
Como uma reinterpretação errônea das parábolas ressuscitou o conceito de purgatório no meio evangélico, ameaçando a suficiência da cruz.
1. (Introdução)
Dizer que um cristão genuinamente nascido de novo pode passar mil anos sofrendo em uma fornalha acesa não é apenas um erro de interpretação; é uma afronta direta ao sacrifício de Jesus Cristo. Popularizada sob o nome de "A Visão dos Vencedores", essa teologia sutilmente divide a Igreja entre uma elite espiritual de governantes e cristãos de segunda classe destinados a uma punição dispensacional nas "trevas exteriores".
Mas o que a Bíblia realmente diz? Neste artigo, vamos desarmar essa visão examinando a exegese bíblica dos textos que eles distorcem e reafirmando a segurança absoluta daqueles que foram justificados pela graça.
A maneira de Deus lidar com os pecados
dos cristãos — A Disciplina no Reino (2)
RECEBER VIDA NO REINO NA ERA VINDOURA
Ao pregarmos o evangelho, dizemos às pessoas que recebemos a
vida eterna, crendo em Jesus Cristo. Se uma pessoa crer Nele, ela terá a
vida eterna. Todo aquele que compreende a Palavra de Deus sabe que na
era da igreja hoje, assim que uma pessoa crê, ela tem a vida eterna. Essa é
a nossa mensagem. Mas a questão agora é: Quando é que esta vida eterna
é manifestada, revelada e desfrutada? Hoje, nossa mente e espírito estão
sendo constantemente perseguidos pela morte. Satanás ainda é muito
forte. Sendo assim, quando a vida eterna será plenamente manifestada?
Será no novo céu e nova terra? ou isso ocorrerá no reino? Leiamos João
5:24-29: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a Minha
palavra e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna e não entra em
juízo, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo
que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de
Deus; e os que a ouvirem, viverão. Porque assim como o Pai tem vida em
Si mesmo, assim também concedeu ao Filho ter vida em Si mesmo. E Lhe
deu autoridade para exercer o julgamento, porque é o Filho do Homem.
Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se
acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem,
para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a
ressurreição do juízo”. Aqui, o versículo 24 diz que desde que uma pessoa
creia, ela tem a vida eterna e não entra em juízo. Aquele que ouve a
palavra do Senhor e crê no Pai que enviou o Senhor tem a vida eterna.
Contudo, o versículo 29 diz que os que tiverem feito o bem sairão para a
ressurreição da vida, enquanto os que tiverem praticado o mal sairão para
a ressurreição do juízo. A palavra vida (zoe, no grego) no versículo 29 é a
mesma palavra do versículo 24. Aqueles que tiverem praticado o bem
sairão para a ressurreição da zoe, e aqueles que tiverem praticado o mal,
para a ressurreição do juízo. O versículo 24 diz claramente que já temos a
vida eterna. Mas o versículo 29 diz que alguns não terão a vida eterna,
senão após a ressurreição. Você consegue ver a diferença aqui?
O versículo 25 ocorre na era da igreja. Diz que os mortos ouvirão a
voz do Filho de Deus. Nós todos somos esses mortos. Ouvimos a voz do
Filho de Deus e, como resultado, vivemos. O versículo 28 diz: “Não vos
maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos
túmulos ouvirão a Sua voz e sairão”. O versículo 25 diz que vem a hora e
já chegou. O versículo 28, entretanto, omite a frase “e já chegou”, dizendo
apenas que vem a hora. Portanto, refere-se ao futuro, e não ao presente.
Além disso, aqui o Senhor Jesus diz que no futuro todos os que se acham
nos túmulos sairão. No versículo 25, Ele refere-se “aos mortos”. Aqui Ele
refere-se aos mortos que se acham nos túmulos. O versículo 25 fala sobre
os mortos, referindo-se àqueles mortos em ofensas e pecados. Quando o
Senhor fala no versículo 28 dos mortos nos túmulos, Ele não está
referindo-se à morte da alma em pecado; pelo contrário, Ele está
referindo-se aos mortos no corpo. Todos os que estão mortos em seus
corpos, isto é, os que estão nos túmulos, ouvirão a voz do Filho de Deus
pela segunda vez. Os que tiverem feito o bem sairão para a ressurreição
da vida, e os que tiverem praticado o mal sairão para a ressurreição do
juízo. Esta segunda vez é o tempo em que todos os que estiverem nos
túmulos ressuscitarão.
Leiamos Marcos 10:30: “Que não receba cem vezes mais agora, neste
tempo, casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e no
século vindouro a vida eterna”. Aqui o Senhor Jesus menciona novamente
a vida eterna. Devemos perceber que tipo de vida eterna é essa. A vida
eterna em Marcos 10:30 não é a vida eterna da era da igreja referida no
Evangelho de João ou a vida eterna no novo céu e nova terra. Por favor,
perceba que essa vida eterna será na era vindoura. A frase “no século
vindouro” na língua original significa a era seguinte ou a era subseqüente.
Hoje estamos na era da graça. A próxima era será a era do reino, isto é, a
era do milênio. Aqui, o Senhor diz que uma pessoa pode receber a vida
eterna na era vindoura. Isso não se refere à vida eterna que recebemos
quando cremos no Senhor.
Antes que o Senhor falasse essa palavra, um homem veio a Jesus,
perguntando o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Essa questão
estava relacionada com as obras. Assim sendo, o Senhor Jesus lhe disse
acerca da vida eterna que é ganha por meio das obras. Ele disse ao jovem
que antes que pudesse herdar essa vida eterna, ele deveria guardar a lei e
vender tudo o que tinha. No Evangelho de João, o Senhor Jesus nos
mostra claramente que a vida eterna provém da graça e não das obras.
Então, por que Ele diz aqui que devemos guardar a lei e vender tudo o
que temos, antes de poder herdar a vida eterna? É porque a vida eterna
descrita aqui em Marcos 10 é diferente daquela descrita em João. A vida
eterna em Marcos 10 é recebida por meio de obras. A vida eterna em João
é recebida pela fé.
Após o jovem partir, o Senhor Jesus olhou ao Seu redor e disse aos
discípulos: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm
riquezas!” (v. 23). Ao dizer isso, o Senhor colocou a vida eterna e o reino
juntos. Após o Senhor Jesus dizer isso, os discípulos quiseram saber qual o
significado da Sua palavra. O Senhor disse: “Filhos, quão difícil é para os
que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um
camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de
Deus”. Os discípulos ficaram maravilhados e perguntaram quem então
poderia ser salvo. O Senhor disse que “para os homens é impossível; mas,
não para Deus, porque para Deus tudo é possível”. Pedro, então,
perguntou-Lhe o que ganharia por ter deixado tudo para segui-Lo, e o
Senhor falou sobre as coisas que estavam por vir. “Jesus respondeu: Em
verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou
irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por causa de Mim e por causa
do evangelho, que não receba cem vezes mais agora, neste tempo, casas,
irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e no século
vindouro a vida eterna”. Eles receberão a vida eterna no reino.
Portanto, a vida eterna de que se fala aqui é a vida eterna no reino.
A vida eterna no reino é obtida por meio de obras. Ela é obtida através de
consagração, de sofrimento e por suportar injúrias pelo Senhor. Para o
cristão, a questão da vida eterna nesta era está resolvida. A questão da
vida eterna na eternidade também está resolvida. Contudo, se ele terá ou
não vida eterna no reino depende de: se ele ama ou não o Senhor; se
abandona tudo por causa do evangelho; se nega a si mesmo em todas as
coisas e se rejeita o mundo. Depende se ele está ou não vivendo para o
dinheiro, para o ganho material, para sua família, ou para as pessoas do
mundo. Se ele ama ao Senhor e abandona todas as coisas por causa do
evangelho, o Senhor prometeu que ele não perderá essas coisas mesmo
nesta era, mas pelo contrário, ganhará centenas de vezes mais. Se alguém
desistir de algo apenas um pouco, por causa do Senhor, ele colherá o
cêntuplo de volta no banco celestial. Quem consegue obter um juro tão
alto? O depósito de um dólar renderá cem dólares. Você não consegue
encontrar nenhum banco como esse no mundo. Somando-se a isso, há a
vida eterna na era vindoura.
Em muitas porções de Mateus, a frase “vida eterna” é usada como
sinônimo da palavra “reino”. Nessas porções, os vivos são os que entram
no reino. Por exemplo, Mateus 7:14 diz que a porta é estreita e apertado é
o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que a encontram.
Hoje, muitos pregam o evangelho usando essa passagem, e exortam as
pessoas a entrar pela porta estreita e tomar o caminho apertado. Todavia,
se alguém fosse salvo por entrar pela porta estreita e por tomar o caminho
apertado, a salvação não seria pela graça, mas por obras, e se tornaria uma
recompensa por entrar pela porta estreita e por se tomar o caminho
apertado. A vida eterna, como é revelada no livro de Mateus, não se refere
à vida eterna de hoje, mas sim, à vida no reino milenar. Para poder reinar
com Cristo no reino, uma pessoa deve entrar pela porta estreita e tomar o
caminho apertado. Se alguém não obedecer aos mandamentos de Deus e à
Sua vontade, perderá a vida eterna. Entretanto, isso não significa que ele
irá perecer, mas perderá a vida eterna no reino.
Se esse problema estiver resolvido, então o problema das eras na
Bíblia estará claramente solucionado. Na era da igreja, todas as coisas são
pela graça. Ao final da era da igreja, Deus estabelecerá Seu reino por meio
do Seu Filho. No reino, somente os servos fiéis reinarão com Cristo ao
serem ressuscitados de entre os mortos. A Bíblia nos mostra isso muito
claramente.
A maneira de Deus lidar com os pecados
dos cristãos — A GEENA DE FOGO NO
REINO
Há muitas passagens na Bíblia que mencionam a punição de Deus
para os cristãos derrotados, no reino milenar. Examinaremos agora essas
passagens e, posteriormente, chegaremos a uma conclusão sobre elas.
A ENTRADA E A POSIÇÃO NO REINO
Consideremos primeiramente Mateus 18:1-3: “Naquela hora,
aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é o maior no
reino dos céus? E Jesus, chamando a Si uma criança, colocou-a no meio
deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos
tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”.
Aqui os discípulos fizeram uma pergunta sobre o reino dos céus, uma
pergunta acerca da posição no reino. Não se trata de uma pergunta
envolvendo salvação e perdição, mas diz respeito a ser grande ou
pequeno, superior ou inferior, no reino. O Senhor Jesus mostra-nos que, a
menos que nos convertamos e nos tornemos como crianças, não
poderemos entrar no reino dos céus. A seguir, o versículo 4 diz: “Portanto,
aquele que a si mesmo se humilhar como esta criança, esse é o maior no
reino dos céus”. O versículo 3 nos dá a condição para entrar no reino,
enquanto o versículo 4 nos dá a maneira de ser grande no reino. O
versículo 3 diz que devemos converter-nos e tornar-nos como crianças
antes de poder entrar no reino, e o versículo 4 diz que se continuarmos a
ser crianças e nos humilharmos, seremos os maiores no reino dos céus.
Isso nos mostra que no reino devemos continuar da mesma maneira que
começamos. A direção que tomamos para entrar no reino deve ser a
mesma para continuar nele. Para entrarmos no reino dos céus, temos de
converter-nos e tornar-nos como crianças; e para sermos grandes no reino
dos céus, temos de continuar a ser humildes como crianças. Aqui o Senhor
continua a ressaltar a questão de sermos como crianças.
Em seguida, o Senhor diz: “E qualquer que acolher uma criança, tal
como esta, por causa de Meu nome, a Mim Me acolhe” (v. 5). Quem quer
que acolha alguém como esta criança por causa do nome de Cristo, isto é,
alguém que se converte e se torna como uma criança e continua a ser
humilde como esta criança, recebe a Cristo. “Qualquer, porém, que fizer
tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que
se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse
afogado na profundeza do mar” (v. 6). Essa palavra indica que fazer
alguém tropeçar é um problema maior do que sofrer e ser morto. Suponha
que alguém o matasse e atirasse seu corpo ao mar. Você nem mesmo seria
enterrado adequadamente, o que sem dúvida seria uma tragédia. No
entanto, se você fizer alguém tropeçar, seu destino será pior do que esse.
O versículo 7 diz: “Ai do mundo por causa dos tropeços; porque é
necessário que venham tropeços, mas ai do homem por quem vem o
tropeço.”
A GEENA DE FOGO NO REINO
Os versículos 1 a 7 de Mateus 18 são palavras gerais do Senhor, e
podemos mencioná-las de maneira breve. Queremos dar maior atenção às
palavras que iniciam o versículo 8. Aqui o Senhor Jesus estende o assunto
para dar ênfase que não apenas é errado fazer os outros tropeçarem, mas
até mesmo fazer tropeçar a si mesmo é questão séria e grave. O versículo 8
diz: “Se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o, e lança-o de ti”. A
quem se refere o “ti” aqui? Nos versículos 3 a 7, “vos” refere-se aos
discípulos que fizeram a pergunta no versículo 1. Após o Senhor Jesus
responder-lhes, Ele lhes disse para serem vigilantes e não serem tropeço
para os outros. As palavras do Senhor o versículo 8 são dirigidas às
mesmas pessoas. Se sua mão ou seu pé faz com que você tropece, é
melhor cortá-los e lançá-los fora. É claro que isso não deve ser tomado
literalmente. Se as suas mãos roubam e seus pés andam por caminhos
indevidos, isto é, se existe pecado e lascívia em você, você deve lidar com
eles. “Melhor te é entrar na vida aleijado ou coxo do que, tendo duas mãos
ou dois pés, ser lançado no fogo eterno” (v. 8).
O Senhor mostra-nos aqui que se os cristãos cometerem pecados e os
tolerarem, eles sofrerão: ou serão lançados no fogo eterno com as duas
mãos e os dois pés, ou entrarão na vida com uma mão ou um pé. Há
também os que não controlarão suas concupiscências e serão lançados no
fogo eterno. O fogo é um fogo eterno, mas aqui não diz que eles
permanecerão no fogo eterno para sempre. O que o Senhor Jesus não disse
é tão significativo quanto o que Ele disse. Se uma pessoa tornou-se cristã,
mas suas mãos ou pés pecam o tempo todo, ela sofrerá a punição do fogo
eterno na época do reino dos céus; ela não sofrerá essa punição
eternamente, mas apenas na era do reino.
Que significa cortar uma mão ou um pé? Quando um homem corta
sua mão ou pé, ele ainda pode pecar. Se não tiver pé, ele pode andar de
carro. Se uma de suas mãos é cortada, ele ainda pode pecar com a outra
mão. A intenção do Senhor não é que cortemos a mão ou o pé, pois
mesmo que cortemos uma mão, ainda podemos não remover nossa
lascívia. Portanto, esta palavra não deve referir-se ao corpo exterior, mas à
concupiscência interior. O que temos de arrancar é aquilo que nos força a
pecar.
Outra coisa que temos de perceber é que a pessoa da qual se fala
aqui é um cristão, pois somente um cristão já tem todo o corpo limpo e
pode assim entrar na vida após lidar com a lascívia em um único membro
do seu corpo. Para os incrédulos não seria suficiente cortar uma mão ou
um pé, porque mesmo que eles cortassem ambas as mãos e ambos os pés,
ainda assim iriam para o inferno. A fim de entrar no reino dos céus, é
melhor um cristão ter o corpo incompleto do que ir para o fogo eterno por
causa de um tratamento incompleto.
A seguir, o versículo 9 diz: “Se o teu olho te faz tropeçar, arranca-o e
lança-o fora de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho do que,
tendo dois olhos ser lançado na Geena de fogo”. Isso nos mostra que se
uma pessoa salva não lida com sua lascívia, ela não será capaz de entrar
na vida, mas irá para o fogo eterno. O fogo eterno aqui é a Geena de fogo.
A Bíblia nos mostra que um cristão tem a possibilidade de sofrer a Geena
de fogo. Evidentemente, embora possa sofrer a Geena de fogo, ele não
sofrerá para sempre, mas sofrerá somente durante a era do reino.
Mateus 18 não é a única porção das Escrituras que diz isso. Em
outras porções da Bíblia também há o mesmo ensinamento. Por exemplo,
no Sermão do Monte em Mateus 5—7 há palavras claras do mesmo tipo.
Mateus 5:21-22 diz: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e
quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo
aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem
disser a seu irmão: Raca, estará sujeito ao julgamento do Sinédrio; e quem
lhe disser: Moré, estará sujeito à Geena de fogo”. No início do capítulo
cinco, lemos que o Senhor Jesus viu a multidão, contudo Ele não ensinou à
multidão. Pelo contrário, Ele ensinou aos discípulos (v. 1). O Sermão no
Monte é para os discípulos. Portanto, aquele que insulta a outro, no
versículo 22, é um irmão. Ele chama outro irmão de “Raca”, que quer
dizer “imprestável” ou tolo. Quando chama seu irmão dessa forma, ele
fica sujeito à Geena de fogo. Isso não se refere a uma pessoa não-salva,
pois um não-salvo irá ao inferno mesmo que não chame ninguém de tolo.
Toda vez que a Bíblia fala sobre obras, ela se refere a alguém que pertence
a Deus. Se uma pessoa não pertence a Deus, não há necessidade de
mencionar tais coisas. Aqui, se trata de uma pessoa salva, um irmão, mas
por ter ofendido a seu irmão ele está sujeito à Geena de fogo.
O versículo 23 diz: “Se estiveres apresentando a tua oferta no altar e,
ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti”. Muitas
vezes as pessoas guardam coisas contra nós de propósito, e não há nada
que possamos fazer sobre isso; mas se alguém se queixar por causa do
nosso insulto, devemos ser cuidadosos ao trazer a oferta ao altar. Se
pensar mal de um irmão e falar algo contra ele, você deve ir a ele e lidar
com essa questão. “Deixa ali perante o altar a tua oferta e vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão; e, então, vem apresentar a tua oferta” (v. 24).
O importante é reconciliar-se com seu irmão. O versículo 25 diz: “Entra
em acordo sem demora com o teu adversário enquanto estás com ele a
caminho”. Seu irmão é quem se queixa, e você é o réu. Agora ele o está
levando ao tribunal: “Para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz
ao oficial de justiça, e sejas lançado à prisão” (v. 25). Tal fato ocorrerá no
reino. O reino será muito rigoroso.
