas, seja em suas semelhanças ou em suas diferenças, pois se baseia unicamente na origem das igrejas.
A classificação de Mendonça cai em um equívoco em afirmar que as igrejas de cura divina não enfatizam a ética, a santificação e a bíblia, tudo isso a Deus é Amor, Universal, Internacional da Graça e outras, enfatizam, inclusive a Universal, tem um programa radiofônico diário “A palavra amiga do bispo Macedo”. Além disso, os fiéis dessas igrejas, apresenta uma freqüência aos cultos superior às protestastes históricas, e a maioria delas apresenta rol de membros.
A classificação de Freston é a que mais se aproxima da realidade, assim utilizaremos sua classificação acrescida do termo “deuteropentecostalismo” para designar a 2ª onda, utilizado por Ricardo Mariano (1999):

1ª onda- Pentecostalismo Clássico: Congregação Cristã (1910, São Paulo e Paraná) por Luigi Francescon (missionário de origem presbiteriana que se tornou pentecostal através da Missão Pentecostal de W. H. Durham nos Estados Unidos). Assembléia de Deus (1911, Belém) (inicialmente chamada de Missão da Fé Apostólica - mesmo nome do movimento pentecostal inicial da Rua Azuza anteriormente citado) fundada por dois missionários suecos imigrantes em Chicago que também freqüentaram a mesma missão que Luigi e tiveram a mesma experiência pentecostal, Gunnar Vingren e Daniel Berg. Eles inicialmente se estabeleceram na Igreja Batista de Belém, mas foram expulsos juntamente com mais dezessete pessoas, fundando então a 2ª igreja pentecostal do Brasil.
2ª onda- Deuteropentecostalismo: O deuteropentecostalismo se diferencia do clássico por sua implantação posterior e por enfatizar a cura divina. Esta segunda onda pentecostal tem origem na cidade de São Paulo com a implantação da Igreja do Evangelho Quadrangular em 1951 por meio do evangelismo de massa centralizado na mensagem de cura divina. A quadrangular nos Estados Unidos é uma Pentecostal Clássica, mas na sua implantação no Brasil já trazia algumas inovações evangelísticas (tendas cinema, teatros, estádios). Esse movimento de cura trouxe muita repercussão no país e provocou a formação de novas denominações: A Quadrangular deu origem à O Brasil para Cristo (1955) e esta à Casa da Bênção (1964). Nesta classificação entra também a Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962) e a Nova Vida (1960). Esta última foi precursora de alguns aspectos da teologia neopentecostal: prosperidade financeira, ausência de legalismo em matéria comportamental, e intenso combate ao Diabo (encontrado também na Casa da Bênção e Deus é Amor).


3ª onda Neopentecostalismo: A terceira onda começa na segunda metade dos anos 70. Da deuteropentecostal Nova Vida, saíram: Universal do Reino de Deus (1977, Rio), Igreja Internacional da Graça de Deus (1980, Rio), e Cristo Vive (Rio, 1986). Surgiram também neste período: a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (1976, Goiás); Comunidade da Graça (1979, São Paulo) Renascer em Cristo (1976, São Paulo), Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo (1994, São Paulo). Entre as principais características destacam-se: 1-Ausência de usos e costumes de santidade 2- Teologia da Prosperidade 3- Teologia do Domínio 4- Exacerbação da guerra contra o reino de Satanás (Com exceção da Missão Apostólica da Graça de Deus ou Igreja Cristo Vive).  Estas características serão discutidas posteriormente.
Assim nem toda denominação surgida depois dos anos 70 é neopentecostal, pois o neopentecostalismo se caracteriza por distinções teológicas (Teologia do domínio e da prosperidade) e comportamentais, muito mais do que simplesmente distinções cronológicas.

Apêndice 2
5.2.3- Tese Atual do crescimento pentecostal
A partir do fato que as igrejas pentecostais apresentam crescimento radicalmente desigual, as razões de seu sucesso ou fracasso decorrem das diferenças internas existentes entre elas. Os processos de mudança macroestrutural e os péssimos indicadores sociais do País não elucidam a enorme diferença entre o crescimento da Universal (e outras neopentecostais) das demais igrejas. A explicação, portanto, deve repousar na análise da organização denominacional, das doutrinas, do clero, da liturgia, da mensagem e das técnicas evangelísticas.
5.2.1- Trabalho Exaustivo
Várias igrejas pentecostais realizam vários cultos diários, mobilizam os fiéis para evangelizar, espcialmente boca a boca, investem seus recursos na abertura de templos, na pregação eletrônica e no sustento dos pastores, que trabalham em período integral.

