Pesquisar e

sábado, 29 de janeiro de 2022

Canto do galo- Quantas vezes cantou o galo? Era um expressão?




 Marcos 14:30  Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.

A expressão se referia ao período da madrugada das 24:00-3:00, observe:

Marcos 13:35  Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã;


34 O dito de Jesus: “Asseguro-lhe” (veja comentário sobre 5.18) introduz outra advertência sobre quão próxima está a deserção de Pedro: “Ainda esta noite”, na verdade, “antes que o galo cante”. Se a ideia de dois galos cantando, preservada só em alguns MSS de Marcos 14.30,68,72, é original (e pode não ser: cf. John W.Wenham, “How Many Cock-Crowings? The Problem of Harmonistic Text-Variants” [“Quantos galos cantam? O problema da harmonização em variantes textuais”], NTS 25 [1978-79], p. 523-25), então a “diferença é a mesma da de entre dizer ‘antes que o sino toque’ e ‘antes que o segundo sino toque’ (chamando para a  igreja ou para o jantar)” (Alexander). Aparentemente, na Palestina era usual o galo cantar por volta das 24h30, lh30 e 2h30 (Hans Kosmala, “The Time of the Cock-Crow” [“A hora do galo cantar”] , Annual o f Swedish Theological Institute 2 [1963], p. 118-20; 6 [1967-68], p. 132-34); por isso, os romanos usavam a expressão “canto do galo” para o intervalo entre a meia-noite e as 3:00 horas da madrugada. A despeito das declarações de Pedro de lealdade inabalável (v. 33), Jesus diz que em horas Pedro o negará (mesmo verbo usado em 16.24) três vezes.  O comentário de Mateus / D.A. Carson ;São Paulo : Shedd Publicações, 2010.. 626-627



Há algo muito interessante sobre o canto do galo. Jesus havia dito que Pedro o negaria três vezes antes do cantar do galo. Agora, isso apresenta algumas dificuldades. Segundo a Lei ritual judia era ilegal ter galos na cidade santa mas não podemos assegurar que todos obedeciam  essa Lei. Por outro lado, jamais se pode estar seguro de que o galo cantará. Não obstante, os romanos tinham um costume militar. A noite se dividia em quatro guardas: 18 a 21 h, 21 a 24, 24 a 3 e 3 a 6. Depois do terceiro guarda se trocavam os soldados de volta e para o assinalar se tocava a trombeta às três da manhã. Esse toque se chamava gallicinium em latim e alektorophonia em grego. Ambos os termos significam canto do galo. Pode ser que Jesus haja dito a Pedro: "Antes que a trombeta toque o canto do galo, você me negará três vezes". Todos os habitantes de Jerusalém devem ter conhecido o toque de trombeta das três da manhã. Essa noite ressonou por toda a cidade e Pedro se lembrou das palavras do Senhor.  COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO (WILLIAM BARCLAY) p. 521-522

Pode ser que o canto do galo não tenha pertencido a nenhuma ave; e que jamais se imaginou, desde o começo, que proviria de uma ave. Depois de tudo, a casa do sumo sacerdote estava em pleno centro de Jerusalém, e é muito pouco provável que houvesse aves domésticas em meio da cidade. De fato, a lei judaica estabelece que está proibido ter galos e galinhas na Cidade Santa, porque manchavam as coisas sagradas. Mas as três da manhã era chamado "o canto do galo" pela seguinte razão. A essa hora se trocava a guarda romana no castelo de Antônia e o sinal da mudança de guarda era um toque de trombeta. A palavra latina que designa esse toque de trombeta é gallicinium, que significa canto do galo. Pelo menos é possível pensar que no mesmo momento em que Pedro pronunciou sua terceira negação, tenha soado a trombeta do castelo acima da cidade adormecida, o gallicinium, o canto do galo, e Pedro se lembrou, e então saiu e chorou de todo o coração. p. 769-770 COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO (WILLIAM BARCLAY)


Marcos 13.35 mostra que ele marcava a terceira das quatro vigílias; veja sobre essa passagem; portanto, da meia-noite às três horas da manhã; O “duas vezes cante o galo” indica que Jesus estava se referindo à parte final daquele período.

Reconheça o fato de que, entre a meia-noite e três da manhã, não havia nada que fizesse com que um galo deixasse de cantar - portanto, Marcos 14.68 - , mas que, em relação ao cumprimento da predição de Cristo, no caso, em Mateus 26.34, 74; Lucas 22.34, 60; João 13.38; 18.27, e também em Marcos 14.30, 72, é o canto do galo que marca o final da vigília que vai da meia-noite às três horas da manhã. Veja sobre Marcos 13.35. Isso significaria que, quando Jesus predisse as três manifestações de infidelidade, ele estava, na verdade, dizendo: “Em verdade lhe digo: esta noite, antes que o galo cante pela segunda vez, você me negará três vezes” . p. 781 Comentário do Novo Testamento, Exposição do Evangelho de Marcos © 2003,Editora Cultura Cristã.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Citações pagãs de Paulo- é errado ouvir música ou apreciar arte pagã?