Agora direi algumas palavras francas e sérias. Dois irmãos ou duas
irmãs que estejam em discórdia não podem estar juntas no reino. No reino
vindouro, haverá somente amor e misericórdia; apenas os que amam e
têm misericórdia dos outros poderão estar no reino dos céus. Se estou
envolvido em uma discussão com um irmão, e se a questão não for
resolvida nesta era, então, no futuro, ou ambos seremos excluídos do
reino, ou somente um de nós entrará. Não será possível ambos entrarmos.
É impossível termos problemas uns com os outros e ainda reinar ao
mesmo tempo no milênio futuramente. No reino todos os cristãos serão
unânimes. Não haverá absolutamente quaisquer barreiras entre duas
pessoas. Se hoje enquanto estamos na terra, tivermos algum atrito com
qualquer irmão ou irmã, se tivermos obstáculos com qualquer irmão ou
irmã, temos de ser cuidadosos. Poderá ocorrer de nós entrarmos e o outro
ser excluído, ou de o outro entrar e de nós sermos excluídos, ou de ambos
sermos excluídos. O Senhor diz que enquanto estiver com seu irmão a
caminho, você deve reconciliar-se com ele. Isso significa que enquanto
você e ele estiverem vivos e antes que o Senhor Jesus volte, você tem de
reconciliar-se com seu irmão. O Senhor não irá tolerar que dois inimigos
fiquem queixando-se um do outro no reino. Hoje podemos fazer queixas
sobre os outros com muita facilidade; mas tais queixas vão manter a nós,
ou a outros, ou a ambos, do lado de fora do reino. Parece que hoje a igreja
é muito livre, mas não será assim naquele dia. “Enquanto estás com ele a
caminho”, diz o Senhor. Se você morrer, se ele morrer ou se o Senhor Jesus
voltar, esse caminho terá acabado. Portanto, você deve resolver a questão
rapidamente, antes que o Senhor volte e enquanto você e ele estão a
caminho. “Para que o adversário não te entregue ao juiz”, o juiz é o
Senhor Jesus; “o juiz ao oficial de justiça”, o oficial de justiça é o anjo; “e
sejas recolhido à prisão”. Isso nos mostra claramente que um irmão que
tenha ofendido a outro irmão sofrerá uma punição muito severa.
Se estudar esta passagem cuidadosamente, você verá que a prisão
aqui é a Geena de fogo no versículo 22, porque o versículo 23 começa com
“portanto”. As palavras do versículo 23 em diante são uma explicação das
palavras do versículo 22. O versículo 22 diz que qualquer um que chame
seu irmão de Moré estará sujeito à Geena de fogo. Os versículos 23 a 25
seguem dizendo que aqueles que não se reconciliarem com seus irmãos
serão lançados na prisão. Portanto, a prisão no versículo 25 é
evidentemente a Geena de fogo do versículo 22. Está claro que não existe
possibilidade de um cristão perecer eternamente; contudo, se um cristão
tiver qualquer pecado de que não tenha se arrependido e confessado, o
qual não foi perdoado, ele estará sujeito à Geena de fogo. Note quão
severas são as palavras do Senhor no versículo 26: “Em verdade te digo:
De modo algum sairás dali, enquanto não pagares o último centavo”.
Existe a possibilidade de sair, se a pessoa pagar tudo. Na era vindoura,
ainda há a possibilidade de perdão, mas a pessoa não poderá sair até que
pague o último centavo e ponha tudo em ordem com seu irmão.
Os versículos 27 a 30 formam outra seção. Essa seção é semelhante à
anterior. “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que
todo aquele que olhar para uma mulher para cobiçar, no coração já
adulterou com ela”. O mandamento no Antigo Testamento diz que não
devemos cometer adultério, mas o mandamento do Novo Testamento diz
que não podemos sequer ter pensamentos adúlteros. Aqui, a palavra
“mulher”, na língua original, refere-se à esposa de outro homem. Se a
mulher não fosse esposa de outro homem, não haveria possibilidade de
adultério, pois adultério é a infidelidade no casamento. Se não for a
esposa de outro homem, não pode ser considerado como adultério; é
fornicação. A Bíblia julga a fornicação, mas não tanto quanto ela julga o
adultério. Aqui se diz que um pensamento adúltero é produzido com
relação à esposa de outro.
Segundo, o significado da palavra “olhar”, na língua original, não é
tão amplo quanto o da nossa palavra “olhar”. A palavra “olhar” na língua
original coloca muitas pessoas nesta categoria de pecado, pois ela não
implica um olhar casual, mas um olhar intencional. Olhar pode ser
simplesmente olhar de relance, de modo acidental para algo na rua.
“Observar” é uma palavra melhor, pois observar é um olhar intencional.
Além disso, na língua original o observar aqui é realizado com um
propósito específico. Podemos traduzir assim: “qualquer que observar
uma mulher com intenção impura”. O que o Senhor condena não são os
pensamentos repentinos que entram na mente. Ele está lidando é com
continuar observando com intenção impura, depois que um pensamento
repentino entra. Em outras palavras, nossos pecados não residem na
incitação da carne por Satanás dando-nos pensamentos sujos. Nossos
pecados consistem no observar adicional, após Satanás ter-nos dado um
pensamento repentino. Isso é adultério. Os pensamentos repentinos vêm
de Satanás. O observar vem de você mesmo. Os pensamentos repentinos
são tentações. O seu observar é a sua aceitação das tentações. Devemos
saber como distinguir essas duas coisas.
O versículo 29 diz: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e
lança-o de ti”. Se o seu olho direito leva-o a observar, arranque-o e jogue-o
fora. “Pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo
o teu corpo lançado na Geena”. Se a lascívia não for removida, se o pecado
não for tratado, a pessoa será “lançada na Geena”. Em seguida o versículo
30 diz: “E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois
te convém que se perca um dos teus membros e não vá todo o teu corpo
para a Geena”. O Senhor Jesus falou essas palavras aos discípulos. Cristo
disse àqueles que Lhe pertenciam, cuja justiça deveria exceder à dos
fariseus e escribas (v. 20), que eles tinham de tratar com seus pecados. Se
permitissem que o pecado se desenvolvesse neles, embora não fossem
perecer eternamente, havia a possibilidade de que fossem para a Geena.
Isso é o que o Senhor nos mostra no livro de Mateus.
Rm 5:22 Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;
Jd 1:4 Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.
5- Um cristão pode ser excluído do Reino ? Com certeza não
Rm 6:11 Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;
13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.
14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.
15 E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!
16 Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?
17 Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues;
18 e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
O Novo Nascimento Transforma: Quem vive na prática habitual do pecado não é um "salvo derrotado", mas alguém que ainda precisa de regeneração (1 João 3:9).
Dizer que um cristão genuinamente nascido de novo pode passar mil anos sofrendo em uma fornalha acesa não é apenas um erro de interpretação; é uma afronta direta ao sacrifício de Jesus Cristo. Popularizada sob o nome de "A Visão dos Vencedores", essa teologia sutilmente divide a Igreja entre uma elite espiritual de governantes e cristãos de segunda classe destinados a uma punição dispensacional nas "trevas exteriores".
Mas o que a Bíblia realmente diz? Neste artigo, vamos desarmar essa visão examinando a exegese bíblica dos textos que eles distorcem e reafirmando a segurança absoluta daqueles que foram justificados pela graça.
2- PONTOS BÁSICOS DA VISÃO DOS VENCEDORES
Ao ler Mateus 12, você percebe que o perdão de pecados está dividido em dois períodos. Alguns
pecados são perdoados nesta era, e outros serão perdoados na era vindoura. Algumas pessoas, por meio de disciplina, são perdoadas nesta era. Algumas pessoas podem não ter agido bem hoje, mas elas serão
perdoadas no reino. Algumas pessoas são perdoadas ao serem salvas, mas seus pecados subseqüentes não serão perdoados no reino; pelo contrário, elas serão severamente castigadas. Este é o ensinamento bíblico acerca da punição. A punição para o cristão nesta era está suficientemente clara. Alguns cristãos que pecam, cujos problemas não forem solucionados diante de Deus hoje, receberão punição no futuro.
2.1- Uma pessoa cristã, que nasceu de novo mesmo vivendo em pecado será salvo. A santificação pessoal não é necessária
2.2- Entrar no reino não é o mesmo que ser salvo. Pois o reino de Deus/Céus é apenas o galardão, a premiação.
Salvação vs. Reino: A salvação é um presente gratuito de Deus, obtido unicamente pela graça mediante a fé (sem obras), sendo a porta de entrada para a vida com Deus . Condição para salvação é legalismo
Papel das Obras: Enquanto a salvação não depende do que fazemos, o Reino está diretamente ligado às nossas obras e maturidade cristã após sermos salvos. O reino vem pelas obras.
Is 55:1
Apocalipse 22:17
Tt 3:5
Tt 3:5
Romanos 6:23
Efésios 2:8
Romanos 10:9
João 10:28
Apocalipse 2:23
Efésios 2:10: Somos feitura dele, criados para as boas obras
O reino dos céus (galardão) requer perseguição, santidade, boas obras
Mateus 5:10
Mateus 7:21
Apocalipse 22:12:
1 Coríntios 3:8:
Colossenses 3:23-24
2.3 Nem todos as pessoas são vencedores, tem o direito, mas não tomam posse. São legalmente vencedores, mas vivem uma vida de pecado, são escravos do pecado.
Rm 8:37
2.4 Deus castiga pessoas que vivem em pecado, mas são salvas.
2.5 Os que não reinam no milenio, sofreram um purgatório no mesmo
pecados são perdoados nesta era, e outros serão perdoados na era vindoura. Algumas pessoas, por meio de disciplina, são perdoadas nesta era. Algumas pessoas podem não ter agido bem hoje, mas elas serão
perdoadas no reino. Algumas pessoas são perdoadas ao serem salvas, mas seus pecados subseqüentes não serão perdoados no reino; pelo contrário, elas serão severamente castigadas. Este é o ensinamento bíblico acerca da punição. A punição para o cristão nesta era está suficientemente clara. Alguns cristãos que pecam, cujos problemas não forem solucionados diante de Deus hoje, receberão punição no futuro.
O REINO É O TEMPO DA PUNIÇÃO FUTURA
Exatamente quando ocorrerá a punição futura? Está claro que
haverá punição no futuro após o Senhor voltar; mas em que momento
após a volta do Senhor isso ocorrerá? Consideremos três eras na Bíblia. A
era presente pode ser chamada de era da graça. Ela pode também ser
chamada de era do evangelho ou era da igreja. A era vindoura pode ser
chamada de era do reino ou era do milênio, pois tal era durará somente
mil anos (Ap 20:6). Após aquela era, ainda há outra era, que é uma era
eterna. É a era do novo céu e nova terra.
A Bíblia apresenta-nos essas três eras. A era da igreja é a era da
graça, porque a graça e o amor de Deus são manifestados nela. Nesta era
Deus salva os injustos e leva o homem a receber a graça do Senhor Jesus.
Tudo nesta era é proveniente da graça, mas a era vindoura será a era de
justiça. A era eterna também será uma era de graça. Hoje a era é uma era
de graça, e a era do novo céu e nova terra também será uma era de graça.
Contudo, o reino é todo de justiça. Se você não tiver clareza sobre essas
eras, sua leitura da Bíblia, sua teologia e sua compreensão bíblica estarão
todas incorretas. Tanto a era da igreja quanto a era do novo céu e nova
terra são eras da graça. Mas, a era do milênio é uma era parentética,
especialmente preparada por Deus, para recompensar os fiéis e punir os
pecaminosos. Aquele período será um período especial.
Tanto o Novo como o Antigo Testamento nos dizem que, neste
período, Deus lida com o homem em justiça (Sl 72:2; 85:10-13; 96:13; 97:2;
Is 11:5; 26:9; 33:5; 62:1; Jr 33:15; Dn 7:27). Podemos citar pelo menos
duzentos versículos do Antigo e do Novo Testamento acerca do
julgamento justo no reino.
Qual é a diferença entre o reino e o novo céu e nova terra? A Bíblia
faz uma nítida distinção entre ambos. Consideremos Apocalipse 19:6-8:
“Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas
águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! pois reina o Senhor
nosso Deus, o Todo-poderoso”. Por favor, note que aqui é o início do
reino. “Alegremo-nos, exultemos, e demos-lhe a glória, porque são
chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois
lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o
linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”. Aqui lemos que o linho
finíssimo foi dado à noiva. Embora tenha sido dado, ele é de justiça. O
linho finíssimo é a justiça nos atos dos que crêem. Na língua original, a
justiça mencionada aqui se refere à justiça nas ações. A palavra justiça tem
o sentido de ações. Portanto, refere-se aos nossos próprios atos justos.
Agora leiamos Apocalipse 20:4-6: “Vi também tronos, e nestes
sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as
almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por
causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem
tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e
viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos
não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira
ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira
ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo
contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil
anos”.
Esses versículos nos dizem quem serão os reis que reinarão com
Cristo por mil anos. O reino não é para todos. O reino é apenas para os
mártires. É somente para os que rejeitam Satanás e o anticristo.
Unicamente esses podem reinar por mil anos. Portanto, apenas os mártires
podem reinar; somente aqueles que rejeitam Satanás e o anticristo serão
reis. Isso nos prova que o reino milenar não é dado como um dom
gratuito, mas é obtido por meio de boas obras diante de Deus. Apesar de
vermos em outras passagens outros tipos de pessoas reinando, em
Apocalipse vemos que deve haver justiça específica antes que possa haver
participação nas bodas do Cordeiro. Somente os que são mártires podem
ser reis. Sem ter a justiça específica e sem ser martirizado, nem um sequer
pode ter parte no reinado. Assim é o milênio.
ERA DO NOVO CÉU E NOVA TERRA
Consideremos agora Apocalipse 21:1-7: “Vi novo céu e nova terra,
pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi
também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de
Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então ouvi
grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os
homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo
estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não
existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras
coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço
novas todas as cousas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são
fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o
Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte
da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus e ele
me será filho”.
A descrição do reino em Apocalipse 19 e 20 é totalmente diferente
da descrição do novo céu e nova terra no capítulo 21. Ao descrever o
reino, a Bíblia fala acerca daquilo que o homem fez. Entretanto, ao
descrever o novo céu e nova terra, não há mais menção daquilo que o
homem fez. A partir do capítulo vinte e um, a Bíblia simplesmente fala
acerca daquilo que Deus faz. Deus disse que faz novas todas as coisas.
Deus disse que o primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não
existe. Todas estas coisas serão realizadas por Deus. O tabernáculo de
Deus estará com os homens. Ele habitará com os homens. Somos o Seu
povo; Deus mesmo habitará conosco e será nosso Deus. Ele enxugará
todas as nossas lágrimas, de maneira que não teremos mais morte,
tristeza, pranto ou dor, pois todas as coisas anteriores terão passado, e
todas as coisas serão novas. Deus disse que todas essas palavras são fiéis.
Ele disse que Ele é o Alfa e o Ômega. O homem não tem parte aqui. Esses
versículos prosseguem, dizendo-nos o que Deus tem feito. Não existe
condição ou exigência. Se você deseja saber como obter tal maravilhoso
novo céu e nova terra, apenas ouça esta palavra: “Disse-me ainda: Tudo
está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim” (v. 6a). Em outras
palavras, tudo é feito por Deus. “Eu, a quem tem sede, darei de graça da
fonte da água da vida” (v. 6b). Após todas estas coisas terem sido ditas,
tudo é resumido em uma sentença: “Eu, a quem tem sede darei de graça
da fonte da água da vida”. Desde que haja sede, desde que haja a
necessidade, Deus dará gratuitamente da fonte da água da vida. Isso é
graça. Graça é dar da fonte da água da vida gratuitamente. O novo céu e
nova terra são provenientes da graça. Deus é o Alfa e o Ômega, o início e o
fim. O novo céu e a nova terra são totalmente da parte Dele.
O versículo seguinte diz: “O vencedor herdará estas coisas”. Quem
são os vencedores a que João se refere? Os vencedores aqui diferem
daqueles nas cartas às sete igrejas no início de Apocalipse. Aqui, por meio
do uso do termo vencedores, uma distinção é feita entre as pessoas do
mundo e os cristãos. A distinção aqui não é entre um tipo de cristão e
outro tipo de cristão. Nos três primeiros capítulos de Apocalipse, vencer
está relacionado com cristãos em meio a outros cristãos. Mas, no capítulo
vinte e um, vencer relaciona-se a cristãos entre as pessoas do mundo.
Como podemos beber da água da vida? Por meio da fé. Aqueles que
crêem podem beber. Para que possamos beber de graça da água da vida,
precisamos crer. É a fé que nos capacita a vencer o mundo. Comparado às
pessoas do mundo, cada cristão é um vencedor. Entretanto, comparado a
outros cristãos, muitos cristãos são falhos. Com relação às pessoas do
mundo, todos somos vencedores, pois temos uma fé diante de Deus que
elas não têm. Os que vencem e os que bebem da água da vida herdarão
essas coisas, e Deus será o Deus deles, e eles serão filhos para Deus.
O capítulo vinte e dois também menciona o novo céu e nova terra.
Os versículos 1 a 5 dizem: “Então, me mostrou o rio da água da vida,
brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio
da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que
produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da
árvore são para a cura dos povos. Nunca mais haverá qualquer maldição.
Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão,
contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então, já não
haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol,
porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos
séculos”. A principal coisa na Nova Jerusalém é o rio da água da vida.
Esse rio procede do trono de Deus e do Cordeiro. Por ser o rio da vida, há
a árvore da vida, com seu fruto da vida crescendo. Em Apocalipse 22,
após tudo ter sido dito, uma coisa é proeminente, o rio da vida. Esse rio da
água da vida flui por toda a cidade. Como podemos desfrutar o rio da
água da vida? No final de Apocalipse, após o era do reino e a era da igreja
terminarem, o versículo 17 diz: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele
que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba
de graça a água da vida”. Em outras palavras, todos são bem-vindos no
novo céu e nova terra. No novo céu e nova terra há um trono, e do trono
sai um rio. O rio provém de Deus e tem o trono como sua fonte. O trono é
o centro do novo céu e nova terra.
Além disso, a palavra Cordeiro nunca é mencionada com relação ao
reino. Mas no novo céu e nova terra, o Cordeiro certamente é mencionado.
