https://www.youtube.com/live/-tFRaF1Se0k?si=byaSPTqn4PGthT1s
Este documento apresenta uma análise crítica e a refutação dos principais argumentos e erros identificados no primeiro episódio do documentário "Pedagogia do Abandono", produzido pela Brasil Paralelo. A análise baseia-se em evidências científicas, marcos legais da educação brasileira e princípios pedagógicos contemporâneos.
Quais ideias estão moldando a educação infantil no nosso país?
O que a ciência realmente diz sobre os primeiros anos de vida?
E o que acontece quando ideologia, precariedade e decisões estatais passam a disputar um espaço que, antes de tudo, pertence à família?
"Seu filho nossas regras")
1- A Idade de 1 Ano e 7 Meses na Educação Infantil
O vídeo cita o Jornalista que diz que "E há alguns estados que recomendam que já a partir de 1 ano e 7 meses de idade as crianças já participem de brincadeiras que devem ajudá-las a lidar com a própria sexualidade".
Resposta:
Além de não citar os estados, ele insinua uma sexualização precoce , https://www.youtube.com/watch?v=ol8XPXkdUFE&t=2265s
No entanto, essa afirmação/interpretação é uma distorção técnica de diretrizes pedagógicas e da legislação vigente.
A idade de 1 ano e 7 meses citada no vídeo refere-se à classificação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o documento que orienta os currículos escolares no Brasil. A BNCC divide a educação infantil em três grupos etários para fins de organização pedagógica:
•Bebês: 0 a 1 ano e 6 meses.
•Crianças bem pequenas: 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses.
•Crianças pequenas: 4 anos a 5 anos e 11 meses.
Essa divisão existe apenas para que as escolas saibam quais estímulos e cuidados são adequados para cada fase do desenvolvimento. Não é uma recomendação de que a criança DEVA entrar na escola nessa idade. É uma diretriz para as escolas que já atendem crianças nessa faixa etária, garantindo que o atendimento seja adequado.
2- Não existe tal recomedação, inclusive os Estados fazem suas publicações tendo como parãmetro a BNCC, observe a recomendação por exemplo:
"Reconhecendo as especificidades dos diferentes grupos etários que constituem a etapa da Educação Infantil, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão sequencialmente organizados em
três grupos por faixa etária, que correspondem, aproximadamente, às possibilidades de aprendizagem e às características do desenvolvimento das crianças, conforme indicado na figura a seguir" BNCC p. 44:
2- A doutrinação na escola
2.1 Educadora infantil na rede pública
O corte do vídeo faz parecer que a professora está falando da identidade de genero, mas ao ver o vídeo na integra ela fala de papeis de gênero, comportamentos próprios de homens e mulheres que vem da cultura, "imposições" culturais. Ela fala de deixar as crianças livres pra escolher brincar com os brinquedos
2.2 Palestra sobre homofobia e identidade de genero
O video mostra uma pessoa trans numa palestra que menciona transexualidade para crianças do 5ºano de 10 a 12 anos. No caso o documentário não cita nome , faixa etária ou escola, ou cargo. Mas ao pesquisar temos as seguintes informações:
https://www.revistaoeste.com/politica/servidora-trans-faz-doutrinacao-em-escola-infantil-existem-meninos-e-meninas-e-isso-pode-ser-construido-ao-longo-do-tempo/
https://www.revistaoeste.com/politica/servidora-trans-faz-doutrinacao-em-escola-infantil-existem-meninos-e-meninas-e-isso-pode-ser-construido-ao-longo-do-tempo/
A servidora, Rômulo Pinheiro Leão, ocupa o cargo de técnica administrativa e foi convidada pela direção da escola para abordar o tema.
A palestra foi motivada por um suposto caso de bullying entre as crianças e tinha como objetivo fomentar o respeito mútuo.
Durante a apresentação, a servidora introduziu o conceito de que a identidade de gênero pode ser construída ao longo do tempo e compartilhou sua experiência pessoal como mulher trans.
O secretário de Educação de Várzea Grande defendeu a servidora, afirmando que o foco da palestra era o combate ao preconceito, discriminação e a promoção do respeito.