Tudo que não tem origem cristã deve ser rejeitado?

Algumas pessoas dizem que devemos ouvir ou apreciar apenas a arte (musica, etc.) proveniente apenas de pessoas cristãs, mesmo que a letra, tema ou conteúdo esteja correto. Essas pessoas condenam por exemplo músicas com o tema do livro de Cantares de Salomão, o amor romantico. Mas será que a bíblia ensina isso?

Se lermos atentamente percebemos que Paulo citou pelo menos 4 poetas pagãos, mas obviamente isso não significa que ele aprovava tudo que eles escreverem.

Paulo seguia o princípio:

1 Ts 5:21  julgai todas as coisas, retende o que é bom;

22  abstende-vos de toda forma de mal.


Ao examinarmos estas passagens abaixo vamos perceber que Paulo observava o conteúdo e não a origem:

Assim, citações de Cleanto, Arato e Epimenedes em Atos 17.28, Menander em ICoríntios 15.33, Epimênides em Tito 1.12 


Atos 17:28
 pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.
Tito 1:12  Foi mesmo, dentre eles, um seu profeta, que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos.



Estabelecendo uma identificação com sua platéia ateniense, Paulo cita textos de dois poetas gregos. Ambos os escritores exaltam as virtudes do deus Zeus. O primeiro é um poeta cretense chamado Epimênides (600 a.C.).  As palavras de seu poema aparecem num comentário do século 9º, escrito em siríaco por Iso’dad de Merv, que comenta:
“Os cretenses diziam como verdade a respeito de Zeus, que ele era um senhor; foi dilacerado por um javali e foi sepultado; e veja! Seu túmulo é conhecido entre nós; assim Minos, filho de Zeus, proferiu um discurso de louvação em favor de seu pai; e nesse ele disse:
Os cretenses entalham para ti um túmulo,
Ó Santo e altíssimo!
mentirosos, bestas selvagens e lentos glutões
pois tu não estás morto para sempre;
tu estás vivo e ressurreto; pois
em ti nós vivemos e nos movemos,
e temos o nosso ser.’



A segunda citação é do poeta Aratus (315-240 a.C.), natural da
Cilícia na Ásia Menor, e portanto, compatriota de Paulo. No século 3º
a.C., Aratus escreveu um poema honrando a Zeus numa composição
denominada Phainomena. A quarta e a quinta linhas da poesia trazem
as seguintes palavras:
 “Em tudo temos que ver com Zeus, pois somos
verdadeiramente descendência sua”

 As palavras aparecem também num Hino a Zeus escrito por Cleantes (331-233 a.C.).
Clemente de Alexandria se refere a ele no Stromata 1.19.91.4-5.

A primeira citação apresenta um pequeno problema relacionado à
sua fonte. Apesar de Iso’dad de Merv atribuir as palavras do poema a
Minos de Creta, Clemente de Alexandria atribui as linhas “os cretenses
são sempre mentirosos, bestas selvagens e glutões preguiçosos”

(veja Tt 1.12) a Epimênides.62 Com toda a probabilidade, Minos citou
tais palavras em vez de redigi-las.

Ao citar esses poetas, Paulo não está dando a entender que concorda
com o ambiente pagão no qual surgiram as citações. Pelo contrário,
ele usa as palavras para encaixá-las ao seu ensino cristão." 
Comentário do Novo Testamento: Exposição de Atos dos ApóstolosVol. 2. Simon J. Kistemakerde, 2003, Editora Cultura Cristã, p. 191-192

Cleanto:

Mais glorioso dos imortais, de muitos nomes,
Todo-poderoso e para sempre, tu, ó Zeus,
Soberano da natureza, e que guias com tua mão
Tudo quanto existe, saudamos com louvores. Justo
É que os mortais te invoquem em harmonia,
Pois somos tua geração, e nós somente,
De tudo quanto vive e se move sobre a terra,
Recebemos o dom da linguagem imitativa.



Arato:

De Zeus começa; jamais deixemos
De amar seu nome. Com ele, Zeus, estão cheios
Todos os caminhos que palmilhamos, e todos os negócios dos homens;
Enche “ele” também o mar, todo o ribeiro e baía;
E todos, em tudo, precisamos da ajuda de Zeus,
Pois também somos sua geração (Fenômenos, 1-5)

 

1 Co.15:33: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.”


·Por essa razão, Paulo cita um provérbio da obra Thais, do poeta grego Menander:
“a má companhia corrompe bons costumes”.
Sem dúvida o provérbio era bem conhecido
entre as pessoas de fala grega na Grécia e em outros lugares. Comentário do Novo Testamento – Exposição da Primeira Epístola aos Coríntios ©2003, Editora Cultura Cristã, p. 781.

Outro texto de Paulo no mostra um outro princípio daquilo que deve ocupar nosso pensamento:

Filipenses 4:8  Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.



Conclusão:

Não se busca a origem, o autor, mas o conteúdo, os valores apresentados, a letra da música.
A letra deve ser julgada de acordo com o conteúdo da mesma.
O conteúdo não deve conter coisas contrárias ao que diz o texto sagrado


para saber sobre ritmo