O trono é de Deus e do Cordeiro (22:1); o Senhor Deus Todo-poderoso e o
Cordeiro são o templo da cidade (21:22); e o Cordeiro é a lâmpada da
cidade (21:23). O fato de o Cordeiro ser mencionado com relação ao novo
céu e nova terra indica que aquela será uma era da graça. Quando
chegamos ao final de Apocalipse, a igreja, o reino, e a tribulação não são
mais mencionados. Em vez disso, descobrimos apenas que todos os que
estão sedentos podem vir e tomar de graça da água da vida. Isso significa
que você é convidado para o novo céu e nova terra. Tudo é gratuito. E, ser
gratuito significa que provém da graça. Portanto, o novo céu e nova terra
são totalmente distintos do reino. O novo céu e nova terra são
gratuitamente dados a nós. Segundo o ensinamento de Apocalipse,
podemos dizer que no novo céu e nova terra Deus lida com o homem
baseado na graça. No reino, entretanto, Ele lida com os cristãos com base
na justiça. Portanto, devemos admitir que é no reino que Deus nos
disciplina. No novo céu e nova terra tudo é recebido gratuitamente.
Nisso vemos a relação entre o presente e o futuro. Se hoje amarmos
o mundo, andarmos segundo a carne, e tivermos um viver desleixado, na
era por vir seremos disciplinados por Deus. Mas, se amarmos o Senhor
hoje e abandonarmos tudo por causa do Senhor, receberemos a graça de
Deus e o Seu galardão. Esse é o ensinamento bíblico acerca destas três
eras. Eu não sou responsável pelo que estou falando aqui. Estou falando
apenas a Palavra de Deus. A Palavra de Deus diz que na era vindoura
haverá essas coisas. Deus mesmo se responsabiliza pelas Suas próprias
palavras. Eu apenas sei que o Filho de Deus disse essas palavras. É
verdade que o homem pode desfrutar a vida eterna hoje. Mas o reino é o
tempo no qual Deus lidará com Seus filhos. Se você tiver um viver
desleixado hoje, será disciplinado no futuro. Portanto, temos uma
segurança eterna, mas também temos um perigo temporário. Temos a
garantia do novo céu e nova terra. Temos, entretanto, o perigo do reino.
No reino poderemos sofrer severa punição e disciplina. Embora a salvação
tenha sido estabelecida pela obra do Senhor Jesus, a recompensa será
decidida pela obra de cada um. A salvação vem pela obra do Senhor Jesus.
A recompensa vem pela nossa própria obra. Somos recompensados por
obedecer à vontade de Deus e por não andar segundo a nossa própria
vontade. Que possamos valorizar a graça que temos recebido, receber a
advertência de Deus e perseguir a recompensa do reino.
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Não devemos cometer o engano de pensar que por estarmos salvos
eternamente, podemos viver relaxadamente nesta terra. Ninguém pode
refutar o fato de que uma vez que uma pessoa é salva, ela é salva para
sempre. Isso é um fato. Se um cristão dá vazão às suas concupiscências,
comete pecados, cai em perversão e não tem a santidade de Deus, Deus
estenderá Sua mão e o disciplinará por meio de seu ambiente, sua família,
sua saúde e seus planos futuros. Ele poderá encontrar dificuldades na sua
família. Poderá experimentar muita doença e infortúnio em seu ambiente.
O propósito de Deus, ao permitir que essas coisas lhe sobrevenham, não é
puni-lo; elas não sobrevêm para causar-lhe dificuldades, mas para fazê-lo
participar da santidade de Deus e torná-lo merecedor da graça do Seu
chamamento. Essa é a compreensão adequada da salvação.
Ninguém deve dizer que, se um cristão não fizer o bem, Deus
negará que ele seja filho Seu e o expulsará como a um cachorro. Se alguém
disser isso, ou é cego quanto à obra da cruz de Cristo, ou pensa que a obra
de Cristo é uma questão muito leviana.
A Bíblia nos motra que a salvação é eterna. Ao mesmo tempo, a
Bíblia também nos mostra que existem punições seriíssimas entre os que
crêem. Se falharmos, haverá muita punição para nós. Deus quer que
participemos da Sua santidade. Nesta terra, Ele quer que vivamos como
filhos de Deus. Ele não quer intimidar-nos com o inferno para que
busquemos a santidade. Ser salvo é algo totalmente da graça, mas Deus
tem Sua maneira de conduzir-nos para a Sua santidade. Ele faz com que
nos deparemos com muitas coisas em nossas famílias, em nosso corpo, em
nossa carreira e em nosso ambiente, a fim de que nos voltemos a Ele. Esse
é o propósito da disciplina.
Ananias e Safira eram cristãos; eles eram salvos. Eles cometeram o
pecado de mentir ao Espírito, e receberam uma disciplina muito severa
(At 5:1-10). Em certa época, eu achava que talvez Ananias e Safira não
fossem salvos. Lendo a Bíblia cuidadosamente, deve-se reconhecer que
eles eram salvos porque estavam com os discípulos na época do
Pentecoste. Além disso, eles também fizeram uma oferta. Eles apenas
buscaram alguma vanglória. Os pecados deles não foram tão graves como
se possa pensar. Eles não se embebedaram nem cometeram fornicação. O
fato de serem rapidamente tirados do mundo prova que eram cristãos. Se
fossem pessoas do mundo, provavelmente tivessem vivido muito mais. O
fato de terem sido rapidamente removidos do mundo prova que eles eram
nossos irmãos.
Os cristãos coríntios não respeitavam a reunião da mesa do Senhor.
Eles não respeitavam o Corpo do Senhor, e tratavam a ceia do Senhor
levianamente. Quais foram os resultados de tais coisas? Paulo diz em 1
Coríntios 11:29-30: “Pois quem come e bebe, sem discernir o corpo, come e
bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e
doentes, e não poucos que dormem”. A mão disciplinadora de Deus torna
as pessoas doentes e fracas, e até mesmo as faz morrer. Deus as tratou
dessa maneira porque elas trataram o Corpo do Senhor levianamente. Elas
não viram a morte do Senhor nem a obra de Cristo, e não viram o Corpo
de Cristo. Elas não viram o respeito que deviam ter com o Senhor Jesus, e
não viram seu posicionamento adequado no Corpo de Cristo. Isso
resultou em fraqueza, doença e até morte. Após terem pecado, Deus as
disciplinou.
O versículo 32 diz: “Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo
Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. Há um objetivo na
disciplina de Deus. Ela visa salvar-nos da condenação no futuro. Deus nos
disciplina para que não caiamos na condenação que o mundo receberá.
Em outras palavras, a disciplina prova que somos salvos. A disciplina
preserva nossa salvação. A maneira como Deus faz as coisas e a nossa
maneira são totalmente diferentes. Nós achamos que se dissermos às
pessoas que elas estão salvas, elas se tornarão levianas e sem restrição.
Deus não é assim. Ele proclama claramente, absolutamente e sem
limitação para todos os que crêem Nele que todo aquele que crê tem a
vida eterna e não perecerá. Contudo, Ele tem a Sua maneira de guardarnos
de pecar e de guardar-nos de ser cristãos libertinos e frouxos. Sua
disciplina é um subtitutivo de sermos condenados. O homem pode achar
que a condenação é o melhor método de guardar-nos de pecar, mas Deus
não utiliza a maneira da condenação. Em vez disso, Ele usa a maneira da
disciplina. É muito evidente que Deus separa os cristãos das pessoas do
mundo pela disciplina. As questões da disciplina e salvação devem ser
claramente diferenciadas. A disciplina é exercida somente para o presente
e nada tem que ver com nossa salvação eterna.
Há um bom exemplo em 1 Coríntios que mostra que a disciplina
para um cristão é prova de que ele é salvo. Mesmo que um cristão tenha
cometido um pecado muito grave, ele ainda é salvo. A Primeira Epístola
aos Coríntios, capítulo cinco, fala acerca de um cristão que cometeu
adultério. Tal ato de adultério com a madrasta não era encontrado nem
mesmo entre os incrédulos. Os que têm clareza sobre a lei de Moisés
diriam que esta pessoa certamente perecerá e irá para o inferno. Mas
surpreendentemente, 1 Coríntios mostra-nos claramente que aqui está
alguém que cometeu grave e desprezível pecado; é um pecado que não é
cometido por pessoas comuns. Paulo diz que com o poder do Senhor
Jesus, ele entregou tal pessoa a Satanás para a destruição da carne, para
permitir que Satanás mostrasse seu poder sobre o corpo dele, podendo
levá-lo a ficar fraco, doente e até mesmo morrer. O propósito de Paulo ao
fazer isso era que essa pessoa pudesse ser salva no dia do Senhor.
Disciplina é algo para esta vida. Ela absolutamente não está relacionada
com a salvação na eternidade. Se dependesse de nós, diríamos: “Está
acabado. Embora essa pessoa tenha sido salva, certamente ela perecerá
novamente por ter cometido um pecado tão grosseiro”. Entretanto, Paulo
diz que essa pessoa não perecerá mesmo que tenha cometido tal pecado.
Uma pessoa salva pode, temporariamente, receber disciplina, mas não
pode ser punida com a perdição eterna. Esse é o ensinamento de Paulo.
Um cristão pode ter disciplina temporária nesta era, mas não pode perecer
eternamente. Podemos precisar de disciplina, mas ainda estaremos salvos
na eternidade. Paulo fez, muitas vezes, uma distinção clara entre estas
duas coisas no Novo Testamento. A destruição mencionada aqui e o
dormir mencionado anteriormente referem-se somente ao corpo; não se
referem ao espírito. As questões do espírito e da salvação eterna já foram
decididas quando cremos no Senhor.
Algumas pessoas têm dificuldade com 1 João 5:16, onde diz que não
devemos rogar por alguém que comete pecado para morte. Tais pessoas
têm dificuldade porque não entendem a Palavra de Deus. Elas acham que
pecar para morte como fala aqui significa perdição. Na verdade, não existe
semelhante coisa. A Primeira Epístola de João 5:16 fala-nos de algumas
pessoas que pecaram a tal ponto que Deus teria de fazê-las morrer e a
carne delas teria de ser removida do mundo. A morte mencionada em 1
Coríntios 11, a destruição em 1 Coríntios 5, e as mortes de Ananias e Safira
são todas mortes da carne e nada têm a ver com a morte do espírito. A
disciplina está totalmente relacionada com o corpo. Portanto, na Bíblia,
muitos lugares que parecem dizer que os cristãos podem perecer, na
verdade, estão falando sobre disciplina....
RECOMPENSA E DOM
Agora veremos a terceira diferença — a diferença entre recompensa
e dom; em outras palavras, a diferença entre o reino e a vida eterna. Hoje,
existem muitos cristãos na igreja que não conseguem fazer distinção entre
o reino dos céus e a vida eterna. Eles pensam que o reino dos céus é a vida
eterna e que a vida eterna é simplesmente o reino dos céus. Eles
confundem a Palavra de Deus, achando que a condição para receber o
reino é a condição para a conservação da vida eterna. Eles acham que
perder o reino é perder a vida eterna. Entretanto, a distinção entre os dois
é muito clara na Bíblia. Uma pessoa pode perder o reino dos céus, mas ela
não perderá a vida eterna. Ela pode perder a recompensa, contudo não
perderá o dom.
Então que é a recompensa, e que é o dom? Nós fomos salvos por
causa do dom. Deus nos deu o dom gratuitamente pela Sua graça;
portanto, fomos salvos. A recompensa diz respeito ao relacionamento
entre nós e o Espírito Santo após sermos salvos. Quando fomos salvos
passamos a nos relacionar com Cristo. Esse relacionamento permite-nos
obter o presente que somos totalmente indignos de receber. Da mesma
forma, após termos sido salvos, temos um relacionamento com o Espírito
Santo. Esse relacionamento permite-nos obter a recompensa que de outra
forma jamais obteríamos por nós mesmos. Se alguém crê no Senhor Jesus
como Salvador, aceitando-O como vida, ele é salvo diante de Deus. Após
ser salva, Deus imediatamente coloca essa pessoa num caminho de modo
que ela corra a carreira e obtenha a recompensa que está diante dela. Um
cristão é salvo por causa do Senhor Jesus. Após ser salvo, ele deve
manifestar a vitória de Cristo pelo Espírito Santo dia a dia. Se fizer isso,
então, no fim da carreira, ele obterá a glória celestial e a recompensa
celestial de Deus.
Portanto, a salvação é o primeiro passo deste caminho, e a
recompensa é o último passo. Somente os salvos estão qualificados para
obter a recompensa. Os não-salvos estão desqualificados para isso. Deus
nos deu duas coisas em vez de uma. Deus coloca o presente diante das
pessoas do mundo e coloca a recompensa diante dos cristãos. Quando
alguém crê em Cristo, recebe o presente. Quando alguém segue a Cristo,
recebe a recompensa. O presente é obtido por meio da fé, e é para as
pessoas do mundo. A recompensa é obtida por meio da fidelidade e das
boas obras, e é para os cristãos.
Há um grande engano nas igrejas hoje. O homem pensa que a
salvação é a única coisa e que não há nada além de ser salvo. Ele considera
o reino dos céus e a vida eterna como se fossem a mesma coisa. Ele pensa
que uma vez que alguém é salvo quando crê, não tem de se preocupar
com as obras. A Bíblia faz distinção entre a parte de Deus e a parte do
homem. Uma parte é a salvação dada por Deus, e a outra parte é a glória
do reino milenar. Ser salvo não tem absolutamente nada a ver com as
obras da pessoa. Assim que uma pessoa crê no Senhor Jesus, ela é salva.
Mas, após sua salvação, Deus imediatamente coloca a segunda coisa
diante dela, dizendo-lhe que além da salvação existe para ela uma
recompensa, uma glória vindoura, uma coroa e um trono. Deus coloca Seu
trono, coroa, glória e recompensa diante dos cristãos. Se uma pessoa for
fiel, obtê-los-á; se for infiel, perdê-los-á.
Portanto, não dizemos que as boas obras sejam inúteis. Entretanto,
dizemos, sim, que as boas obras são inúteis no que se refere à salvação. O
homem não pode ser salvo pelas suas boas obras, tampouco pode ser
impedido de receber a salvação pelas suas más obras. As boas obras são
úteis quanto às questões da recompensa, da coroa, da glória e do trono. As
boas obras são inúteis quanto à questão da salvação. Deus não pode
permitir que o homem seja salvo pelas suas obras; Ele também não
permitirá que o homem seja recompensado pela sua fé. Deus não pode
permitir que o homem pereça devido às suas obras más. Deus só pode
decidir sobre a salvação ou perdição do homem por meio de ele crer, ou
não, no Seu Filho. Da mesma forma, Deus não pode decidir que o homem
receba a Sua glória por meio de ele crer ou não no Seu Filho. Se você tem
ou não tem Seu Filho em si, determina a questão da vida eterna ou
perdição. Se você tem ou não tem boas obras diante de Deus, determina a
questão de receber a recompensa e a glória. Em outras palavras, Deus
nunca salvará uma pessoa por ela ter méritos, e Ele nunca recompensará
alguém que não tenha mérito. Se alguém tem méritos, Deus não o salvará
por essa razão. Por outro lado, Deus nunca recompensará alguém que não
tenha mérito. O homem deve vir diante de Deus totalmente carente e sem
méritos, para que Ele o salve. Contudo, após a salvação, temos de ser fiéis,
e temos de esforçar-nos para produzir boas obras por meio de Seu Filho
Jesus Cristo, a fim de obtermos a recompensa.
Por favor, não pense que as boas obras sejam inúteis. Estamos
dizendo que as boas obras são inúteis no tocante à salvação. Elas nada têm
a ver com a salvação, de forma alguma. A salvação depende de você se
arrepender ou não da sua posição anterior. Ela depende de você se
lamentar do seu passado, para crer na Sua obra na cruz e na Sua
ressurreição como prova da sua justificação. Esse é o ponto crucial de
todos os problemas. A questão de obras está relacionada com a
recompensa. As obras são úteis, mas somente no tocante à recompensa.
O problema de hoje é que as pessoas não fazem distinção entre a
salvação e o reino. Na Bíblia, há uma distinção clara entre a salvação e o
reino, e entre o dom e a recompensa. Devido às pessoas não diferenciarem
esses assuntos, a questão da salvação é mal compreendida, e a questão da
recompensa também é mal compreendida. Deus jamais colocou a questão
da recompensa diante dos não-salvos. Deus somente quer que os nãosalvos
obtenham a salvação. Entretanto, após a salvação, Deus coloca a
recompensa diante dos salvos, para que eles se esforcem, persigam e
corram atrás da recompensa. A salvação não é o último passo da
experiência cristã. Pelo contrário, a salvação é o primeiro passo. Após
termos sido salvos, temos de correr e perseguir a recompensa diante de
nós. O problema é que pensamos que nossa salvação é nossa recompensa.
Os pecadores pensam que ser salvo é obter a recompensa, e assim eles
confiam em suas obras. Os cristãos acham que a glória é simplesmente a
graça, e assim tornam-se néscios em seu viver. Por favor, apliquem as
obras somente à recompensa, e a graça à salvação.
Por meio da salvação, Deus separa os salvos dos não-salvos; Ele
separa os que têm a vida eterna dos que estão condenados. De igual
modo, Deus também separa Seus filhos em dois grupos por meio de Sua
recompensa. Assim como a salvação separa as pessoas do mundo, da
mesma forma, a recompensa também faz separação entre os filhos de
Deus. Deus separa Seus filhos em obedientes e desobedientes. Para com as
pessoas do mundo, a questão é ter fé ou não ter fé. Para com os cristãos, a
questão é ser fiel ou não ser fiel. Para com as pessoas do mundo, é uma
questão de ser salvo ou não ser salvo. Para com os cristãos, é uma questão
de ter ou não ter a recompensa. O problema de hoje com os filhos de Deus
é que eles exaltam demais a salvação; tudo o que vêem é simplesmente a
salvação. Eles acham que somente quando cuidarem da sua obra é que
poderão ser salvos. Como resultado, eles não têm mais tempo para
perseguir a recompensa. Se alguém não passou pelo primeiro portão, não
pode passar pelo segundo. Que Deus seja misericordioso conosco, para
que compreendamos que a questão da salvação já está resolvida. Ela não
pode mais ser abalada, pois já foi cumprida pelo Senhor Jesus. Ela está
totalmente concretizada. Hoje, devemos empenhar-nos é com a
recompensa diante de nós. Haverá uma grande diferenciação no reino:
alguns terão glória, e outros não terão glória.