5.2.2-Anúncio de um Evangelho Pleno / Felicidade presente e futura
         As neopentecostais enfatizam que Jesus é a solução de todos os problemas do homem, oferecendo:
·        Salvação – pela pregação da mensagem do plano redentor de Cristo
·        Cura física-  pela mensagem da cura divina
·        Libertação de vícios e perturbações - por meio de orações e campanhas.
·        Prosperidade financeira - pela pregação da mensagem sobre promessas de  prosperidade e da atitude do cristão em relação a essas promessas.
·        Harmonia familiar - pelo ensino da prática dos princípios bíblicos em associação com os tópicos anteriores.

“Na verdade vários estudos convergem para afirmar que o  pentecostalismo traz soluções reais a situações de pobreza e de atomização social. Ele dá a possibilidade de criar redes de relações primárias. Ele dá aos crentes a reputação de trabalhadores confiáveis que os empregadores procuram e preferem aos outros. Enfim, ele permite dar a populações fortemente desintegradas socialmente uma identidade social, uma dignidade” 4

5.2.3- Liturgia descontraída /Informalidade
         O culto pentecostal é de caráter informal, ao contrário, por exemplo, do catolicismo clássico, religião da qual mais procede os pentecostais. Como se sabe, em geral, as igrejas que mais crescem utilizam toda sorte de ritmos incluindo o rock, o funk, o rap e outros que eram tidos como profanos.

5.2.5- Uso intenso da mídia
         Com o surgimento do ramo neopentecostal inaugurou-se um intenso uso dos mais diversos meios de comunicação, especialmente a televisão. Através dela são feitos atendimentos de pessoas, pregações, testemunhos de pessoas, anúncio das programações das igrejas e outros. A Internacional da Graça possui hoje um canal exclusivo no qual a maior parte do tempo é ocupado por programações da própria denominação, em segundo lugar vem a Universal do Reino de Deus, que apesar de ser dona da Record e da Rede Mulher ficou atrás da Internacional da Graça.
         Até as igrejas que proibiam o uso da televisão no passado, hoje têm seus programas de televisão, como é o caso das Assembléias de Deus, com o seu programa “Movimento Pentecostal”.


5.2.4- Rapidez na preparação de novos líderes
         Enquanto que nas Igrejas protestantes históricas é requerido um longo tempo em seminário, a maioria das igrejas pentecostais prepara seus futuros líderes de uma forma mais rápida, por meio de cursos de formação de obreiros e por meio de literatura própria da denominação, o que contribui para a expansão destas denominações.

5.2.5- Sincretismo litúrgico
Muitas igrejas,especialmente a Universal e Internacional da Graça (neopentecsotaIS) absorvem inúmeras vertentes da religiosidade e do sincretismo brasileiros numa espécie de efeito esponja de expressões religiosas que granjearam alguma popularidade no campo religioso brasileiro, contribuindo para seu crescimento.
Observa-se elementos simbólicos que contribuem numa inserção nesta igreja sem grandes passagens simbólicas, traumas ou disrupções. Não existe uma inauguração de um novo sistema simbólico, mas sim, um re-arranjo e uma re-significação de elementos já re-conhecidos pelos fiéis dentro do campo religioso brasileiro. O que nos remete a uma vivência de sensação de totalidade e não uma construção, mas de re-construção de sentido muito grande.
.
5.2.6- Oferta de sentido psicológico

Principalmente as Neopentecostais (como, Universal) conseguem, de uma forma própria, responder as questões que são fundamentais para o ser humano. Como outros grupos religiosos que conseguiram ganhar universalidade, estas igrejas, combinando aspectos pré-modernos, modernos, pós-modernos, sincréticos e afinados com a matriz religiosa brasileira de uma forma peculiar, têm conseguido, numa linguagem religiosa, restabelecer aquilo que Jung apontou psicologicamente em seus pacientes como falta:

“não houve um só (paciente) cujo problema  mais profundo não fosse o da atitude religiosa. Aliás, todos estavam doentes, em última análise, por terem perdido aquilo que as religiões vivas ofereciam em todos os tempos, a seus adeptos, e nenhum se curou realmente, sem ter readquirido uma atitude religiosa própria, o que evidentemente, nada tinha a ver com a questão de confissão (credo religioso) ou com a pertença a uma determinada igreja.” (JUNG,1983:509)

5.2.7- Acesso Direto ao Sagrado

          O princípio protestante do “sacerdócio universal de todos os crentes” é o primeiro fator que favorece um acesso direto ao sagrado.
O segundo fator são os dons espirituais, especialmente o falar em novas línguas. Neste fenômeno o fiel tem certeza que está unido à Divindade, pois é um fenômeno sobrenatural. É visto em algumas denominações manifestações onde a pessoa que fala em língua chega quase ao êxtase emocional (embora a maioria condena esta manifestação emocional em reuniões abertas a pessoas não evangélicas).

REPERCUSSÃO  SOCIAL DOS PENTECOSTAIS

“Na verdade vários estudos convergem para afirmar que o  pentecostalismo traz soluções reais a situações de pobreza e de atomização social. Ele dá a possibilidade de criar redes de relações primárias. Ele dá aos crentes a reputação de trabalhadores confiáveis que os empregadores procuram e preferem aos outros. Enfim, ele permite dar a populações fortemente desintegradas socialmente uma identidade social, uma dignidade”1
         Quanto a ênfase na atuação demoníaca, esta “parece favorecer a maior tolerância dos fiéis pentecostais que vivem estes problemas com seus familiares, atenuando a tensão doméstica”2
         Quanto à participação da mulher na religião, cada vez mais se torna evidente sua atuação. Quando a mulher se converte antes do marido, esta passa a ter a responsabilidade de por fim aos sofrimentos espirituais aos seus familiares, como diz o provérbio bíblico: A mulher sábia edifica sua casa, mas a tola derruba com suas próprias mãos”. Salém diz: “esta responsabilidade delegada ás mulheres provoca uma verdadeira inversão da auto-imagem feminina, que de frágil e tutelada (SALÉM, 1981, P. 83) passa a ser responsável pela formação moral da família e pela salvação dos seus pares e filhos – corroborando assim as teses de que a adesão ao pentecostalismo fortalece o gênero feminino”3
         Quanto ao comportamento masculino é bom destacar que a doutrina pentecostal apesar de frisar a chefia do marido, enfatiza a generosidade, humildade, amor, docilidade ao mesmo tempo em que condena o orgulho, a violência, o suo de álcool e a aspereza das palavras. Com isso a religião pentecostal serve aos interesses práticos das mulheres.4 O próprio fato de o marido aceitar a intervenção da igreja na resolução dos problemas domésticos expressaria também uma ruptura significativa com os valores tradicionais do patriarcalismo.

CONCLUSÃO

A partir do fato que as igrejas pentecostais apresentam crescimento radicalmente desigual, mas em geral muito superior aos protestantes históricos, as razões de seu sucesso ou fracasso decorrem das diferenças internas existentes entre elas. Os processos de mudança macroestrutural e os péssimos indicadores sociais do País não elucidam a enorme diferença entre o crescimento PENTECOSTAL das demais igrejas. A explicação, portanto, deve repousar na análise da organização denominacional, das doutrinas, da liturgia, do clero, da mensagem e das técnicas evangelísticas bem como na história do pentecostalismo e contexto histórico brasileiro. Dentre as causas do crescimento explosivo podemos destacar: trabalho exaustivo; evangelho que promete salvação e felicidade presente; liturgia descontraída; uso intenso da mídia; facilidade de formação de novos líderes; sincretismo litúrgico; oferta de sentido psicológico e acesso direto ao sagrado. A repercussão social é positiva e pode-se destacar a diminuição da pobreza, o fortalecimento do gênero feminino, a diminuição da tensão nos lares.
Portanto o crescimento explosivo do movimento pentecostal só pode ser explicado levando em conta uma análise minuciosa tanto interna (doutrinas e práticas), bem como de sua repercussão social e não por meio de análises puramente teóricas.









1 André Corten- Os pobres e o Espírito Santo. O pentecostalismo no Brasil, p. 140.

2 Maria das dores Campos Machado. Carismáticos e pentecostais, 201.
3 Ibid.: p.129.
4 Ibid: p. 122.


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