A BNCC recomenda o tema para EF 08 , Ensino Fundamental do 8 e 9 anos:
(EF08CI11) Selecionar argumentos que evidenciem as múltiplas dimensões da sexualidade humana (biológica, sociocultural, afetiva e ética)
(EF09HI26) Discutir e analisar as causas da violência contra populações marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às pessoas.
Outros erros:
1. O Uso Indevido de Pesquisas Científicas
(O Caso Jay Belsky)
Alegação do Vídeo: O documentário utiliza as pesquisas de Jay Belsky para sugerir que longos períodos em creches (institucionalização precoce) causam danos permanentes ao apego e ao comportamento das crianças, caracterizando um "abandono" parental.
Refutação:
•Descontextualização: Embora Jay Belsky tenha identificado correlações entre longas horas em creches e problemas de comportamento em alguns estudos (como o do NICHD), a conclusão central da comunidade científica — e do próprio Belsky em trabalhos mais amplos — é que a qualidade do cuidado é o fator determinante, não a instituição em si.
•Benefícios da Educação Infantil: Inúmeras pesquisas (como as de James Heckman, Nobel de Economia) demonstram que a educação infantil de alta qualidade é o investimento com maior retorno social e cognitivo, especialmente para crianças em situação de vulnerabilidade. Ela oferece estímulos que muitas vezes não estão disponíveis no ambiente doméstico.
•Falsa Causalidade: O vídeo tenta estabelecer uma linha direta entre a creche e problemas sociais complexos (drogas, violência), ignorando variáveis estruturais como pobreza, desigualdade e falta de suporte social às famílias.
2. A Falácia da "Usurpação da Autoridade Familiar" pelo Estado
Alegação do Vídeo:
O Estado estaria "tomando" as crianças das famílias precocemente para moldá-las ideologicamente, ferindo a autoridade dos pais.
Refutação:
Direito, não Imposição: No Brasil, a creche (0 a 3 anos) não é obrigatória. É um direito da criança e um dever do Estado prover a vaga para as famílias que desejam ou precisam. A obrigatoriedade escolar inicia-se apenas aos 4 anos (pré-escola), conforme a Emenda Constitucional nº 59/2009.
Função Social da Escola: A escola de educação infantil não substitui a família; ela a complementa. Para milhões de famílias brasileiras, a creche é o local que garante segurança, nutrição (muitas vezes a única refeição completa do dia) e socialização enquanto os pais trabalham.
Marcos Legais: A Constituição de 1988 e o ECA definem a educação como um direito fundamental. O objetivo é garantir a igualdade de oportunidades desde o início da vida, e não "doutrinar" indivíduos.
3. O Espantalho de Paulo Freire na Educação Infantil
Alegação do Vídeo: A educação infantil brasileira seria dominada pela "ideologia" de Paulo Freire, visando a doutrinação política desde o berço.
Refutação:
•Anacronismo Pedagógico: Paulo Freire é reconhecido mundialmente por seu trabalho na alfabetização de adultos e na pedagogia crítica para o ensino fundamental e médio. Sua obra não é a base técnica para a educação de crianças de 0 a 5 anos.
•Realidade da BNCC: A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil foca em dois eixos estruturantes: interações e brincadeiras. Os objetivos de aprendizagem envolvem o desenvolvimento motor, afetivo, social e cognitivo através do lúdico, e não através de discussões políticas ou ideológicas.
•Doutrinação Inexistente: Não há evidências de que currículos de creches brasileiras contenham "doutrinação comunista" ou "ideologia de gênero". O que existe é o ensino do respeito à diversidade e a convivência democrática, princípios básicos de qualquer sociedade civilizada.
4. A "Pedagogia do Medo" e a Manipulação Narrativa
Alegação do Vídeo: Através de uma estética de suspense e dados fragmentados, o vídeo induz o espectador a acreditar que a escola pública é um ambiente perigoso e hostil aos valores familiares.
Refutação:
•Técnicas de Propaganda: O documentário utiliza trilha sonora de suspense, cortes rápidos e imagens descontextualizadas para gerar uma resposta emocional de medo. Isso é uma técnica clássica de propaganda política, não um documentário informativo ou científico.