Agora precisamos ver sobre que base a recompensa é dada. A
Palavra de Deus diz que a recompensa é dada por causa da obra. Assim
como a Bíblia diz claramente que a salvação é pela fé, da mesma forma a
Bíblia diz claramente que a recompensa é pela obra. A Bíblia revela-nos
que a salvação é pela fé dos pecadores, e a recompensa é pela obra dos
cristãos. A fé está relacionada com a salvação; isso está mais do que claro.
A obra está relacionada com a recompensa; isso também está mais do que
claro. Ninguém deve confundir as duas coisas.
Romanos 4:4 diz: “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado
como favor, e, sim como dívida”. Dar uma recompensa a alguém que
trabalha não é graça, mas é dívida. Em outras palavras, como alguém
pode obter uma recompensa? A recompensa vem pelas obras, e não pela
graça.
Apocalipse 2:23 diz: “Matarei os seus filhos, e todas as igrejas
conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a
cada um, segundo as vossas obras”. Esse versículo diz que o Senhor fará
todas as igrejas conhecerem que Ele é Aquele que sonda as mentes e os
corações, e dará a cada um segundo as suas obras. Em outras palavras, Ele
recompensará cada um segundo as suas obras. Como Ele recompensa ou
retribui? É de acordo com nossa obra. É claro que essa obra não é nossa
própria obra. Nós apenas lavamos nossas vestes no sangue para ficarem
brancas. Quando o Espírito Santo vive Cristo em nós, temos as obras de
um cristão. Alguns viverão Cristo, e outros não viverão Cristo. Todo o
capital provém de Cristo. Todo poder também origina-se de Cristo. Mas
alguns deixarão o Senhor trabalhar no seu interior, e outros não. Portanto,
esse versículo nos mostra claramente a questão da recompensa. A questão
da recompensa depende de um cristão ser digno ou não. Hoje, Deus não
salva uma pessoa por ela ser digna, e, no futuro, Deus não recompensará
um cristão que seja indigno.
A Primeira Epístola aos Coríntios 3:14 diz: “Se permanecer a obra de
alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão”. Aqui
diz que se a sua obra permanecer, essa pessoa será recompensada. Não
diz que se a sua fé permanecer, essa pessoa será recompensada. A questão
da recompensa depende da obra da pessoa. A Bíblia distingue claramente
salvação de galardão. Ela nunca confunde salvação e galardão, e nunca
confunde fé com obras. Sem a fé, o homem não pode ser salvo. Sem as
boas obras, o homem não pode ser recompensado. As obras de alguém
devem resistir diante do trono do julgamento e sobreviver ao exame
minucioso dos olhos flamejantes, antes que haja a possibilidade de receber
galardão.
Lucas 6:35 diz: “Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e
emprestai, nada esperando em troca; e será grande o vosso galardão”. A
recompensa é inteiramente devida à obra de alguém. Emprestar dinheiro
a alguém sem esperar ser pago é sua obra, e amar seu inimigo é sua obra.
Você tem de fazer isso para obter a recompensa. Nenhuma passagem da
Bíblia menciona que alguém tenha de amar seus inimigos e fazer o bem
para que possa receber a vida eterna. Tampouco existe qualquer versículo
que diga que alguém tenha de emprestar aos outros para que possa ser
salvo, ou que tenha de emprestar aos outros para que possa evitar a
perdição. Mas existe o versículo que diz que se você emprestar aos outros
e fizer o bem aos outros, a sua recompensa no céu será grande. A
recompensa é proveniente da obra, e não da fé. A fé pode salvá-lo, mas a
fé não pode ajudá-lo a obter a recompensa.
A Segunda Epístola a Timóteo 4:14 diz: “Alexandre, o latoeiro,
causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas
obras”. Aqui é citado um exemplo. Um cristão estava tentando prejudicar
Paulo; ele tinha pecado contra Paulo. A pessoa mencionada aqui era um
cristão. Ele não era uma pessoa do mundo. No futuro, os cristãos serão
recompensados diante de Deus segundo as suas obras.
A RECOMPENSA É O REINO DOS CÉUS
Prossigamos. Muitas pessoas sabem que existe diferença entre
salvação e recompensa. Contudo, há várias pessoas que não vêem o que é
recompensa. Na Bíblia, as palavras faladas quer pelo Senhor Jesus, quer
pelos apóstolos, acerca da recompensa e do reino, não foram faladas
levianamente, da mesma forma que também não se falou assim acerca de
dom e vida eterna. Quando o Senhor Jesus diz no Evangelho de João que
Ele dá a vida eterna para as Suas ovelhas, Ele está falando a realidade e
não algumas palavras vazias (João 10:28). Romanos 6 diz que o dom de
Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor (v. 23). Está muito
evidente que o dom de Deus é a vida eterna. Então, que é a recompensa?
A Bíblia mostra-nos claramente que a recompensa é a coroa, o trono e o
reino dos céus. O reino dos céus é a recompensa. Na Bíblia, existem três
aspectos para o reino dos céus. No primeiro aspecto, o reino dos céus é a
manifestação exterior da autoridade de Deus hoje; é a manifestação
exterior da soberania de Deus. A Bíblia chama isso de reino dos céus. O
segundo aspecto é a autoridade dos céus controlando e limitando o
homem. Isso também é chamado de reino dos céus. Entretanto, há um
terceiro aspecto do reino dos céus, que se refere à recompensa.
O sermão do Senhor no monte, em Mateus 5 a 7, fala do reino dos
céus. Estes ensinamentos do Senhor dizem-nos como o homem pode
entrar no reino dos céus. Mateus 5 a 7 fala repetidamente sobre a questão
da recompensa. Percebemos muito claramente que as palavras “o reino
dos céus” e a palavra “recompensa” são encontradas juntas várias vezes.
Muitos estão familiarizados com as bem-aventuranças. Os chineses
chamam-nas de oito bênçãos. Na verdade, existem nove bênçãos nas bemaventuranças1:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o
reino dos céus; bem-aventurados os que choram, porque serão
consolados; bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra; bemaventurados
os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos; bemaventurados
os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia; bemaventurados
os puros de coração, porque verão a Deus; bem-aventurados
os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus; e também, bemaventurados
os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino
dos céus. O reino dos céus é mencionado duas vezes nessas poucas bemaventuranças.
No final o Senhor diz: “Bem-aventurados sois quando, por
Minha causa, vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo
mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão
nos céus”
(Mt 5:11-12). Aqui, devemos admitir que a recompensa é o reino dos
céus. O Senhor começa dizendo que tais e tais pessoas são bemaventuradas,
porque o reino dos céus é delas. No final Ele diz que essas
pessoas são bem-aventuradas, porque a recompensa delas é grande nos
céus. Essas sentenças semelhantes mostram-nos que o reino dos céus é a
recompensa de Deus. Não há diferença entre os dois.
No sermão do monte, o Senhor mencionou a questão da recompensa
muitas vezes, pois tal sermão diz respeito ao reino. Mateus 5:46 diz:
“Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes?” Mateus
6:1-2 diz: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com
o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de
vosso Pai que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não toques
trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas,
para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo: Eles já
receberam por completo a sua recompensa”. O versículo 5 diz: “E, quando
orardes, não sereis como os hipócritas. Eles já receberam a recompensa”.
O versículo 16 diz: “Quando jejuardes, não vos mostreis sombrios como os
hipócritas. (...) Eles já receberam por completo a sua recompensa”. O
versículo 4 diz: “Para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai que vê
em secreto, te recompensará”. O versículo 6 diz: “Tu, porém, quando
orares, entra no teu aposento íntimo, e, fechada a porta, ora a teu Pai, que
está em secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará”. A parte
final do versículo 18 diz: “E teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.
Todo leitor da Bíblia concorda que o assunto principal do sermão no
monte em Mateus 5 a 7 é o reino dos céus. Mas aqui, a questão da
recompensa é também mencionada repetidas vezes, porque o reino dos
céus é a recompensa.
Mateus 16:27-28 diz: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória
de Seu Pai, com os Seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme as
suas obras”. Deus recompensará ou punirá uma pessoa salva de acordo
com as suas obras. “Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se
encontram, que de maneira nenhuma provarão a morte até que vejam vir
o Filho do Homem no Seu reino”. Há três fatos aqui. Primeiro, o homem
será recompensado de acordo com suas obras. A questão da recompensa é
inteiramente baseada nas obras. Segundo, em que momento a recompensa
será distribuída? Ela será conhecida quando Cristo vier na glória de Seu
Pai com Seus anjos. Quando Cristo vier na glória de Seu Pai com Seus
anjos, aquele será o tempo em que Ele estabelecerá Seu reino sobre a terra.
Portanto, somente quando o reino se iniciar é que a recompensa se
iniciará. Terceiro, aqui está um tipo que fala sobre um fato. A
transfiguração do Senhor no monte tipifica Sua manifestação em glória no
reino vindouro. Naquela ocasião alguns cristãos serão recompensados.
Os versículos em Mateus 6 que acabamos de ler sobre dar, orar e
jejuar, todos envolvem recompensa. Alguns pensam que a recompensa de
orar é a resposta de Deus à nossa oração. Entretanto, esse não é o
significado completo. O Senhor Jesus disse que devemos orar ao Pai que
está em secreto, e nosso Pai que vê em secreto nos recompensará. É
possível interpretar isso como o Pai respondendo à nossa oração.
Contudo, tanto na primeira parte quando o Senhor menciona o dar
esmolas, quanto na segunda parte quando menciona o jejum, Ele diz: “E
teu Pai que vê em secreto te recompensará”. Essa recompensa deve
referir-se a algo no futuro. Além disso, o Senhor disse que devemos orar
ao Pai que vê em secreto. Não diz que o Pai ouve em secreto, mas Ele vê
em secreto. Quando Deus der a recompensa no futuro, Ele dará de acordo
com o que Ele vê. Deus vê com Seus olhos. Portanto, a recompensa é no
futuro.
Apocalipse 11:15 diz: “O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no
céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor
e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos”. O versículo 18
diz: “Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o
tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão
aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, assim
aos pequenos como aos grandes”. Esse versículo mostra-nos claramente
que quando o Senhor tornar-se o Rei e o reino do mundo tornar-se o reino
de nosso Senhor e do Seu Cristo, será tempo de dar a recompensa aos
santos, aos pequenos e aos grandes. Em outras palavras, o tempo do reino
é o tempo da recompensa. Quando o reino vier, a recompensa virá
também.
Há um ponto adicional. A recompensa é a obtenção da coroa e a
obtenção do trono. Certa vez um missionário ocidental disse-me: “Se não
posso ter a coroa, pelo menos posso ter o reino”. Você pode perguntar ao
rei Eduardo da Inglaterra2: se ele perder sua coroa, ainda terá o reino?
Que é uma coroa? Não é simplesmente um chapéu esculpido em ouro e
enfeitado com diamantes. Esse tipo de coroa pode ser obtido com certa
quantia de dinheiro. Que é uma coroa? Uma coroa representa uma
posição no reino. Ela também representa glória no reino. Se uma coroa for
apenas um objeto, ela não significa muito. Se alguém tiver dinheiro, pode
fazer uma de ouro. Se não tiver dinheiro, pode fazer uma de bronze ou de
ferro. Mesmo se alguém for muito pobre, ele poderá confeccionar uma
coroa de pano. No futuro, a questão não será de uma coroa ser maior do
que a outra em tamanho, ou de uma ter mais diamantes do que a outra.
Uma coroa representa algo. Quando alguém perde a coroa, perde o que a
coroa representa. Temos de ver que a coroa é o símbolo do reino.
Que é o trono? A Bíblia mostra-nos que os doze apóstolos sentar-seão
em doze tronos. A coroa é uma recompensa para os vencedores, e o
trono também é uma recompensa para os vencedores. Portanto, o trono
também é um símbolo do reino. Ele representa posição no reino,
autoridade no reino e glória no reino. Não existe algo como perder a
coroa, mas ainda ter o reino. Semelhantemente, ninguém pode perder o
trono e ainda ter o reino. Se alguém perder o trono, também perderá o
reino. Assim também, se alguém perder a coroa, perderá o reino. O trono
e a coroa não são importantes em si mesmos; eles existem apenas para
representar o reino. Em outras palavras, a recompensa é o reino. A Bíblia
mostra-nos claramente que a recompensa é simplesmente o reino.
JULGAMENTO NO TRONO DE JULGAMENTO DE CRISTO
Como Deus nos dará a recompensa? A época de sermos
recompensados é quando Cristo vier novamente para executar o
julgamento. Pedro nos diz que o julgamento começa pela casa de Deus.
No futuro, antes de julgar as pessoas no mundo, Deus julgará
primeiramente os cristãos. Em relação a que Deus nos julgará? Ele não nos
julgará para salvação ou perdição eternas; esse julgamento foi realizado na
cruz. Todos os nossos pecados foram julgados na cruz, e o problema da
perdição eterna foi resolvido. Contudo, nós, cristãos, seremos julgados no
futuro. Tal julgamento determinará se teremos ou não participação no
reino. Para alguns, não só não haverá participação no reino, como haverá
punição. Naquela ocasião, Cristo estabelecerá o trono de julgamento e
julgará os Seus cristãos naquele trono de julgamento.
Vamos ler dois versículos que esclarecem ainda mais esta questão. A
Segunda Epístola aos Coríntios 5:10 diz: “Porque é necessário que todos
nós sejamos manifestados diante do tribunal de Cristo, para que cada um
receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o
mal” (IBB - Rev.). Cada um de nós que cremos no Senhor seremos
manifestados diante do trono do julgamento. A palavra “trono do
julgamento” é bema no original grego. Significa uma plataforma erguida.
Bema é o lugar onde são decididas as questões em família. Esse versículo
diz que devemos todos ser manifestados diante do trono do julgamento
para cada um ser recompensado de acordo com o que praticou. Salvação
eterna ou morte eterna é uma questão do crer. Mas o julgamento de um
cristão é segundo o que ele praticou, se o bem ou o mal. Isso é o
julgamento diante do trono do julgamento.
Com relação ao reino, existem umas poucas coisas que precisamos
saber. Se alguém pode ou não entrar no reino é uma coisa. Mesmo se
alguém puder entrar no reino, haverá uma diferença de posição no reino.
Se alguém não puder entrar no reino, irá para as trevas exteriores, ou seja,
será castigado. Portanto, após termos crido no Senhor, embora nossa boa
obra não possa salvar-nos, ela determinará nossa posição no reino. Graças
a Deus que a questão da nossa vida eterna ou morte eterna foi decidida,
mas ainda seremos julgados diante do trono do julgamento de Cristo. Esse
julgamento não é para determinar nossa vida ou morte eternas. É para
determinar nossa posição no reino.
Existem muitos outros versículos na Bíblia que nos mostram que os
cristãos serão julgados pelo Senhor Jesus diante do trono do julgamento
de Cristo. Entre esses versículos, 1 Coríntios 3 mostra-nos muito
claramente como seremos julgados pelo Senhor diante do trono do
julgamento. A Primeira Epístola aos Coríntios 3:8 diz: “Ora, o que planta e
o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu
próprio trabalho”. O assunto aqui é como cada um será recompensado
segundo o seu próprio trabalho. O versículo 10 diz: “Segundo a graça de
Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e
outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica”. O fundamento
é Jesus Cristo. O próprio trabalho de cada um é a maneira de cada um
edificar. A maneira de edificarmos é determinada pelo material que
utilizamos. Os versículos 12 a 15 dizem: “Contudo, se o que alguém
edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno,
palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará,
porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o
próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o
fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se
queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que
através do fogo”. Essa passagem mostra-nos que cada um que está
edificando sobre esse fundamento é salvo. A obra que alguns edificam
sobre o fundamento permanecerá, e eles serão recompensados. A obra de
alguns não permanecerá, e será consumida pelo fogo. Eles sofrerão perda,
muito embora ainda estarão salvos. Lembremo-nos de que ainda há um
julgamento diante de nós. Esse julgamento não determinará se
pereceremos ou não, mas determinará se receberemos ou não uma
recompensa.
Capí tulo Vint e e Um
A MANEIRA de Deus LIDAR com os
Pecados dos Cristãos — Qualificações
para entrar no Reino DOS CÉUS
Deixamos claro que o reino é o tempo em que Deus recompensará
os cristãos conforme as suas obras. No reino, os cristãos fiéis serão
recompensados e os infiéis serão punidos. Muitas pessoas pensam que se
um cristão for infiel, mesmo que tenha de ocupar uma posição inferior,
ele, contudo, estará dentro do reino. Muitos que não compreendem a
Palavra de Deus e a obra de Deus, pensam que lhes está garantida a
entrada no reino dos céus. Eles acham que, quando o Senhor Jesus vier
para reinar, haverá simplesmente uma distinção entre as mais altas e as
mais baixas posições no reino; que ninguém perderá totalmente o reino
dos céus. Entretanto, no reino dos céus, haverá não só distinção entre as
posições mais altas e mais baixas, como também haverá distinção entre ter
entrada permitida e ser deixado de fora. A Bíblia mostra-nos que há uma
nítida diferença entre dez cidades e cinco cidades, entre uma coroa grande
e uma pequena, e entre a glória maior e a menor. Como uma estrela difere
de outra, assim também serão diferentes as posições no reino. Não só
haverá diferença entre as mais baixas e as mais altas posições no reino,
como haverá também distinção de estar qualificado ou não para entrar.
FAZER A VONTADE DO PAI
A Bíblia revela-nos uma verdade muito séria. Apesar de uma pessoa
ter a vida eterna, ela ainda pode ser rejeitada para o reino dos céus.
Mateus 7:21 é um versículo que fala disso: “Nem todo o que Me diz:
Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade
de Meu Pai, que está nos céus”. Nesse versículo, todas as pessoas se
dirigem ao Senhor como “Senhor”. O Senhor fará uma distinção entre os
discípulos que podem entrar no reino dos céus e os que não podem. O
Senhor mostra-nos claramente, aqui, que a condição para entrar no reino
dos céus é fazer a vontade de Deus. Embora alguns tenham sido salvos e
tenham-No chamado de Senhor, e realizado algumas obras, todavia, sem
fazer a vontade de Deus, eles não podem entrar no reino dos céus. A
recompensa do reino dos céus tem por base a obediência do homem.
Quem não for fiel enquanto viver na terra, não perderá a vida eterna, mas
perderá o reino dos céus. Quando chegar o tempo de os céus reinarem,
isto é, quando o Senhor Jesus vier pela segunda vez, alguns não poderão
entrar no reino, mas irão perdê-lo.
Primeiramente o Senhor mencionou esse assunto no versículo 21. A
seguir, nos versículos 22 e 23, Ele explicou-nos a questão em forma de
profecia. Haverá muitos, não apenas um ou dois, que não farão a vontade
de Deus. “Muitos, naquele dia, Me dirão: Senhor, Senhor! não foi em Teu
nome que profetizamos, e em Teu nome expulsamos demônios, e em Teu
nome fizemos muitos milagres? Então lhes declararei: Nunca vos conheci.
Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade”. Aqui o Senhor Jesus
nos diz o que ocorrerá diante do trono de julgamento. Ele diz: “Naquele
dia”; portanto, isso não se refere a hoje, mas ao futuro. Há muitos que
labutam, mas não vêem a luz de Deus em sua vida. Quando o tempo do
trono do julgamento vier, e quando Cristo começar a julgar a partir da
casa de Deus, esses cristãos terão luz pela primeira vez. Eles verão que
estão errados em sua posição e em seu viver.
Naquele dia, diante do Senhor muitos dirão: “Não temos nós
profetizado em Teu nome, e em Teu nome expulsamos demônios, e em
Teu nome fizemos muitos milagres?” Em uma só frase, a expressão “em
Teu nome” é mencionada três vezes. Isso prova que essas pessoas são do
Senhor. O fato de dizerem: “Senhor, Senhor”, prova que a posição delas é
a de um cristão. Elas não apenas dizem que profetizam, expulsam
demônios e fazem milagres, mas fazem isso em nome do Senhor. A
menção de “em teu nome” por três vezes, mostra-nos o relacionamento
delas com o Senhor.
Surpreendentemente, o Senhor lhes diz: “Então lhes declararei:
Nunca vos conheci”. Por não compreenderem o significado dessas
palavras, muitos acham que tais pessoas certamente não são salvas. Mas
se elas não fossem salvas, então a palavra do Senhor aqui não teria
significado. Mateus 7 é a conclusão do sermão no monte, dando seqüência
à palavra do Senhor acerca das bem-aventuranças. Essas palavras no
monte foram ditas pelo Senhor Jesus aos discípulos. Após o Senhor ter
subido na montanha, Seus discípulos seguiram-No, e a partir do capítulo
5 até o capítulo 7, Ele abriu a boca e passou a ensiná-los.
O Senhor Jesus disse que eles não deveriam chamá-Lo de Senhor
apenas com a boca. Se eles O chamavam de Senhor, deveriam fazer a
vontade do Pai. Mesmo que tivessem as obras exteriores de profetizar,
expulsar demônios e fazer milagres, essas obras não deveriam substituir a
vontade do Pai. Fazer a vontade do Pai é uma coisa, enquanto profetizar,
expulsar demônios e fazer milagres são coisas totalmente diferentes.
Algumas vezes, pode-se profetizar, expulsar demônios e fazer milagres
sem fazer a vontade do Pai. Devemos lembrar-nos não somente de chamá-
Lo de Senhor com nossa boca, mas também de fazer a vontade do Pai em
nosso andar. Se o Senhor estivesse falando acerca de pessoas não-salvas,
essa palavra perderia totalmente o significado, pois se essas pessoas não
fossem salvas, não importaria muito para os discípulos ouvirem ou não a
Sua palavra. Os discípulos poderiam dizer que Sua palavra era para nãosalvos,
mas eles eram salvos; portanto, se fizessem ou não a vontade do
Pai, o Senhor não poderia negar que os conhecia. Se fosse esse o caso,
então todos os não-salvos seriam os que não fazem a vontade de Deus, e
todos os salvos seriam os que fazem a vontade de Deus. Isso anularia o
significado maior dessas palavras.
O Senhor Jesus, aqui, deve estar advertindo os salvos, falando sobre
os salvos. Ele não pode estar advertindo os salvos, falando sobre os nãosalvos.
Suponha que uma pessoa tenha uma empregada e duas filhas, e
dissesse para a filha mais jovem: “Você está vendo essa empregada? Ela
não nasceu de mim, e estou batendo nela. Você deve ser obediente, caso
contrário, castigarei você assim como estou fazendo com ela”. Essas
palavras são coerentes? A criada não nasceu na família e, se for
desobediente, pode apanhar. Mas a filha da família não é uma empregada.
Não se pode aplicar a uma filha a maneira de tratar uma empregada. A
mãe deveria dizer: “Na noite anterior castiguei sua irmã, pois ela foi
desobediente. Agora, se cuide, pois se você não for obediente, vou castigála
da mesma forma”. A mãe deve tomar a irmã como exemplo. Uma
empregada não pode ser usada para comparação. Não existe motivo para
o Senhor usar os não-salvos como exemplo para mostrar aos discípulos
que eles precisam fazer a vontade de Deus. Se Ele fizesse isso, os
discípulos poderiam levantar-se e dizer: “Eles não são salvos, mas nós
somos salvos”. Se dissessem isso, ninguém poderia dizer mais nada.
O que o Senhor Jesus está dizendo é isto: “Muitas pessoas são filhos
de Deus. Elas são salvas e são como você. Elas chamam-Me de ‘Senhor’ e
têm realizado muitas obras. Mas, apesar disso, elas serão excluídas do
reino. Por essa razão vocês devem ser cuidadosos e fazer a vontade de
Deus”. Somente dessa maneira os discípulos saberiam que, mesmo que
realizassem muitas obras, se não fizessem a vontade de Deus, receberiam
a mesma punição. Se Ele estivesse falando a não-salvos, não haveria mais
o elemento penetrante de Sua palavra. O Senhor os estava advertindo de
que somente os que fazem a vontade de Deus podem entrar no reino. Se
alguém confiar em sua própria obra para se achegar diante de Deus, o
Senhor Jesus lhe dirá: “Não conheço você”.
Permitam que eu lhes dê outro exemplo. Suponham que o filho de
um juiz dirija de modo imprudente e bata em outro carro. Ele é levado
pela polícia até o tribunal para uma audiência. O juiz pergunta: “Jovem,
qual é o seu nome? Quantos anos tem? Onde você mora?” Abatido, no
tribunal, o filho pode pensar: “Você deve saber todas essas coisas melhor
do que eu”. Ele pode responder às poucas perguntas iniciais. Mas depois
de algum tempo pode gritar ao pai: “Pai, você não me conhece?” Então,
que deveria o juiz fazer? Ele poderia bater seu martelo e dizer: “Eu não o
conheço. Em minha casa, eu o conheço. Mas, no tribunal, nunca o
conheci”. Se alguém vir a questão do reino, perceberá que no reino a
questão não é se uma pessoa é salva ou não nem se é um filho de Deus ou
não; o que realmente conta é a sua obra depois de tornar-se cristão.
Suponha que após ser salvo, você seja muito zeloso. Apesar de não ter
feito a vontade de Deus, você profetizou, expulsou demônios e realizou
milagres em nome do Senhor. Se você vier diante do Senhor, pedindo para
ser admitido no reino por causa dessas obras inescrupulosas, o Senhor
dirá que nunca o conheceu.
Por que o Senhor disse: “Nunca vos conheci”? A próxima sentença
explica: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. Por favor,
lembrem-se de que o Senhor não lhes disse para apartarem-se da vida
eterna. No original grego o significado de “os que praticais a iniqüidade”
é de pessoas que não seguem regras, não guardam a lei ou não aceitam
regulamentos. Aos olhos de Deus, fazer o mal não significa apenas fazer
coisas más. Não importa quanto uma pessoa tenha feito; uma vez que ela
não tenha atentado à exigência de Deus, ao Seu julgamento, e ao Seu
arranjo soberano, isso é maligno aos olhos de Deus. Se essa palavra
“iniqüidade” for traduzida para “mal”, como fazem algumas versões,
muitos teriam base para argumentar. O problema aqui não é fazer o mal,
mas não ter princípios. Que são os princípios? Os princípios são a palavra
de Deus. Mas que é a palavra de Deus? A palavra de Deus é a vontade de
Deus. Se você não estiver fazendo a vontade de Deus, não importa o que
faça, o Senhor Jesus dirá que você é iníquo. Os que fazem as coisas
segundo seu próprio ego não terão parte no reino dos céus.
Meu propósito ao dizer essas coisas é mostrar-lhes a importância
das obras de um cristão. A Bíblia mostra-nos claramente que uma pessoa,
após crer no Senhor, embora nunca perca a vida eterna, ela pode perder
seu lugar e glória no reino. Se não fizermos a vontade de Deus, mas, em
vez disso, fizermos obras de acordo com nossa própria vontade, seremos
excluídos do reino. Podemos pensar que profetizar, expelir demônios e
realizar milagres seja o mais importante, pois achamos que, se pudermos
fazer essas coisas, seremos uma pessoa maravilhosa. Entretanto, essas
coisas nunca podem substituir a vontade de Deus. Os que nunca
aprenderam a não trabalhar para Deus, não são dignos de trabalhar para
Ele. Aqueles que não sabem como parar a sua própria obra, certamente
nada sabem sobre a vontade de Deus. Somente os que conhecem a
vontade de Deus conseguem parar de trabalhar. Deus quer que primeiro
obedeçamos à Sua vontade e, depois, trabalhemos. Deus não nos quer
como voluntários para trabalhar por Ele. Quanto mais alguém conhece a
vontade do Senhor, mais aprenderá a não trabalhar relaxadamente.
Portanto, existe uma grande diferença entre trabalhar e fazer a vontade de
Deus. Hoje, podemos apreciar as obras e estar interessados em profetizar,
expulsar demônios e realizar obras de poder. Mas um dia, muitos serão
despertados.
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Capí tulo Vint e e Tr ê sA maneira de Deus lidar com os pecados
dos cristãos — A Disciplina no Reino (2)
RECEBER VIDA NO REINO NA ERA VINDOURA
Ao pregarmos o evangelho, dizemos às pessoas que recebemos a
vida eterna, crendo em Jesus Cristo. Se uma pessoa crer Nele, ela terá a
vida eterna. Todo aquele que compreende a Palavra de Deus sabe que na
era da igreja hoje, assim que uma pessoa crê, ela tem a vida eterna. Essa é
a nossa mensagem. Mas a questão agora é: Quando é que esta vida eterna
é manifestada, revelada e desfrutada? Hoje, nossa mente e espírito estão
sendo constantemente perseguidos pela morte. Satanás ainda é muito
forte. Sendo assim, quando a vida eterna será plenamente manifestada?
Será no novo céu e nova terra? ou isso ocorrerá no reino? Leiamos João
5:24-29: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a Minha
palavra e crê Naquele que Me enviou, tem a vida eterna e não entra em
juízo, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo
que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de
Deus; e os que a ouvirem, viverão. Porque assim como o Pai tem vida em
Si mesmo, assim também concedeu ao Filho ter vida em Si mesmo. E Lhe
deu autoridade para exercer o julgamento, porque é o Filho do Homem.
Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se
acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem,
para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a
ressurreição do juízo”. Aqui, o versículo 24 diz que desde que uma pessoa
creia, ela tem a vida eterna e não entra em juízo. Aquele que ouve a
palavra do Senhor e crê no Pai que enviou o Senhor tem a vida eterna.
Contudo, o versículo 29 diz que os que tiverem feito o bem sairão para a
ressurreição da vida, enquanto os que tiverem praticado o mal sairão para
a ressurreição do juízo. A palavra vida (zoe, no grego) no versículo 29 é a
mesma palavra do versículo 24. Aqueles que tiverem praticado o bem
sairão para a ressurreição da zoe, e aqueles que tiverem praticado o mal,
para a ressurreição do juízo. O versículo 24 diz claramente que já temos a
vida eterna. Mas o versículo 29 diz que alguns não terão a vida eterna,
senão após a ressurreição. Você consegue ver a diferença aqui?
O versículo 25 ocorre na era da igreja. Diz que os mortos ouvirão a
voz do Filho de Deus. Nós todos somos esses mortos. Ouvimos a voz do
Filho de Deus e, como resultado, vivemos. O versículo 28 diz: “Não vos
maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos
túmulos ouvirão a Sua voz e sairão”. O versículo 25 diz que vem a hora e
já chegou. O versículo 28, entretanto, omite a frase “e já chegou”, dizendo
apenas que vem a hora. Portanto, refere-se ao futuro, e não ao presente.
Além disso, aqui o Senhor Jesus diz que no futuro todos os que se acham
nos túmulos sairão. No versículo 25, Ele refere-se “aos mortos”. Aqui Ele
refere-se aos mortos que se acham nos túmulos. O versículo 25 fala sobre
os mortos, referindo-se àqueles mortos em ofensas e pecados. Quando o
Senhor fala no versículo 28 dos mortos nos túmulos, Ele não está
referindo-se à morte da alma em pecado; pelo contrário, Ele está
referindo-se aos mortos no corpo. Todos os que estão mortos em seus
corpos, isto é, os que estão nos túmulos, ouvirão a voz do Filho de Deus
pela segunda vez. Os que tiverem feito o bem sairão para a ressurreição
da vida, e os que tiverem praticado o mal sairão para a ressurreição do
juízo. Esta segunda vez é o tempo em que todos os que estiverem nos
túmulos ressuscitarão.
Leiamos Marcos 10:30: “Que não receba cem vezes mais agora, neste
tempo, casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e no
século vindouro a vida eterna”. Aqui o Senhor Jesus menciona novamente
a vida eterna. Devemos perceber que tipo de vida eterna é essa. A vida
eterna em Marcos 10:30 não é a vida eterna da era da igreja referida no
Evangelho de João ou a vida eterna no novo céu e nova terra. Por favor,
perceba que essa vida eterna será na era vindoura. A frase “no século
vindouro” na língua original significa a era seguinte ou a era subseqüente.
Hoje estamos na era da graça. A próxima era será a era do reino, isto é, a
era do milênio. Aqui, o Senhor diz que uma pessoa pode receber a vida
eterna na era vindoura. Isso não se refere à vida eterna que recebemos
quando cremos no Senhor.
Antes que o Senhor falasse essa palavra, um homem veio a Jesus,
perguntando o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Essa questão
estava relacionada com as obras. Assim sendo, o Senhor Jesus lhe disse
acerca da vida eterna que é ganha por meio das obras. Ele disse ao jovem
que antes que pudesse herdar essa vida eterna, ele deveria guardar a lei e
vender tudo o que tinha. No Evangelho de João, o Senhor Jesus nos
mostra claramente que a vida eterna provém da graça e não das obras.
Então, por que Ele diz aqui que devemos guardar a lei e vender tudo o
que temos, antes de poder herdar a vida eterna? É porque a vida eterna
descrita aqui em Marcos 10 é diferente daquela descrita em João. A vida
eterna em Marcos 10 é recebida por meio de obras. A vida eterna em João
é recebida pela fé.
Após o jovem partir, o Senhor Jesus olhou ao Seu redor e disse aos
discípulos: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm
riquezas!” (v. 23). Ao dizer isso, o Senhor colocou a vida eterna e o reino
juntos. Após o Senhor Jesus dizer isso, os discípulos quiseram saber qual o
significado da Sua palavra. O Senhor disse: “Filhos, quão difícil é para os
que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um
camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de
Deus”. Os discípulos ficaram maravilhados e perguntaram quem então
poderia ser salvo. O Senhor disse que “para os homens é impossível; mas,
não para Deus, porque para Deus tudo é possível”. Pedro, então,
perguntou-Lhe o que ganharia por ter deixado tudo para segui-Lo, e o
Senhor falou sobre as coisas que estavam por vir. “Jesus respondeu: Em
verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou
irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por causa de Mim e por causa
do evangelho, que não receba cem vezes mais agora, neste tempo, casas,
irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e no século
vindouro a vida eterna”. Eles receberão a vida eterna no reino.
Portanto, a vida eterna de que se fala aqui é a vida eterna no reino.
A vida eterna no reino é obtida por meio de obras. Ela é obtida através de
consagração, de sofrimento e por suportar injúrias pelo Senhor. Para o
cristão, a questão da vida eterna nesta era está resolvida. A questão da
vida eterna na eternidade também está resolvida. Contudo, se ele terá ou
não vida eterna no reino depende de: se ele ama ou não o Senhor; se
abandona tudo por causa do evangelho; se nega a si mesmo em todas as
coisas e se rejeita o mundo. Depende se ele está ou não vivendo para o
dinheiro, para o ganho material, para sua família, ou para as pessoas do
mundo. Se ele ama ao Senhor e abandona todas as coisas por causa do
evangelho, o Senhor prometeu que ele não perderá essas coisas mesmo
nesta era, mas pelo contrário, ganhará centenas de vezes mais. Se alguém
desistir de algo apenas um pouco, por causa do Senhor, ele colherá o
cêntuplo de volta no banco celestial. Quem consegue obter um juro tão
alto? O depósito de um dólar renderá cem dólares. Você não consegue
encontrar nenhum banco como esse no mundo. Somando-se a isso, há a
vida eterna na era vindoura.
Em muitas porções de Mateus, a frase “vida eterna” é usada como
sinônimo da palavra “reino”. Nessas porções, os vivos são os que entram
no reino. Por exemplo, Mateus 7:14 diz que a porta é estreita e apertado é
o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que a encontram.
Hoje, muitos pregam o evangelho usando essa passagem, e exortam as
pessoas a entrar pela porta estreita e tomar o caminho apertado. Todavia,
se alguém fosse salvo por entrar pela porta estreita e por tomar o caminho
apertado, a salvação não seria pela graça, mas por obras, e se tornaria uma
recompensa por entrar pela porta estreita e por se tomar o caminho
apertado. A vida eterna, como é revelada no livro de Mateus, não se refere
à vida eterna de hoje, mas sim, à vida no reino milenar. Para poder reinar
com Cristo no reino, uma pessoa deve entrar pela porta estreita e tomar o
caminho apertado. Se alguém não obedecer aos mandamentos de Deus e à
Sua vontade, perderá a vida eterna. Entretanto, isso não significa que ele
irá perecer, mas perderá a vida eterna no reino.
Se esse problema estiver resolvido, então o problema das eras na
Bíblia estará claramente solucionado. Na era da igreja, todas as coisas são
pela graça. Ao final da era da igreja, Deus estabelecerá Seu reino por meio
do Seu Filho. No reino, somente os servos fiéis reinarão com Cristo ao
serem ressuscitados de entre os mortos. A Bíblia nos mostra isso muito
claramente.