•Generalização Indevida: Casos isolados de problemas em escolas são apresentados como se fossem a regra de todo o sistema educacional brasileiro, desqualificando o trabalho de milhares de profissionais dedicados.
•Omissão da Realidade Socioeconômica: Ao classificar a creche como "abandono", a Brasil Paralelo ignora a realidade das mães trabalhadoras que dependem desse serviço para subsistência. O termo "abandono" é um julgamento moral que desconsidera a necessidade econômica e o direito social.
Conclusão
O documentário "Pedagogia do Abandono" falha ao:
1.Distorcer dados científicos para apoiar uma agenda ideológica pré-determinada.
2.Ignorar a legislação brasileira, tratando direitos sociais como ameaças estatais.
3.Criar inimigos imaginários (como a influência de Paulo Freire em bebês) para alimentar guerras culturais.
4.Estigmatizar a educação pública, que, apesar de seus desafios reais de infraestrutura e financiamento, continua sendo o principal pilar de proteção e desenvolvimento para a maioria das crianças brasileiras.
A verdadeira "pedagogia do abandono" seria privar as crianças do acesso a um ambiente educativo rico, seguro e profissional, relegando-as ao isolamento ou à falta de estímulos adequados em nome de uma visão idealizada e elitista de criação familiar.
5. Resposta a Alegações Específicas de "Doutrinação"
Exemplo: "Professores ensinam que Lampião era bom" ou "Doutrinação Comunista"
Refutação:
•Evidências Anedóticas vs. Currículo Oficial: Relatos isolados de condutas individuais de professores, mesmo que verdadeiros, não definem o sistema educacional. O currículo oficial brasileiro é pautado pela pluralidade de ideias e pelo pensamento crítico.
•Ensino de História: O estudo de figuras históricas como Lampião envolve a compreensão do fenômeno do Cangaço em seu contexto social e econômico. Analisar as causas de um movimento não significa "elogiar" ou "doutrinar", mas sim compreender a história complexa do país.
•Fiscalização e Canais de Denúncia: Existem mecanismos legais e administrativos (Conselhos de Escola, Secretarias de Educação, Ministério Público) para coibir qualquer excesso ou desvio de finalidade pedagógica. A narrativa do vídeo prefere o pânico moral à utilização dos canais democráticos de fiscalização.
DISTORÇÃO DOS DADOS SOBRE QUEBEC
"Estudo de longo prazo sobre a pré-escola universal em Quebec revela resultados preocupantes."
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2- Limitação dos primeiros estudos
Resposta:
1- Origem do projeto
Em 1º de setembro de 1997, uma reforma em larga escala da creche pré-escolar foi iniciada pelo governo provincial de Quebec, a segunda província mais populosa do Canadá. Na época, a província estava atrasada em relação às outras províncias canadenses no que diz respeito à participação feminina na força de trabalho. A grande reforma foi, portanto, projetada para abordar essa questão, bem como para combater a pobreza e promover a igualdade de oportunidades para as crianças (Japel et al., 2005). O ponto central da política foi a introdução de vagas em creches regulamentadas com uma taxa reduzida de $5 por dia. Implementação. A alocação de vagas regulamentadas com taxa reduzida foi feita por meio de um processo descentralizado. O governo incentivou a abertura de vagas em creches em uma nova rede de instituições regulamentadas sem fins lucrativos chamadas Centres de la petite enfance (CPEs). Diversas formas de cuidado infantil podiam fazer parte da rede, incluindo cuidado familiar (na casa do prestador) e centros de creche. Famílias interessadas eram adicionadas a uma lista de espera até que uma vaga na instituição desejada se tornasse disponível. Os prestadores de serviço tinham que seguir sua lista de espera, de modo que não podiam escolher qual família teria acesso primeiro. A reforma foi implementada por idade da criança ao longo de um período de 4 anos. Em setembro de 1997, apenas crianças de 4 anos eram elegíveis. Nos anos seguintes, a exigência de idade foi gradualmente reduzida: um ano depois, crianças de 3 anos se tornaram elegíveis, seguidas por crianças de 2 anos em setembro de 1999. Em setembro de 2000, vagas subsidiadas se tornaram disponíveis para todas as crianças com menos de 59 meses. O acesso ao programa era universal, de modo que não havia requisitos de entrada, como condições do domicílio, renda ou participação na força de trabalho. Os preços brutos permaneceram constantes para os pais até 2014 — com exceção de um aumento para US$ 7 por dia por criança a partir de 2004 — com o governo provincial subsidiando as taxas restantes p. 4-5 A Welfare Analysis of Universal Childcare: Lessons From a Canadian Reform∗ S´ebastien Montpetit† Luisa Carrer‡ April 9, 2026 MCB_QCchildcare.pdf
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2- Limitação dos primeiros estudos
Em contraste, estudos sobre o efeito da reforma no desenvolvimento infantil questionaram seriamente o suposto benefício da política para as crianças. Em um artigo seminal, Baker et al. (2008), doravante BGM3, mostraram que a reforma teve efeitos negativos na saúde, comportamento e habilidades motoras-sociais das crianças antes dos 5 anos de idade. Eles também encontraram efeitos negativos da política em medidas de eficácia parental e funcionamento familiar. No entanto, esses resultados foram obtidos com apenas alguns anos após a implementação da política, refletindo os primeiros anos do programa. Por isso, os impactos de longo prazo da política não são abordados pelo artigo.