A PUNIÇÃO NO REINO MILENAR
A Bíblia diz que muitos filhos de Deus terão uma punição específica.
Muitos cristãos têm um andar inadequado. Eles não vivem de maneira
piedosa. Amam o mundo e andam conforme a própria vontade. Adoram a
Deus segundo a maneira do homem. Não obedecem à Palavra de Deus ao
cuidar da obra de Deus, mas em vez disso fazem o que eles mesmos
gostam de fazer. Eles tentam agradar a homens. Buscam a glória do
homem em vez da glória de Deus e não querem ocupar o mesmo lugar de
vergonha que o Senhor ocupou. Eles cometeram muitos erros e pecados e
não foram disciplinados pelo Senhor nesta era. Após morrer e ser
ressuscitados naquele dia, poderão eles reinar com o Senhor? A Bíblia diz
que primeiro devemos sofrer e suportar injúrias com Ele, antes que
possamos reinar e ser glorificados com Ele (2 Tm 2:12). Muitos cristãos,
não apenas nunca sofreram, como têm muitos pecados. Eles amam o
mundo e andam segundo a carne. Quando deixarem o mundo, eles ainda
terão muita injustiça e muitos pecados que não foram tratados. A Bíblia
nos mostra que tais cristãos terão uma punição específica e definida.
Mateus 18:23-35 fala de um servo sendo perdoado de suas dívidas
pelo seu senhor. Outro conservo tinha uma dívida com o primeiro servo.
Mas o servo que foi perdoado de sua dívida não queria perdoar seu
conservo. O primeiro servo definitivamente representa uma pessoa salva,
pois ele rogou pelo perdão do seu senhor, e o senhor, movido pela
compaixão, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Todos somos
pessoas desamparadas vindo ao Senhor buscar graça. O Senhor perdoou
nossa dívida e deixou-nos ir. Se o primeiro servo representa um cristão,
então o que quer que ele expresse, representa aquilo que iremos expressar.
A maneira como o senhor lida com seu servo será a maneira como o
Senhor lidará conosco.
Os versículos 28-30 dizem: “Saindo, porém, aquele servo”. Ele saiu
porque agora era um homem livre. “Saindo, porém, aquele servo,
encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem denários; e,
agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu
conservo, prostando-se, implorava-lhe dizendo: Sê paciente comigo, e te
pagarei. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até
que pagasse a dívida”. Essa passagem é sobre um cristão que não perdoa
o pecado de outro. Você é alguém que foi perdoado, mas não deseja
perdoar. O Senhor perdoou-lhe dez mil talentos. Agora seu irmão lhe
deve apenas cem denários, mas você diz em seu coração que ele deve
restituir-lhe. Ele deve devolver-lhe até o último centavo. Qual será, então,
o resultado? Os versículos 31-33 continuam: “Vendo os seus
companheiros o que se havia passado, entristeceram-se grandemente, e
foram e relataram minuciosamente ao seu senhor tudo o que acontecera.
Então, o seu senhor, chamando-o a si, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te
toda aquela dívida porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, ter
misericórdia do teu conservo, como também eu tive misericórdia de ti?”
Que aquela pessoa representa uma pessoa salva é novamente provado
pelo fato de que o Senhor teve misericórdia dele. O Senhor disse: Não
devias tu, igualmente, ter misericórdia do teu conservo, como também eu
tive misericórdia de ti? Não devias perdoar teu conservo como eu te
perdoei? Isso prova que essa pessoa representa alguém que recebeu a
misericórdia e o perdão de Deus. Ele deve ser alguém que já tem a vida,
contudo, não perdoa outros cristãos. “E, irando-se, o seu senhor o
entregou aos verdugos, até que pagasse toda a dívida”. Essa pessoa a
quem fora concedida misericórdia e fora perdoada foi entregue aos
verdugos até que pagasse toda a dívida ao Senhor. Se ele podia devolver
tudo o que devia é outra questão. O fato é que ele teria de sofrer. Isso nos
mostra que se um cristão não perdoar a outro, naquele dia o Senhor lidará
com ele da mesma forma como ele lidou com os outros. Se você não
perdoar seu irmão, o Senhor lidará com você segundo a sua atitude
implacável.
MISERICÓRDIA E JULGAMENTO
Sabemos que nosso Deus é um Deus justo. No futuro, no trono de
julgamento, Ele nos julgará segundo a justiça. Entretanto, apesar de haver
justiça no trono de julgamento, também haverá misericórdia. Se você
mostra misericórdia para com os outros, o Senhor será misericordioso
para com você. Se você é implacável para com os outros, e se você é tão
justo e intransigente com as falhas e fraquezas dos outros, o Senhor lidará
com você apenas com justiça naquele dia. Se você é misericordioso para
com os outros, o Senhor mostrará misericórdia para com você. Lucas 6:37
diz que se você não julgar, não será julgado; se você não condenar, não
será condenado, e se você perdoar, será perdoado. Alguns cristãos são
mesquinhos demais hoje. Ao criticarem os outros, eles apontam cada erro
cometido. Quando dão o melhor de si para criticar e julgar os outros, eles
devem ser cuidadosos. No futuro, Deus lidará com eles da mesma
maneira com que eles lidam com os outros. Com a medida com que
medir, você será medido. Se você dá boa medida, recalcada, sacudida,
transbordante, o Senhor lhe dará da mesma forma. Aquele que perdoa,
será perdoado, e àquele que mostra misericórdia, misericórdia será
mostrada.
Portanto, a Bíblia diz que a misericórdia triunfa sobre o juízo (Tg
2:13). Há uma coisa sobre a qual o juízo não pode triunfar — sobre o fato
de uma pessoa mostrar misericórdia para com os outros por toda sua
vida. Não estamos livres de erros. Contudo, se mostrarmos misericórdia
para com os outros hoje, Deus será incapaz de lidar conosco. Muitos
cristãos são incapazes de perder quando lidam com os outros. Eles
discutem o tempo todo com os outros, dão pouca razão aos outros e
concedem a si mesmos toda a razão. Mas hoje, pelo contrário, deveríamos
mostrar misericórdia para com os outros. Quando chegar o tempo do
julgamento, haverá alguns contra os quais nem mesmo o Senhor do juízo
será capaz de levantar coisa alguma. Isso não significa que o homem possa
propositadamente alterar o mandamento de Deus. Significa apenas que, se
você é misericordioso com os outros enquanto viver na terra, Deus será
misericordioso com você. Sua misericórdia hoje triunfará sobre seu juízo
amanhã. A maneira como você julga os outros será a maneira como será
julgado. Esta graça é justa. A forma como você trata os outros será a
mesma forma como o Senhor o tratará. A sua maneira de lidar com os
outros moldará um vaso, com o qual Deus medirá o julgamento para você.
Tiago 2:13 diz: “Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que
não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo”. Aqueles
que não usam de misericórdia para com os outros serão julgados sem
misericórdia. Mas, para aqueles que usam de misericórdia para com os
outros, a misericórdia triunfará sobre o juízo. A sua misericórdia excederá
o juízo. Isso é um fato maravilhoso.
Mateus 18 nos mostra com clareza que os filhos de Deus ainda
podem cair nas mãos dos verdugos. Se isso ocorrer, eles terão de
permanecer ali até pagar toda a dívida. É claro que não há como quitar
toda a dívida. Mas pelo menos chegará o dia em que eles aprenderão a ser
misericordiosos e a perdoar aos outros assim como o Senhor usou de
misericórdia para com eles e lhes perdoou. Naquele tempo eles terão de
usar de misericórdia para com outros. Por isso, no versículo 35 o Senhor
diz: “Assim também Meu Pai celeste vos fará, se de coração não
perdoardes cada um a seu irmão”. Essa porção da Palavra não é falada aos
incrédulos, mas aos cristãos, e mostra a relação que existe entre o Pai
celeste e Seus filhos, e entre os irmãos.
Antes dessa porção da Palavra, Pedro perguntou ao Senhor: “Até
quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe ei de perdoar? Até
sete vezes?” (Mt 18:21). O Senhor lhe disse que deveria perdoar até setenta
vezes sete. Em seguida o Senhor falou sobre os dois servos. Se não
perdoar a seu irmão, Pedro deparará com punição. A palavra do Senhor
mostrou a Pedro que existe a possibilidade de ser entregue aos verdugos;
existe a possibilidade de ser lançado em prisão. Se para Pedro existe a
possibilidade de ser entregue aos verdugos e atirado na prisão, para nós
também há a possibilidade de ser tratados da mesma forma. Essa é a razão
de o Senhor usar o plural “vos” no versículo 35. Sua palavra não é apenas
para Pedro, é para cada um de nós. Se não perdoarmos de coração a cada
um de nossos irmãos, o Pai celeste fará a mesma coisa conosco. Por favor,
lembre-se de que a nossa salvação eterna no novo céu e nova terra é
inabalável. Somos gratos ao Senhor pois isso é pela graça. Mas se hoje
nossos problemas não forem tratados especificamente, ainda sofreremos
punição específica no reino futuro.
A PUNIÇÃO NO REINO MILENAR
A Bíblia diz que muitos filhos de Deus terão uma punição específica.
Muitos cristãos têm um andar inadequado. Eles não vivem de maneira
piedosa. Amam o mundo e andam conforme a própria vontade. Adoram a
Deus segundo a maneira do homem. Não obedecem à Palavra de Deus ao
cuidar da obra de Deus, mas em vez disso fazem o que eles mesmos
gostam de fazer. Eles tentam agradar a homens. Buscam a glória do
homem em vez da glória de Deus e não querem ocupar o mesmo lugar de
vergonha que o Senhor ocupou. Eles cometeram muitos erros e pecados e
não foram disciplinados pelo Senhor nesta era. Após morrer e ser
ressuscitados naquele dia, poderão eles reinar com o Senhor? A Bíblia diz
que primeiro devemos sofrer e suportar injúrias com Ele, antes que
possamos reinar e ser glorificados com Ele (2 Tm 2:12). Muitos cristãos,
não apenas nunca sofreram, como têm muitos pecados. Eles amam o
mundo e andam segundo a carne. Quando deixarem o mundo, eles ainda
terão muita injustiça e muitos pecados que não foram tratados. A Bíblia
nos mostra que tais cristãos terão uma punição específica e definida.
Mateus 18:23-35 fala de um servo sendo perdoado de suas dívidas
pelo seu senhor. Outro conservo tinha uma dívida com o primeiro servo.
Mas o servo que foi perdoado de sua dívida não queria perdoar seu
conservo. O primeiro servo definitivamente representa uma pessoa salva,
pois ele rogou pelo perdão do seu senhor, e o senhor, movido pela
compaixão, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Todos somos
pessoas desamparadas vindo ao Senhor buscar graça. O Senhor perdoou
nossa dívida e deixou-nos ir. Se o primeiro servo representa um cristão,
então o que quer que ele expresse, representa aquilo que iremos expressar.
A maneira como o senhor lida com seu servo será a maneira como o
Senhor lidará conosco.
Os versículos 28-30 dizem: “Saindo, porém, aquele servo”. Ele saiu
porque agora era um homem livre. “Saindo, porém, aquele servo,
encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem denários; e,
agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu
conservo, prostando-se, implorava-lhe dizendo: Sê paciente comigo, e te
pagarei. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até
que pagasse a dívida”. Essa passagem é sobre um cristão que não perdoa
o pecado de outro. Você é alguém que foi perdoado, mas não deseja
perdoar. O Senhor perdoou-lhe dez mil talentos. Agora seu irmão lhe
deve apenas cem denários, mas você diz em seu coração que ele deve
restituir-lhe. Ele deve devolver-lhe até o último centavo. Qual será, então,
o resultado? Os versículos 31-33 continuam: “Vendo os seus
companheiros o que se havia passado, entristeceram-se grandemente, e
foram e relataram minuciosamente ao seu senhor tudo o que acontecera.
Então, o seu senhor, chamando-o a si, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te
toda aquela dívida porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, ter
misericórdia do teu conservo, como também eu tive misericórdia de ti?”
Que aquela pessoa representa uma pessoa salva é novamente provado
pelo fato de que o Senhor teve misericórdia dele. O Senhor disse: Não
devias tu, igualmente, ter misericórdia do teu conservo, como também eu
tive misericórdia de ti? Não devias perdoar teu conservo como eu te
perdoei? Isso prova que essa pessoa representa alguém que recebeu a
misericórdia e o perdão de Deus. Ele deve ser alguém que já tem a vida,
contudo, não perdoa outros cristãos. “E, irando-se, o seu senhor o
entregou aos verdugos, até que pagasse toda a dívida”. Essa pessoa a
quem fora concedida misericórdia e fora perdoada foi entregue aos
verdugos até que pagasse toda a dívida ao Senhor. Se ele podia devolver
tudo o que devia é outra questão. O fato é que ele teria de sofrer. Isso nos
mostra que se um cristão não perdoar a outro, naquele dia o Senhor lidará
com ele da mesma forma como ele lidou com os outros. Se você não
perdoar seu irmão, o Senhor lidará com você segundo a sua atitude
implacável.
MISERICÓRDIA E JULGAMENTO
Sabemos que nosso Deus é um Deus justo. No futuro, no trono de
julgamento, Ele nos julgará segundo a justiça. Entretanto, apesar de haver
justiça no trono de julgamento, também haverá misericórdia. Se você
mostra misericórdia para com os outros, o Senhor será misericordioso
para com você. Se você é implacável para com os outros, e se você é tão
justo e intransigente com as falhas e fraquezas dos outros, o Senhor lidará
com você apenas com justiça naquele dia. Se você é misericordioso para
com os outros, o Senhor mostrará misericórdia para com você. Lucas 6:37
diz que se você não julgar, não será julgado; se você não condenar, não
será condenado, e se você perdoar, será perdoado. Alguns cristãos são
mesquinhos demais hoje. Ao criticarem os outros, eles apontam cada erro
cometido. Quando dão o melhor de si para criticar e julgar os outros, eles
devem ser cuidadosos. No futuro, Deus lidará com eles da mesma
maneira com que eles lidam com os outros. Com a medida com que
medir, você será medido. Se você dá boa medida, recalcada, sacudida,
transbordante, o Senhor lhe dará da mesma forma. Aquele que perdoa,
será perdoado, e àquele que mostra misericórdia, misericórdia será
mostrada.
Portanto, a Bíblia diz que a misericórdia triunfa sobre o juízo (Tg
2:13). Há uma coisa sobre a qual o juízo não pode triunfar — sobre o fato
de uma pessoa mostrar misericórdia para com os outros por toda sua
vida. Não estamos livres de erros. Contudo, se mostrarmos misericórdia
para com os outros hoje, Deus será incapaz de lidar conosco. Muitos
cristãos são incapazes de perder quando lidam com os outros. Eles
discutem o tempo todo com os outros, dão pouca razão aos outros e
concedem a si mesmos toda a razão. Mas hoje, pelo contrário, deveríamos
mostrar misericórdia para com os outros. Quando chegar o tempo do
julgamento, haverá alguns contra os quais nem mesmo o Senhor do juízo
será capaz de levantar coisa alguma. Isso não significa que o homem possa
propositadamente alterar o mandamento de Deus. Significa apenas que, se
você é misericordioso com os outros enquanto viver na terra, Deus será
misericordioso com você. Sua misericórdia hoje triunfará sobre seu juízo
amanhã. A maneira como você julga os outros será a maneira como será
julgado. Esta graça é justa. A forma como você trata os outros será a
mesma forma como o Senhor o tratará. A sua maneira de lidar com os
outros moldará um vaso, com o qual Deus medirá o julgamento para você.
Tiago 2:13 diz: “Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que
não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo”. Aqueles
que não usam de misericórdia para com os outros serão julgados sem
misericórdia. Mas, para aqueles que usam de misericórdia para com os
outros, a misericórdia triunfará sobre o juízo. A sua misericórdia excederá
o juízo. Isso é um fato maravilhoso.
Mateus 18 nos mostra com clareza que os filhos de Deus ainda
podem cair nas mãos dos verdugos. Se isso ocorrer, eles terão de
permanecer ali até pagar toda a dívida. É claro que não há como quitar
toda a dívida. Mas pelo menos chegará o dia em que eles aprenderão a ser
misericordiosos e a perdoar aos outros assim como o Senhor usou de
misericórdia para com eles e lhes perdoou. Naquele tempo eles terão de
usar de misericórdia para com outros. Por isso, no versículo 35 o Senhor
diz: “Assim também Meu Pai celeste vos fará, se de coração não
perdoardes cada um a seu irmão”. Essa porção da Palavra não é falada aos
incrédulos, mas aos cristãos, e mostra a relação que existe entre o Pai
celeste e Seus filhos, e entre os irmãos.
Antes dessa porção da Palavra, Pedro perguntou ao Senhor: “Até
quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe ei de perdoar? Até
sete vezes?” (Mt 18:21). O Senhor lhe disse que deveria perdoar até setenta
vezes sete. Em seguida o Senhor falou sobre os dois servos. Se não
perdoar a seu irmão, Pedro deparará com punição. A palavra do Senhor
mostrou a Pedro que existe a possibilidade de ser entregue aos verdugos;
existe a possibilidade de ser lançado em prisão. Se para Pedro existe a
possibilidade de ser entregue aos verdugos e atirado na prisão, para nós
também há a possibilidade de ser tratados da mesma forma. Essa é a razão
de o Senhor usar o plural “vos” no versículo 35. Sua palavra não é apenas
para Pedro, é para cada um de nós. Se não perdoarmos de coração a cada
um de nossos irmãos, o Pai celeste fará a mesma coisa conosco. Por favor,
lembre-se de que a nossa salvação eterna no novo céu e nova terra é
inabalável. Somos gratos ao Senhor pois isso é pela graça. Mas se hoje
nossos problemas não forem tratados especificamente, ainda sofreremos
punição específica no reino futuro.
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Capí tulo Vint e e Qua t roA maneira de Deus lidar com os pecados
dos cristãos — A GEENA DE FOGO NO
REINO
Há muitas passagens na Bíblia que mencionam a punição de Deus
para os cristãos derrotados, no reino milenar. Examinaremos agora essas
passagens e, posteriormente, chegaremos a uma conclusão sobre elas.
A ENTRADA E A POSIÇÃO NO REINO
Consideremos primeiramente Mateus 18:1-3: “Naquela hora,
aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é o maior no
reino dos céus? E Jesus, chamando a Si uma criança, colocou-a no meio
deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos
tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”.
Aqui os discípulos fizeram uma pergunta sobre o reino dos céus, uma
pergunta acerca da posição no reino. Não se trata de uma pergunta
envolvendo salvação e perdição, mas diz respeito a ser grande ou
pequeno, superior ou inferior, no reino. O Senhor Jesus mostra-nos que, a
menos que nos convertamos e nos tornemos como crianças, não
poderemos entrar no reino dos céus. A seguir, o versículo 4 diz: “Portanto,
aquele que a si mesmo se humilhar como esta criança, esse é o maior no
reino dos céus”. O versículo 3 nos dá a condição para entrar no reino,
enquanto o versículo 4 nos dá a maneira de ser grande no reino. O
versículo 3 diz que devemos converter-nos e tornar-nos como crianças
antes de poder entrar no reino, e o versículo 4 diz que se continuarmos a
ser crianças e nos humilharmos, seremos os maiores no reino dos céus.
Isso nos mostra que no reino devemos continuar da mesma maneira que
começamos. A direção que tomamos para entrar no reino deve ser a
mesma para continuar nele. Para entrarmos no reino dos céus, temos de
converter-nos e tornar-nos como crianças; e para sermos grandes no reino
dos céus, temos de continuar a ser humildes como crianças. Aqui o Senhor
continua a ressaltar a questão de sermos como crianças.
Em seguida, o Senhor diz: “E qualquer que acolher uma criança, tal
como esta, por causa de Meu nome, a Mim Me acolhe” (v. 5). Quem quer
que acolha alguém como esta criança por causa do nome de Cristo, isto é,
alguém que se converte e se torna como uma criança e continua a ser
humilde como esta criança, recebe a Cristo. “Qualquer, porém, que fizer
tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que
se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse
afogado na profundeza do mar” (v. 6). Essa palavra indica que fazer
alguém tropeçar é um problema maior do que sofrer e ser morto. Suponha
que alguém o matasse e atirasse seu corpo ao mar. Você nem mesmo seria
enterrado adequadamente, o que sem dúvida seria uma tragédia. No
entanto, se você fizer alguém tropeçar, seu destino será pior do que esse.
O versículo 7 diz: “Ai do mundo por causa dos tropeços; porque é
necessário que venham tropeços, mas ai do homem por quem vem o
tropeço.”
A GEENA DE FOGO NO REINO
Os versículos 1 a 7 de Mateus 18 são palavras gerais do Senhor, e
podemos mencioná-las de maneira breve. Queremos dar maior atenção às
palavras que iniciam o versículo 8. Aqui o Senhor Jesus estende o assunto
para dar ênfase que não apenas é errado fazer os outros tropeçarem, mas
até mesmo fazer tropeçar a si mesmo é questão séria e grave. O versículo 8
diz: “Se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o, e lança-o de ti”. A
quem se refere o “ti” aqui? Nos versículos 3 a 7, “vos” refere-se aos
discípulos que fizeram a pergunta no versículo 1. Após o Senhor Jesus
responder-lhes, Ele lhes disse para serem vigilantes e não serem tropeço
para os outros. As palavras do Senhor o versículo 8 são dirigidas às
mesmas pessoas. Se sua mão ou seu pé faz com que você tropece, é
melhor cortá-los e lançá-los fora. É claro que isso não deve ser tomado
literalmente. Se as suas mãos roubam e seus pés andam por caminhos
indevidos, isto é, se existe pecado e lascívia em você, você deve lidar com
eles. “Melhor te é entrar na vida aleijado ou coxo do que, tendo duas mãos
ou dois pés, ser lançado no fogo eterno” (v. 8).
O Senhor mostra-nos aqui que se os cristãos cometerem pecados e os
tolerarem, eles sofrerão: ou serão lançados no fogo eterno com as duas
mãos e os dois pés, ou entrarão na vida com uma mão ou um pé. Há
também os que não controlarão suas concupiscências e serão lançados no
fogo eterno. O fogo é um fogo eterno, mas aqui não diz que eles
permanecerão no fogo eterno para sempre. O que o Senhor Jesus não disse
é tão significativo quanto o que Ele disse. Se uma pessoa tornou-se cristã,
mas suas mãos ou pés pecam o tempo todo, ela sofrerá a punição do fogo
eterno na época do reino dos céus; ela não sofrerá essa punição
eternamente, mas apenas na era do reino.
Que significa cortar uma mão ou um pé? Quando um homem corta
sua mão ou pé, ele ainda pode pecar. Se não tiver pé, ele pode andar de
carro. Se uma de suas mãos é cortada, ele ainda pode pecar com a outra
mão. A intenção do Senhor não é que cortemos a mão ou o pé, pois
mesmo que cortemos uma mão, ainda podemos não remover nossa
lascívia. Portanto, esta palavra não deve referir-se ao corpo exterior, mas à
concupiscência interior. O que temos de arrancar é aquilo que nos força a
pecar.
Outra coisa que temos de perceber é que a pessoa da qual se fala
aqui é um cristão, pois somente um cristão já tem todo o corpo limpo e
pode assim entrar na vida após lidar com a lascívia em um único membro
do seu corpo. Para os incrédulos não seria suficiente cortar uma mão ou
um pé, porque mesmo que eles cortassem ambas as mãos e ambos os pés,
ainda assim iriam para o inferno. A fim de entrar no reino dos céus, é
melhor um cristão ter o corpo incompleto do que ir para o fogo eterno por
causa de um tratamento incompleto.
A seguir, o versículo 9 diz: “Se o teu olho te faz tropeçar, arranca-o e
lança-o fora de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho do que,
tendo dois olhos ser lançado na Geena de fogo”. Isso nos mostra que se
uma pessoa salva não lida com sua lascívia, ela não será capaz de entrar
na vida, mas irá para o fogo eterno. O fogo eterno aqui é a Geena de fogo.
A Bíblia nos mostra que um cristão tem a possibilidade de sofrer a Geena
de fogo. Evidentemente, embora possa sofrer a Geena de fogo, ele não
sofrerá para sempre, mas sofrerá somente durante a era do reino.
Mateus 18 não é a única porção das Escrituras que diz isso. Em
outras porções da Bíblia também há o mesmo ensinamento. Por exemplo,
no Sermão do Monte em Mateus 5—7 há palavras claras do mesmo tipo.
Mateus 5:21-22 diz: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e
quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo
aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem
disser a seu irmão: Raca, estará sujeito ao julgamento do Sinédrio; e quem
lhe disser: Moré, estará sujeito à Geena de fogo”. No início do capítulo
cinco, lemos que o Senhor Jesus viu a multidão, contudo Ele não ensinou à
multidão. Pelo contrário, Ele ensinou aos discípulos (v. 1). O Sermão no
Monte é para os discípulos. Portanto, aquele que insulta a outro, no
versículo 22, é um irmão. Ele chama outro irmão de “Raca”, que quer
dizer “imprestável” ou tolo. Quando chama seu irmão dessa forma, ele
fica sujeito à Geena de fogo. Isso não se refere a uma pessoa não-salva,
pois um não-salvo irá ao inferno mesmo que não chame ninguém de tolo.
Toda vez que a Bíblia fala sobre obras, ela se refere a alguém que pertence
a Deus. Se uma pessoa não pertence a Deus, não há necessidade de
mencionar tais coisas. Aqui, se trata de uma pessoa salva, um irmão, mas
por ter ofendido a seu irmão ele está sujeito à Geena de fogo.
O versículo 23 diz: “Se estiveres apresentando a tua oferta no altar e,
ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti”. Muitas
vezes as pessoas guardam coisas contra nós de propósito, e não há nada
que possamos fazer sobre isso; mas se alguém se queixar por causa do
nosso insulto, devemos ser cuidadosos ao trazer a oferta ao altar. Se
pensar mal de um irmão e falar algo contra ele, você deve ir a ele e lidar
com essa questão. “Deixa ali perante o altar a tua oferta e vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão; e, então, vem apresentar a tua oferta” (v. 24).
O importante é reconciliar-se com seu irmão. O versículo 25 diz: “Entra
em acordo sem demora com o teu adversário enquanto estás com ele a
caminho”. Seu irmão é quem se queixa, e você é o réu. Agora ele o está
levando ao tribunal: “Para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz
ao oficial de justiça, e sejas lançado à prisão” (v. 25). Tal fato ocorrerá no
reino. O reino será muito rigoroso.
Agora direi algumas palavras francas e sérias. Dois irmãos ou duas
irmãs que estejam em discórdia não podem estar juntas no reino. No reino
vindouro, haverá somente amor e misericórdia; apenas os que amam e
têm misericórdia dos outros poderão estar no reino dos céus. Se estou
envolvido em uma discussão com um irmão, e se a questão não for
resolvida nesta era, então, no futuro, ou ambos seremos excluídos do
reino, ou somente um de nós entrará. Não será possível ambos entrarmos.
É impossível termos problemas uns com os outros e ainda reinar ao
mesmo tempo no milênio futuramente. No reino todos os cristãos serão
unânimes. Não haverá absolutamente quaisquer barreiras entre duas
pessoas. Se hoje enquanto estamos na terra, tivermos algum atrito com
qualquer irmão ou irmã, se tivermos obstáculos com qualquer irmão ou
irmã, temos de ser cuidadosos. Poderá ocorrer de nós entrarmos e o outro
ser excluído, ou de o outro entrar e de nós sermos excluídos, ou de ambos
sermos excluídos. O Senhor diz que enquanto estiver com seu irmão a
caminho, você deve reconciliar-se com ele. Isso significa que enquanto
você e ele estiverem vivos e antes que o Senhor Jesus volte, você tem de
reconciliar-se com seu irmão. O Senhor não irá tolerar que dois inimigos
fiquem queixando-se um do outro no reino. Hoje podemos fazer queixas
sobre os outros com muita facilidade; mas tais queixas vão manter a nós,
ou a outros, ou a ambos, do lado de fora do reino. Parece que hoje a igreja
é muito livre, mas não será assim naquele dia. “Enquanto estás com ele a
caminho”, diz o Senhor. Se você morrer, se ele morrer ou se o Senhor Jesus
voltar, esse caminho terá acabado. Portanto, você deve resolver a questão
rapidamente, antes que o Senhor volte e enquanto você e ele estão a
caminho. “Para que o adversário não te entregue ao juiz”, o juiz é o
Senhor Jesus; “o juiz ao oficial de justiça”, o oficial de justiça é o anjo; “e
sejas recolhido à prisão”. Isso nos mostra claramente que um irmão que
tenha ofendido a outro irmão sofrerá uma punição muito severa.
Se estudar esta passagem cuidadosamente, você verá que a prisão
aqui é a Geena de fogo no versículo 22, porque o versículo 23 começa com
“portanto”. As palavras do versículo 23 em diante são uma explicação das
palavras do versículo 22. O versículo 22 diz que qualquer um que chame
seu irmão de Moré estará sujeito à Geena de fogo. Os versículos 23 a 25
seguem dizendo que aqueles que não se reconciliarem com seus irmãos
serão lançados na prisão. Portanto, a prisão no versículo 25 é
evidentemente a Geena de fogo do versículo 22. Está claro que não existe
possibilidade de um cristão perecer eternamente; contudo, se um cristão
tiver qualquer pecado de que não tenha se arrependido e confessado, o
qual não foi perdoado, ele estará sujeito à Geena de fogo. Note quão
severas são as palavras do Senhor no versículo 26: “Em verdade te digo:
De modo algum sairás dali, enquanto não pagares o último centavo”.
Existe a possibilidade de sair, se a pessoa pagar tudo. Na era vindoura,
ainda há a possibilidade de perdão, mas a pessoa não poderá sair até que
pague o último centavo e ponha tudo em ordem com seu irmão.
Os versículos 27 a 30 formam outra seção. Essa seção é semelhante à
anterior. “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que
todo aquele que olhar para uma mulher para cobiçar, no coração já
adulterou com ela”. O mandamento no Antigo Testamento diz que não
devemos cometer adultério, mas o mandamento do Novo Testamento diz
que não podemos sequer ter pensamentos adúlteros. Aqui, a palavra
“mulher”, na língua original, refere-se à esposa de outro homem. Se a
mulher não fosse esposa de outro homem, não haveria possibilidade de
adultério, pois adultério é a infidelidade no casamento. Se não for a
esposa de outro homem, não pode ser considerado como adultério; é
fornicação. A Bíblia julga a fornicação, mas não tanto quanto ela julga o
adultério. Aqui se diz que um pensamento adúltero é produzido com
relação à esposa de outro.
Segundo, o significado da palavra “olhar”, na língua original, não é
tão amplo quanto o da nossa palavra “olhar”. A palavra “olhar” na língua
original coloca muitas pessoas nesta categoria de pecado, pois ela não
implica um olhar casual, mas um olhar intencional. Olhar pode ser
simplesmente olhar de relance, de modo acidental para algo na rua.
“Observar” é uma palavra melhor, pois observar é um olhar intencional.
Além disso, na língua original o observar aqui é realizado com um
propósito específico. Podemos traduzir assim: “qualquer que observar
uma mulher com intenção impura”. O que o Senhor condena não são os
pensamentos repentinos que entram na mente. Ele está lidando é com
continuar observando com intenção impura, depois que um pensamento
repentino entra. Em outras palavras, nossos pecados não residem na
incitação da carne por Satanás dando-nos pensamentos sujos. Nossos
pecados consistem no observar adicional, após Satanás ter-nos dado um
pensamento repentino. Isso é adultério. Os pensamentos repentinos vêm
de Satanás. O observar vem de você mesmo. Os pensamentos repentinos
são tentações. O seu observar é a sua aceitação das tentações. Devemos
saber como distinguir essas duas coisas.
O versículo 29 diz: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e
lança-o de ti”. Se o seu olho direito leva-o a observar, arranque-o e jogue-o
fora. “Pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo
o teu corpo lançado na Geena”. Se a lascívia não for removida, se o pecado
não for tratado, a pessoa será “lançada na Geena”. Em seguida o versículo
30 diz: “E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois
te convém que se perca um dos teus membros e não vá todo o teu corpo
para a Geena”. O Senhor Jesus falou essas palavras aos discípulos. Cristo
disse àqueles que Lhe pertenciam, cuja justiça deveria exceder à dos
fariseus e escribas (v. 20), que eles tinham de tratar com seus pecados. Se
permitissem que o pecado se desenvolvesse neles, embora não fossem
perecer eternamente, havia a possibilidade de que fossem para a Geena.
Isso é o que o Senhor nos mostra no livro de Mateus.
TEMER AQUELE QUE TEM AUTORIDADE PARA LANÇAR NA
GEENA
Agora vejamos o que dizem outras passagens da Bíblia acerca desta
questão. Lucas 12:1 diz: “Aglomerando-se, entrementes, as miríades da
multidão, a ponto de se atropelarem uns aos outros, pôs-se Jesus a dizer
primeiro aos Seus discípulos”. Ele não falou a todos, mas aos discípulos
primeiramente. “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a
hipocrisia”. A palavra do Senhor aqui prova que os discípulos não são os
hipócritas; eles são o povo de Deus. A seguir, nos versículos 4 e 5, o
Senhor disse: “Digo-vos, amigos Meus: Não temais os que matam o corpo
e, depois disso, nada mais podem fazer. Eu, porém, vos mostrarei a quem
deveis temer: Temei Aquele que, depois de matar, tem autoridade para
lançar na Geena”. A palavra de Deus é suficientemente clara. Ela nos diz,
não uma vez, mas muitas vezes, que é possível um cristão ser “lançado na
Geena”. Isso está dito claramente aqui. O Senhor disse aos discípulos para
não temerem aqueles que matam o corpo, mas depois disso nada mais
podem fazer. Eles não deveriam temer o que alguns poderiam fazer ao
corpo deles, uma vez que isso é tudo o que conseguiriam fazer. No
entanto, eles deveriam temer Aquele que pode lançá-los na Geena.
Os versículos seguintes também provam que aqui o Senhor está se
referindo aos discípulos, isto é, aos cristãos. Os versículos 6 e 7 dizem:
“Não se vendem cinco pardais por dois asses? E nenhum deles é
esquecido diante de Deus. Mas até mesmo os cabelos da vossa cabeça
estão todos contados. Não temais; mais valeis do que muitos pardais”.
Apenas os cristãos são pardais. Os não-salvos não são pardais; eles são
corvos. Em Mateus, os lírios do campo e também os pardais referem-se
aos cristãos. Os pardais não semeiam, não colhem, nem ajuntam em
celeiros (Mt 6:26). Isso se refere aos cristãos e não aos incrédulos. Aqui se
diz claramente que é possível os “pardais” de Deus serem “lançados na
Geena”. Note também que é dito que os cabelos dessas pessoas foram
todos contados. Deus não teria tamanho cuidado com incrédulos.
Portanto, o que se quer mostrar aqui é que os que pertencem ao Senhor
não precisam temer o que possam fazer a seus corpos. O único a quem
eles devem temer é Deus, pois Ele tem autoridade para lançá-los “na
Geena”. Devemos temer a Deus que possui a autoridade para lidar com
nossa alma, e não os que apenas podem matar nosso corpo.
Os dois versículos seguintes, 8 e 9, são muito preciosos. “Digo-vos
ainda: Todo aquele que, em Mim, Me confessar diante dos homens,
também o Filho do Homem, nele, o confessará diante dos anjos de Deus;
mas aquele que Me negar diante dos homens, será negado diante dos
anjos de Deus”. Os cristãos podem ser divididos em duas classes: os que
confessam e os que não confessam o Seu nome. Alguns confessam Seu
nome, enquanto outros não. Alguns estão preparados para ser
perseguidos, enquanto outros não estão. Alguns só serão cristãos
secretamente; são os que desejam a glória do homem. Outros confessam o
Senhor abertamente e estão prontos a ser mártires. Portanto, vocês podem
ver a quem o Senhor se refere nesses versículos de Lucas 12. Não devemos
temer qualquer sofrimento que venha por confessar Seu nome. Se não
confessamos o Seu nome, nosso pecado é mais sério que todos os outros
pecados. Conseqüentemente, Ele não confessará nossos nomes diante dos
anjos de Deus. Quando você considerar os versículos 1 a 9 como um todo,
verá que o “lançar na Geena” no versículo 5 é equivalente ao Senhor não
confessar o nome deles diante dos anjos no versículo 9. A confissão diante
dos anjos pode ser ilustrada com um exemplo. Suponha que um jovem
tenha feito algo errado e termine numa cadeia. Seus pais ou outros
membros da família podem pagar a fiança e livrá-lo do problema. Mas
suponha que o jovem seja realmente mau, e seus pais sintam que ele
precisa de algum sofrimento. Como resultado, seus pais não pagam a
fiança. O mesmo ocorre com os cristãos. A não ser que o Senhor confesse
nossos nomes, seremos punidos.