Expandimos sua pesquisa sobre creches universais de duas maneiras. Primeiro, estimamos o impacto da reforma das creches de Quebec em crianças elegíveis além do período pré-escolar. Analisar o impacto da política em jovens de 5 a 19 anos, elegíveis para creches de baixo custo desde o nascimento, nos permite estudar os efeitos de longo prazo da política sobre crianças que estiveram expostas de forma significativa à reforma.
Os impactos negativos documentados por BGM na saúde, desenvolvimento cognitivo e comportamental nos anos pré-escolares podem ter persistido após a entrada das crianças na escola. Ou, podem não ter persistido a longo prazo. Por exemplo, é possível que a exposição à creche desde cedo tenha reforçado o desenvolvimento do sistema imunológico, de modo que os efeitos negativos à saúde documentados em BGM possam ter se transformado em positivos durante os anos escolares. Documentar os efeitos de longo prazo das creches universais em crianças elegíveis é crucial para nossa compreensão do impacto geral de tais programas, mas poucos estudos o fazem utilizando um desenho quase-experimental. Datta Gupta e Simonsen (2010, 2016) são uma exceção. os autores constatam que a pré-escola teve pouco efeito sobre os resultados não cognitivos, assim como em matemática, aos 7 anos, mas que melhorou as notas dos alunos em Dinamarquês.
Em segundo lugar, estimamos o impacto da reforma ao longo de um período de observação mais longo do que BGM, com seis anos de dados adicionais. Na prática, BGM capturou os efeitos de curto prazo da reforma até 2003. Na época do estudo deles, poucas crianças de 4 anos tratadas eram elegíveis para creches de baixo custo desde o nascimento. Como o número de vagas aumentou rapidamente até 2006, os impactos de curto prazo estimados em BGM podem refletir não apenas o impacto da creche em si, mas também o do ajuste geral a uma nova norma social e a rápida implantação de uma rede de creches em larga escala. À medida que a rede se estabiliza, os efeitos poderiam ser diferentes.
Kottelenberg e Lehrer (2013) e Baker, Gruber e Milligan (2015) estenderam o período de observação até 2006, mas estimaram o efeito médio da reforma em todas as crianças tratadas, independentemente do período de tratamento. Nossa estratégia empírica nos permite medir se os efeitos encontrados em pesquisas anteriores são transitórios ou persistem ao longo do tempo. Usamos dois conjuntos de dados do Statistics Canada para estimativa de políticas: o National Longitudinal Survey of Children and Youth (NLSCY) (8 ondas bienais: 1994 a 2009) e o Canadian Community Health Survey (CCHS) (2001 a 2014). As crianças pesquisadas nesses dados constituem uma amostra representativa da população de crianças e jovens canadenses. Um quadro de avaliação não experimental baseado em múltiplos períodos pré e pós-tratamento é usado para estimar os efeitos das políticas. De fato, comparamos crianças de Quebec antes e depois da reforma com crianças comparáveis no Resto do Canadá (RofC). Nossa estratégia empírica nos permite diferenciar a intensidade do tratamento para cada coorte, dada a implementação gradual da política. Nossas estimativas sugerem que, no geral, a reforma teve efeitos negativos sobre a saúde, o desenvolvimento motor-social e o comportamento de crianças em idade pré-escolar. No entanto, para alguns resultados, nossas estimativas por onda sugerem que os efeitos diminuem ao longo do tempo e eventualmente se tornam estatisticamente insignificantes em 2008.
Os efeitos negativos da reforma sobre o bem-estar das crianças em idade pré-escolar são principalmente motivados por crianças de mães altamente escolarizadas, que foram as primeiras a reagir à política ao aumentar sua oferta de trabalho. Além disso, para crianças mais velhas com idades entre 5 e 9 anos, encontramos fortes evidências de um efeito adverso persistente apenas para transtornos emocionais e ansiedade.
Finalmente, para jovens com idades entre 12 e 14 e 15 e 19 anos, não conseguimos encontrar evidências robustas de que a política de creches de Quebec tenha produzido efeitos negativos duradouros na saúde e no comportamento. Este artigo está estruturado da seguinte forma. A Seção 2 descreve a política familiar de Quebec. O conjunto de dados utilizado é apresentado na Seção 3. A Seção 4 descreve a metodologia. Os resultados empíricos são apresentados na Seção 5. A Seção 6 conclui o artigo. p. 3-5 Universal childcare and long-term effects on child well-being: Evidence from Canada Working Paper No. 15-02 Catherine Haeck, Laëtitia Lebihan, and Philip Merrigan November 2017 (revised version) Forthcoming, Journal of Human Capital
3- Fatores que influenciam
No final da década de 1990, o governo de Quebec iniciou a implementação gradual de uma rede de creches de baixo custo para crianças com menos de 5 anos de idade. Os espaços de creche de baixo custo podiam ser adquiridos a um preço único: $5 por dia por criança. Em 1º de setembro de 1997, apenas as crianças de 4 anos eram elegíveis para os espaços de baixo custo. Em 1º de setembro de 1998, as crianças de 3 anos tornaram-se elegíveis para creches subsidiadas. Elas foram seguidas pelas crianças de 2 anos em 1º de setembro de 1999. Finalmente, em 1º de setembro de 2000, todas as crianças com menos de 59 meses, que não tinham direito ao jardim de infância porque completariam cinco anos depois de 30 de setembro, tornaram-se elegíveis para creches subsidiadas. Embora todas as crianças de cinco anos ou menos, não matriculadas em jardins de infância públicos, fossem elegíveis, o número de vagas disponíveis na época ainda não atendia à demanda. Entre 2000 e 2012, o número de vagas de baixo custo aumentou de 85.000 para 217.000, liberando assim a restrição de capacidade. Em 2004, o preço das creches de baixo custo aumentou de $5 para $7 por dia por criança. No geral, o número total de vagas reguladas em Quebec mais que triplicou entre 1996 e 2013, passando de 78.864 para 258.366 vagas reguladas, e o subsídio total do governo atingiu 2,3 bilhões de dólares para o ano fiscal de 2012-2013 (Conseil du Trésor-Quebec, Budget 2012-2013). Em contraste, o número de vagas em creches subsidiadas nas outras províncias canadenses era relativamente pequeno em comparação com a Província de Quebec. Para uma descrição mais precisa da reforma até 2008, veja Haeck et al. (2015).p. 5
... A reforma da creche perseguia dois objetivos: (1) aumentar a participação das mães na força de trabalho, equilibrando as necessidades do local de trabalho e dos lares; e (2) melhorar o desenvolvimento infantil e a igualdade de oportunidades. O primeiro objetivo tem sido amplamente estudado na literatura. Lefebvre e Merrigan (2008), BGM, Kottelenberg et al. (2013) e Haeck et al. (2015) juntos mostram grandes e duradouros efeitos positivos na oferta de trabalho materna e na utilização de creches. Os resultados sobre o desenvolvimento infantil são menos conclusivos. O impacto sobre as crianças provavelmente depende da qualidade do cuidado fornecido, da intensidade do cuidado, da idade da criança no cuidado e do contexto familiar. A rede consistia principalmente e ainda consiste em dois tipos de cuidado: baseado em centro e baseado em casa. Ambos são regulamentados pelo governo e devem seguir padrões quanto à relação número de crianças por educador e um programa educacional. As instituições baseadas em centro, adicionalmente, também devem empregar um certo número de funcionários qualificados. Mesmo assim, dois grandes estudos avaliando a qualidade nos primeiros anos do programa (ISQ 2004; Japel et al. 2005) descobriram que a qualidade média era, no melhor dos casos, satisfatória e, em muitos casos, baixa ou inaceitável, particularmente para crianças de famílias de baixa renda. Juntamente com as creches de baixo custo, a reforma implementou alterações para crianças em idade escolar também. Primeiro, o jardim de infância em período integral substituiu o jardim de infância de meio período para crianças de 5 anos na escola a partir de setembro de 1998. Segundo, creches antes e depois da escola também passaram a ser oferecidas às crianças