Há uma palavra maravilhosa em Apocalipse 3:5: “O vencedor será
assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu
nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de
meu Pai e diante dos seus anjos”. No início do reino, antes do trono de
julgamento, os anjos de Deus levarão os cristãos até Deus. O livro da vida
estará ali. No livro da vida estão registrados todos os nomes dos cristãos.
Haverá muitos anjos e muitos cristãos. O Senhor Jesus também estará ali.
Um ou mais anjos, então, lerão em voz alta os nomes do livro da vida, e o
Senhor Jesus confessará alguns dos nomes. Aqueles cujos nomes Ele
confessar, por conseguinte, entrarão no reino. Quando outros nomes
forem lidos, o Senhor não dirá nada. Em outras palavras, Ele não
confessará seus nomes. Os anjos, então, colocarão um sinal negativo
nesses nomes. Portanto, os nomes dos vencedores estarão sem marca no
livro da vida, enquanto os nomes dos derrotados estarão marcados.
Quanto aos não-salvos, seus nomes nem sequer aparecem no livro da
vida. Um grupo de pessoas não terá seus nomes no livro; outro grupo terá
seus nomes ali, mas os nomes estarão marcados; e um terceiro grupo, à
época do reino, terá seus nomes preservados tal qual quando inicialmente
foram escritos no livro.
Se o seu nome estiver marcado no trono de julgamento, isso não
significa que você estará acabado e não mais será salvo. Apocalipse 20:15
diz: “E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi
lançado para dentro do lago do fogo”. Isso nos mostra que aqueles cujos
nomes não estiverem registrados no livro da vida estarão eternamente no
lago do fogo. Aqueles cujos nomes não aparecerem no livro da vida serão
lançados no lago do fogo. Isso ocorrerá no início do novo céu e nova terra.
Não podemos dizer que os que são citados em Apocalipse 3 não têm seus
nomes escritos no livro da vida. Podemos dizer apenas que seus nomes
foram marcados. Por conseguinte, eles não serão lançados no lago do
fogo, pois seus nomes já estão no livro da vida. A salvação eterna é muito
segura; ela jamais pode ser abalada. Por outro lado, porém, há um perigo.
Se formos tolerantes com o pecado, se não perdoarmos aos outros, se
cometermos adultério, se insultarmos os irmãos, se temermos sofrer, ser
envergonhados, perseguidos e se temermos confessar o Senhor, temos de
ser cuidadosos, pois Deus nos lançará “na Geena” para sermos punidos
temporariamente.
O DANO DA SEGUNDA MORTE
Na Bíblia existem outras passagens similares que também falam
destas questões. Apocalipse 2:11 nos diz que os que vencerem não
sofrerão o dano da segunda morte, e Apocalipse 20:6 diz que um grupo de
pessoas não morrerá novamente e a segunda morte não terá autoridade
sobre elas. A segunda morte é o lago de fogo citado no final de Apocalipse
20. Isso significa que os derrotados sofrerão o dano da segunda morte.
Ainda que não sofram a segunda morte, irão sofrer o dano da segunda
morte. Uma vez que uma pessoa seja salva, ela não sofrerá a segunda
morte. Contudo isso não garante que ela não sofrerá o dano da segunda
morte.
Sabemos que o tempo do lago do fogo e enxofre será o tempo no
qual terá início o novo céu e nova terra. Naquela época, Satanás, o mundo
e a morte serão todos lançados no lago do fogo (Ap 20:10, 14). Também
naquele tempo quem não tiver seu nome registrado no livro da vida será
lançado no lago do fogo. Aquele será o tempo em que os incrédulos serão
oficialmente postos no lago do fogo. Entretanto, durante o milênio, os
cristãos derrotados sofrerão o dano da segunda morte. Obviamente tal
tratamento não será igual ao que os incrédulos terão, pois não será para a
eternidade. Se um cristão estiver unido ao mundo e se ele amar o mundo e
as coisas do mundo, o Senhor permitirá que ele participe da corrupção,
para sofrer um pouco daquilo que os incrédulos sofrerão. Este é o
significado de sofrer o dano da segunda morte em Apocalipse 2, e esta
palavra é dita aos cristãos. A palavra “dano” na língua original significa
machucar alguém e prejudicá-lo. A segunda morte causará sofrimento em
alguns. A partir do grande trono branco, haverá a própria segunda morte,
que é o sofrimento eterno no lago do fogo e enxofre. No milênio, porém,
haverá somente o dano da segunda morte. Se alguns cristãos não tiverem
lidado com seus pecados, eles ainda sofrerão o dano e a dor da segunda
morte.
O FIM É SER QUEIMADO
Leiamos agora duas passagens do livro de Hebreus. Hebreus 6:4-6
diz: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e
provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e
provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e
caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento”.
Esses versículos descrevem uma pessoa que possui muitas qualificações. É
impossível que ela seja uma pessoa não-salva. Ela viu a luz, e viu o Deus
revelado, o Unigênito do Pai; conheceu o amor de Deus e provou o dom
celestial, o único dom, Jesus Cristo. Na Bíblia, dons, como um substantivo
plural, refere-se aos dons do Espírito Santo, e dom, como um substantivo
singular refere-se ao único dom, o unigênito Filho de Deus, como está em
João 3:16. Esse dom é diferente dos dons do Espírito Santo. Essa pessoa
não apenas tem Deus e o Senhor Jesus, mas também tornou-se
participante do Espírito Santo. Ela conhece a Deus, provou do Senhor
Jesus e tem o Espírito Santo vivendo dentro de si. Além disso, ela provou
a boa palavra de Deus e os poderes da era vindoura. Os poderes da era
vindoura são os poderes do reino milenar. Os dons e os poderes do
Espírito Santo são particularmente abundantes no reino milenar. O reino
milenar será repleto de obras de poder, milagres, maravilhas e outras
coisas semelhantes. Dizer que alguém provou os poderes da era vindoura
significa dizer que ele provou as coisas do reino milenar. Portanto, esta
pessoa é definitivamente uma pessoa salva.
Se tal pessoa deixa hoje a palavra de Cristo, que ela recebeu quando
creu, e escorrega e cai, não há arrependimento para ela. Ela não pode
começar tudo de novo para crer no Senhor Jesus, pois já tem uma longa
história com o Senhor. Ela recebeu muita chuva, porém caiu, não produz
mais coisas boas para Deus, mas tem produzido cardos e abrolhos. Tal
pessoa é como “a terra que absorve a chuva que freqüentemente cai sobre
ela, e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada, recebe
bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada,
e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada” (vs. 7-8).
Perceba três coisas acerca desta pessoa e seu fim. Primeira coisa, ela
é “rejeitada”. A palavra “rejeitada” aqui é a mesma usada em 1 Coríntios
9:27, onde Paulo disse que temia que embora tivesse pregado o evangelho
a outros, ele mesmo fosse desqualificado e não fosse mais usado por Deus
nesta era e no reino. Ser rejeitado, ser desqualificado, significa que Deus
rejeitará tal pessoa e não a usará mais no reino. Segunda coisa, esta pessoa
“perto está da maldição”. O versículo não diz que ela receberá maldição,
mas a punição que receberá é semelhante a uma maldição. Ela não
perecerá eternamente, mas sofrerá o dano da segunda morte e padecerá a
Geena de fogo no reino. Terceira coisa, “seu fim é ser queimada”. Que é
isso? Por exemplo, há algumas semanas eu quis fazer uma queimada em
algumas terras em Jen-ru. Poderia eu queimar a terra eternamente?
Poderia queimar a terra pelo menos por cinco anos? O queimar aqui se
refere a algo temporário.
Aqui se fala sobre queimar, enquanto Mateus 5 diz que alguns
estarão sujeitos à Geena de fogo. Se você puser essas duas passagens
juntas, elas se combinarão. Se um cristão recebe todas essas coisas
maravilhosas, mas não produz bom fruto para Deus, e sim, cardos e
abrolhos, ele será queimado. Entretanto, esse queimar será apenas por
breve tempo. Até mesmo um aluno do primário sabe que se você atear
fogo em um terreno, o fogo irá parar após todo o mato ser queimado. A
queimada no reino durará no máximo mil anos. Quanto tempo vai durar a
queimada, na verdade, dependerá de você. Se você tiver produzido
muitos cardos e abrolhos, então haverá mais queima. Se tiver produzido
poucos cardos e abrolhos, então haverá menos queima.
Quantas coisas há em nós que ainda não foram tratadas? Quantas
coisas não foram limpas pelo sangue do Senhor, e quantas coisas ainda
não foram confessadas, tratadas e resolvidas com os irmãos e as irmãs?
São esses os cardos e abrolhos a que o Senhor se refere. Mateus 5 diz que
ninguém poderá sair dali enquanto não pagar o último centavo. Toda
dívida terá de ser paga. Quando tudo houver sido queimado, toda dívida
terá sido paga.
Um cristão é semelhante a um campo, e seu comportamento
indevido é comparado a cardos e abrolhos. Suponha que eu possua um
terreno de cinco alqueires. Seria possível, depois da queimada, que
somente dois alqueires tenham sido deixados intactos e três tenham sido
queimados? Isso é impossível. O que é queimado são os cardos e abrolhos.
O terreno em si não pode ser queimado. Em outras palavras, somente
aquelas coisas que foram amaldiçoadas em Adão e deveriam ser
removidas, mas não foram, é que serão queimadas. Elas serão o material
que será queimado na Geena de fogo. A vida que Deus nos concedeu não
pode ser tocada pelo fogo. Portanto, depois que os cardos e abrolhos
forem queimados, o terreno ainda permanecerá. Nenhuma parte dele será
tirada. Não há absolutamente nenhum problema com a nossa salvação,
mas sim com o que vier a crescer sobre ela, com o que for proveniente da
carne. Se tais coisas não forem tratadas com o sangue de Jesus, deveremos
sofrer algum tratamento.
Agora vejamos Hebreus 10:26-29: “Porque, se vivermos
deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno
conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo
contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a
consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de
duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto
mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou
aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança”. Esses versículos
referem-se a alguém que rejeitou a Cristo e voltou ao judaísmo. Ele acha
que gastando alguns dólares pode comprar um touro ou um bode como
oferta pelo pecado. Se, porém, alguém conheceu a Cristo e voltou ao
judaísmo, ele calcou aos pés o Filho de Deus e considerou Seu sangue
como algo comum. Ele está tratando o Senhor como um touro ou um
bode. Para ele não existe diferença entre o Senhor e um touro ou um bode.
O versículo conclui: “E ultrajou o Espírito da graça”. Enquanto o Espírito
Santo está lhe dando graça, ele O está insultando por voltar ao judaísmo.
Esses versículos nos mostram o caminho de um apóstata. Eu não diria que
tal pessoa seja salva; somente diria que pode ser que ela seja salva; talvez
nem seja salva. O apóstolo não nos diz se tal pessoa é salva ou não. Ele diz
apenas que, se uma pessoa veio a Cristo e depois voltou ao judaísmo, ela
sofrerá pior punição. Seu fim é uma expectação de juízo e fogo vingador.
Aqui vemos uma espécie de fogo.
Juntamente com todas essas passagens, temos também as próprias
palavras do Senhor em João 15. O versículo 2 diz: “Todo ramo em Mim
que não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto Ele o limpa”. Esses
não são ramos que nada têm que ver com Ele; são ramos que estão Nele. O
que é mostrado aqui, pode não referir-se à punição temporária, mas à
disciplina nesta era. Mas atente para o versículo 6: “Se alguém não
permanece em Mim, é lançado fora, como o ramo, e seca; e os apanham,
lançam no fogo, e são queimados”. Alguns ramos serão lançados no fogo e
queimados. Alguns ramos cresceram e produziram folhas verdes, mas não
têm fruto. Embora tenham vida interiormente, eles não têm fruto
exteriormente. O Senhor Jesus disse que eles serão lançados fora, secarão,
e queimarão no fogo. Aqui vemos claramente que os cristãos podem ter de
passar pelo fogo.
Tendo lido todas essas passagens, podemos concluir que se um
cristão não lidar adequadamente com seus pecados, haverá punição à sua
espera. A Bíblia nos mostra nitidamente que tipo de punição será. Não
será uma punição comum, mas a punição da “Geena de fogo”. Contudo
será o fogo no reino, não o fogo na eternidade.
A questão agora é esta: Que tipo de pecado levará a essa condição?
Desde que uma pessoa seja salva, é importante que ela lide com seus
pecados. Nenhum dos pecados que ela tenha confessado, se arrependido,
tratado e feito remissão pelo sangue do Senhor Jesus, voltará a ela no
trono de julgamento. Tais pecados terão passado. Até mesmo o maior dos
pecados terá passado. Mas existem muitos pecados que não serão
omitidos; são os pecados que alguém contempla em seu coração. O Salmo
66:18 diz: “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria
ouvido”. Quais são os pecados que o coração contempla? O coração é o
lugar onde residem nosso amor e nossos desejos. O coração representa
nossa emoção. Ele representa o homem psicológico. Se o coração
contemplar a vaidade, o Senhor não nos ouvirá. Muitas confissões são
feitas só porque a pessoa sabe que pecou, não há aversão pelo pecado,
tampouco condenação do pecado. Tal pessoa o Senhor não ouvirá. Além
disso, se temos com alguém um problema que não foi resolvido, ou se há
coisas que precisam ser perdoadas e não foram, ou se procedemos mal
com as pessoas ou com o Senhor, temos de tratar com estas coisas de
modo específico. Ao mesmo tempo, temos de colocá-las debaixo do
sangue do Senhor. Só então tais coisas estarão tratadas, e estaremos livres
do julgamento vindouro.
3-Refutação
1- De fato a salvação é pela graça, não por meio de obras de justiça, mas pela graça por meio da fé
Rm 3:20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.
Rm 3:27 Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé.
Rm 3:28 Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.
Rm 4:2 Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus.
Rm 4:6 E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras:
Rm 9:11 E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama),
Rm 9:32 Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço,
Rm 11:6 E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça.
Gl 2:16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
2Tm 1:9 que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos,
At 15:11 Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram.
Rm 5:18 Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.
Gl 2:21 Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.
Gl 5:4 De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes.
2- Quem vive no pecado é do diabo, não é de Deus, não nasceu de novo
I Jo 3:8 Aquele que pratica habitualmente o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.
9 Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.
10 Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão.
1 João 3:9 Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.
3- A salvação pela fé exterioriza-se em obediência aos mandamentos. Não é uma fé teórica, sem frutos de arrependimento. A fé sem obras não é uma fé verdadeira
Tg 2:14 Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?
Tg 2:17 Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.
Tg 2:18 Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé.
Tg 2:20 Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?
Tg 2:21 Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?
Tg 2:22 Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou,
Tg 2:24 Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente.
Tg 2:25 De igual modo, não foi também justificada por obras a meretriz Raabe, quando acolheu os emissários e os fez partir por outro caminho?
Tg 2:26 Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.
Tg 3:13 Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras
1 Coríntios 1:2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
Romanos 1:7 A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
Hb12:14 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,
15 atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;
16 nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura.
17 Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado.
Jd 1:4 Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.
4- Temos a obrigação de obedecer, termos boas obras como consequencia da salvação
Ef 2:8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
9 não de obras, para que ninguém se glorie.
10 Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
Tt 2:11 Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,
12 educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,
13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,
14 o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.
Tt 3:8 Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens.
Tt 3:14 Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos.
Hb 10:24 Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.
5- Um cristão pode ser excluído do Reino ? Com certeza não
A visão dos vencedores diz que este trecho abaixo se refere a cristão salvos que não se santificaram e portanto não entrarão no reino de Deus.
Mas na Bíblia, Jesus nunca diz "não te conheço", ou "não sei de onde vós sois" para um salvo genuíno:
Lc 13:23 E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos?
24 Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.
25 Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois.
26 Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas.
27 Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniqüidades.
28 Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora.
29 Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus.
30 Contudo, há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que serão últimos.
Mt 7:21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?
23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.
1 Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo.
2 Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes.
3 As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo;
4 no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas.
5 E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram.
6 Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!
7 Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas.
8 E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando.
9 Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o.
10 E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta.
11 Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta!
12 Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.
Cl 1:13 Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor,
Para em Colossenses 1:13 para "transportou/transladou" (methistēmi) indica uma transferência de cidadania e residência jurídica. Na teologia bíblica de Paulo, é impossível um cidadão legal de um Reino ser tratado como um "estrangeiro punido nas trevas exteriores" pelo próprio Rei que o resgatou.
6- Libertos do pecado e santificados para a vida eterna
Rm 5:22 Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;
13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.
14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.
15 E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!
16 Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?
17 Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues;
18 e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
1 Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.
3 Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado,
4 a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
5 Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.
6 Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz.
7 Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.
8 Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.
9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.
10 Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça.
11 Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita.
7-Choro e ranger de dentes se refere a uma punição do milênio ou a condenação eterna?
A fornalha de fogo se refere a condenção dos ímpios:
Mt 13:37 E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;
39 o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.
40 Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século.
41 Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade
42 e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
Mt 13:47 O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.
48 E, quando já está cheia, os pescadores arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora.
49 Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos,
50 e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
As trevas exteriores se referem a condenção dos ímpios, os não escolhidos
Mt 22:9 Ide, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes.
10 E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados.
11 Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial
12 e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu.
13 Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.
14 Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.
Mt 8:11 Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.
12 Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.
Mt 24:45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?
46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.
47 Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens.
48 Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se,
49 e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios,
50 virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe
51 e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.
Mt 24:14 Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.
15 A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.
16 O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.
17 Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.
18 Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.
20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.
23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,
25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
26 Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.
29 Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30 E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.
8 - CONCLUSÃO
MIlenio não é Disciplina: Na Parábola do Joio e do Trigo, Jesus deixa claro que a fornalha acesa é o destino dos "filhos do maligno" e não de filhos de Deus que falharam (Mateus 13:38-42).
A Santificação é Fruto, não Opção: As obras não compram o Reino; elas exteriorizam e provam uma fé viva e verdadeira (Efésios 2:10, Tiago 2:17).