...A rede de creches subsidiadas de Quebec era, na melhor das hipóteses, satisfatória e, em muitos casos, era baixa ou inaceitável (ISQ 2004; Japel et al. 2005). Isso pode ser parcialmente explicado pela pressa em implementar o programa, construir novas unidades e criar novas regras e novos espaços para atender à demanda excessiva dos pais. Uma implantação tão grande forçou o governo a admitir na rede educadores sem treinamento específico em educação infantil (Haeck et al. 2015). Também mostramos neste artigo que alguns dos efeitos negativos da reforma diminuem com o tempo. Isso poderia ser explicado pelos esforços do governo de Quebec para melhorar a qualidade da equipe e do programa educacional. Mas mesmo hoje permanece difícil determinar se as medidas regulatórias dos requisitos educacionais da equipe são realmente implementadas, e relatórios recentes sobre a qualidade das creches não parecem positivos. Em particular, de acordo com um relatório do Auditor Geral de Quebec (2011), três quartos dos projetos selecionados para o desenvolvimento de espaços de creche em 2008 não atendiam aos critérios de qualidade do Ministério da Família (VGQ 2011). Outro relatório do ISQ em 2014 afirmou que 45 por cento das creches subsidiadas de Quebec, para crianças de 18 meses a 5 anos, eram de qualidade boa a excelente, em comparação com 41,8 por cento em 2003 (ISQ, 2015). Embora haja um leve aumento, é difícil concluir que houve uma melhoria significativa da qualidade na rede. Além disso, uma grande porcentagem de crianças em Quebec está em creches familiares. Cuidadores familiares não são obrigados a ter diploma universitário ou de faculdade em educação infantil. Em 2010, 36 por cento das crianças em creches estavam em cuidados subsidiados em creches, 24 por cento em cuidados não subsidiados em creches e 40 por cento ...
4- Outros programas em outros paises foram melhores
...Em suma, nossos resultados sugerem que o programa de creches subsidiadas de Quebec não teve impacto médio favorável na saúde, comportamento e habilidades motoras de crianças em idade pré-escolar. Observamos até impactos adversos persistentes para alguns desfechos. Claramente, diferente de programas de alta qualidade como o Perry Preschool ou os programas de creches de países escandinavos, o programa de Quebec não contribuiu positivamente para o bem-estar das crianças em idade pré-escolar em média. Para crianças mais velhas de 5 a 9 anos e jovens de 12 a 19 anos que eram elegíveis para creches de baixo custo durante os anos pré-escolares, mostramos que os efeitos da política são menos adversos. Primeiro discutimos os resultados sobre desfechos comportamentais para ambos os grupos, e depois os resultados sobre desfechos de saúde. Os efeitos da política sobre desfechos comportamentais são geralmente pequenos e não significativos para ambos os grupos. Quando são significativos, é para crianças que foram totalmente elegíveis para o programa (5 anos de elegibilidade) durante os primeiros anos da reforma. Mostramos também que somente o impacto em transtornos emocionais e ansiedade permanece persistente e significativo ao longo dos anos do ensino fundamental, mas que a magnitude do efeito diminui cerca de 50%, em comparação ao efeito para crianças de 4-5 anos que ainda não estão na escola. Quanto aos desfechos de saúde, relatamos um aumento no risco de infecções nos anos pré-escolares, mas nenhum efeito é detectado na saúde das crianças uma vez que estejam na escola. A ideia de que a creche atua como um fator protetor durante os anos escolares não é apoiada por nossos resultados. Várias razões podem explicar isso. Primeiro, os dados do NLSCY não são ideais para estudar o problema da imunidade, pois as perguntas sobre infecções de nariz/garganta e ouvido são feitas apenas para crianças de 0 a 3 anos.27 No entanto, a grande maioria dos estudos que lidam com essa questão se relaciona a tais infecções. Ball et al. (2000) mostram que a exposição de crianças pequenas a outras crianças em creches protege contra o desenvolvimento de asma na infância. Aqui, mostramos que a política não tem efeito na probabilidade de um episódio asmático grave para crianças e que os efeitos adversos na saúde geral não estão mais presentes uma vez que estão na escola. Segundo, em nosso contexto, estimamos o impacto. 27. Essas perguntas também não estão disponíveis nos dados do CCHS. p. 24
...em todas as crianças elegíveis e não distingue entre os diferentes modos de cuidado. No entanto, os efeitos podem depender do tipo de creche utilizado. Côté et al. (2010) encontraram que crianças que frequentam grandes creches (≥ 6 crianças não relacionadas) em uma idade precoce (antes dos 2,5 anos) podem adquirir imunidade, mas nenhuma diferença foi observada para crianças em ambientes de creche menores. Para jovens de 12 a 19 anos, não podemos produzir evidências robustas de que a política teve impacto na saúde e no comportamento. De fato, estima-se um efeito negativo sobre a probabilidade de fumar para essa faixa etária. De modo geral, nossos resultados para crianças mais velhas são consistentes com os de Datta Gupta e Simonsen (2010), na Dinamarca, que encontraram que a participação em um programa público universal aos 3 anos de idade não tem impacto nos resultados comportamentais aos 7 anos.28 Eles também são consistentes com Herbst e Tekin (2016), nos Estados Unidos. Esses autores observaram que crianças que recebem subsídios para creche têm pontuações cognitivas mais baixas e mais problemas comportamentais no início, mas esses efeitos desaparecem amplamente até a 3ª série, quando as crianças têm cerca de 8 anos. Baker et al. (2015) mostram que a política de Quebec teve um impacto negativo duradouro nas habilidades não cognitivas (comportamento, saúde, satisfação com a vida e atividade criminosa) de crianças e jovens elegíveis. Nossas descobertas para alguns resultados diferem das desses autores por várias razões. Primeiro, consideramos o fato de que as crianças são expostas de maneira muito diferente ao programa. Por exemplo, crianças de 8 e 9 anos foram parcialmente atendidas (máximo de 3 anos de elegibilidade) enquanto crianças de 5 a 7 anos foram totalmente atendidas (5 anos de elegibilidade) em nossas amostras. De forma semelhante, alguns jovens de 12 a 14 anos foram atendidos por 5 anos, enquanto outros foram atendidos apenas por alguns meses. Não separar crianças com intensidades de tratamento diferentes resulta em estimativas que potencialmente mascaram diferenças importantes. Neste estudo, comparamos crianças com exposições semelhantes ao programa (exposição parcial vs completa) e mostramos que existe uma relação dose-resposta. As descobertas para crianças parcialmente atendidas são diferentes das descobertas de crianças totalmente atendidas (Tabelas 3, 6 e 7). Levando em conta a intensidade do tratamento p. 25
o que nos permite ter mais períodos pré e pós-reforma, o que é importante ao usar o estimador de Diferença em Diferenças. Em segundo lugar, focamos em famílias com dois pais, eliminando assim os fatores políticos de confusão que geralmente afetam famílias monoparentais, como mudanças nos parâmetros de tributação de benefícios infantis (veja Kottelenberg e Lehrer (2013, 2014) para mais detalhes). Em terceiro lugar, para o caso dos adolescentes de 12 a 19 anos, avaliamos a robustez das estimativas de DD usando um grupo de controle adicional, e mostramos que os efeitos significativos de DD não são significativos com uma abordagem DDD. Finalmente, analisamos o problema da imunidade devido à sua importância na literatura (Raynault et al., 2011). Levando em conta a intensidade do tratamento das crianças, a situação familiar, introduzindo efeitos de políticas que variam ao longo do tempo, e usando métodos diferentes e realizando certos testes estatísticos (valores de p ajustados para múltiplos resultados, testando efeitos de desvanecimento, etc.), apresentamos evidências de que, embora negativos, os efeitos de longo prazo da política não são tão graves quanto em Baker et al. (2015). Para crianças em idade pré-escolar, mostramos que alguns dos efeitos encontrados em BGM desaparecem após 2005.
Para crianças/adolescentes em idade escolar, mostramos que a política geralmente não tem efeitos persistentes, exceto para ansiedade. Finalmente, descobrimos que filhos de mães altamente educadas tendem a ser os mais adversamente afetados pela reforma.
Nossas estimativas são consistentes com Haeck et al. (2015), uma vez que a reforma inicialmente afetou principalmente a oferta de trabalho de mães com alto nível de escolaridade. As mães com baixa escolaridade reagiram mais tarde à reforma. Sua participação no mercado de trabalho não aumentou significativamente antes de 2004. Para seus filhos, observamos uma piora nas pontuações comportamentais a partir de 2004, especialmente para os de 23 anos. Nossos resultados também estão alinhados com Loeb et al. (2007). Esses autores mostraram que o cuidado não parental teve efeitos adversos em crianças de famílias afluentes, particularmente nos desfechos comportamentais. Em suma, o impacto da reforma, exceto para ansiedade,
Neste artigo, estimamos os efeitos de longo prazo da reforma de creches de Quebec, tanto em termos da idade da criança quanto do tempo desde que o programa foi implementado pela primeira vez. Mais especificamente, estudamos os efeitos de longo prazo da reforma de creches de baixo custo sobre a saúde infantil, o desenvolvimento motor e social e o comportamento. Em um artigo seminal, BGM mostram que a reforma nos primeiros anos teve efeitos bastante prejudiciais sobre crianças em idade pré-escolar em Quebec. Acompanhamos crianças atendidas por mais de 19 anos e investigamos o impacto muito além dos primeiros anos da política. Um quadro de avaliação não experimental, baseado em múltiplos períodos pré e pós-tratamento, com diferentes efeitos para cada período, é usado para estimar os efeitos da política. Em linha com pesquisas anteriores, verificamos que a reforma teve efeitos negativos sobre a saúde e os escores comportamentais das crianças em idade pré-escolar. No entanto, nossas estimativas por período mostram que os efeitos para alguns resultados diminuem ao longo do tempo e, em alguns casos, eventualmente se tornam estatisticamente insignificantes até 2008. Também encontramos que, para crianças de 5 a 9 anos, os efeitos adversos persistem apenas na ansiedade, mas são menores do que para as crianças de 0 a 5 anos. Quando analisamos os resultados para crianças de 12 a 19 anos, constatamos que os efeitos negativos da política com o método DD não são robustos para uma estimativa DDD. Esses resultados sugerem que os efeitos negativos sobre crianças em idade pré-escolarnão costumam se estender para os anos do ensino fundamental e médio. Finalmente, nossa análise por nível de escolaridade materna sugere que os efeitos negativos são principalmente causados por crianças de mães altamente escolarizadas. No geral, os resultados corroboram os de BGM para crianças em idade pré-escolar, mas com algumas evidências de que os efeitos adversos diminuem ao longo do tempo para alguns resultados. Esses efeitos adversos não são tão fortes uma vez que as crianças estão na escola ou na adolescência. Claramente, a reforma não beneficiou as crianças. A rede precisa melhorar para gerar os benefícios que o cuidado infantil precoce proporcionou em outros países. Finalmente, uma visão mais completa da reforma também deve ser alcançada estudando os efeitos de longo prazo do cuidado infantil subsidiado no bem-estar parental. O aumento da participação das mães no mercado de trabalho e a diminuição do tempo que as mães passam com a criança podem reduzir o bem-estar materno e, portanto, impactar a criança (ver Brodeur et al. 2013; Lebihan et al. 2015)


