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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O despertar de tudo, matriarcado e deusa mãe



O despertar de tudo-uma nova história da humanidade

O Despertar de Tudo: Uma Nova História da Humanidade" (título original: The Dawn of Everything) é uma obra monumental escrita pelo antropólogo David Graeber e pelo arqueólogo David Wengrow. Lançado em 2021 (no Brasil em 2022 pela Companhia das Letras), o livro é considerado um dos textos mais importantes da década por propor uma revisão radical de tudo o que pensamos saber sobre a história da humanidade 

Editora ‏ : ‎ Companhia das Letras
Data da publicação ‏ : ‎ 5 agosto 2022
Edição ‏ : ‎ 1ª
Idioma ‏ : ‎ Português
Número de páginas ‏ : ‎ 696 páginas
 

Mito do Matriarcado Original Primitivo e Culto universal da deusa mãe refutado por  "O Despertar de Tudo"


Resumo e conclusão:
Existiu matriarcado? Sim, mas raramente
Era a forma original? Não.
O culto universal da deusa mãe em diversas culturas existiu? Não, embora existisse em algumas culturas, foi exagerado no passado e estatuetas foram mal interpretadas








"Quase todas as evidências disponíveis na Creta minoica indicam um regime político feminino — algum tipo de teocracia, governada por um colegiado de sacerdotisas. Aqui seria o caso de indagar: por que os pesquisadores contemporâneos relutam tanto em aceitar
essa conclusão? Não podemos atribuir tudo ao fato de os proponentes de um “matriarcado primitivo” terem feito alegações exageradas em 1902. Sem dúvida, os estudiosos tendem a dizer que as cidades governadas por colegiados de sacerdotisas são algo inusitado no registro etnográfico ou histórico. Porém, pela mesma lógica, poderíamos afirmar que não há registro de outro reino governado por homens no qual, em todas as representações
visuais, as figuras de autoridade são mulheres. Algo diferente estava ocorrendo em Creta p. 466




Situada na planície de Konya, na Turquia central, Çatalhöyük foi colonizada por volta de 7400 a.C. e continuou a ser povoada por cerca de 1500 anos (só para dar alguns parâmetros, é mais ou menos o mesmo período que nos separa de Amalafrida, rainha dos vândalos, que alcançou o auge de sua influência por volta de 523 d.C.). p. 234


Escavações mais recentes, porém, sugerem que descartamos Adônis rápido demais.5 Desde os anos 1990, os novos métodos de trabalho de campo empregados em Çatalhöyük trouxeram uma série de surpresas que nos obrigam a rever a história da cidade mais
antiga do mundo e também nossa maneira de pensar sobre as origens da agricultura em geral. Constatou-se que o gado, no fim das contas, não era domesticado: aqueles crânios impressionantes eram de ferozes auroques selvagens. Os santuários não eram santuários, e sim casas onde as pessoas se dedicavam a atividades do cotidiano, como cozinhar, comer e trabalhar nos seus ofícios artesanais — eram como qualquer outro lugar, a não ser pelo fato
de conterem uma maior quantidade de objetos rituais. Mesmo Deusa Mãe foi relegada às sombras. Não tanto porque as corpulentas estatuetas femininas pararam de aparecer nas
escavações, mas porque os novos achados passaram a ser encontrados não em santuários ou em tronos, mas em montes de lixo e refugos no lado de fora das casas, com as cabeças quebradas e removidas, e não pareciam mesmo terem sido tratadas como objetos de veneração religiosa.6

Hoje, a maioria dos arqueólogos considera um grande equívoco interpretar as imagens pré-históricas de mulheres corpulentas como “deusas da fertilidade”, uma ideia que é fruto de fantasias vitorianas há muito ultrapassadas sobre o “matriarcado primitivo”. No século xix, de fato, o matriarcado era considerado o modo-padrão de organização política das sociedades neolíticas (em oposição ao patriarcado opressor da subsequente Idade do Bronze). Em decorrência disso, quase todas as imagens de mulheres de
aparência fértil eram interpretadas como representações de deusasAtualmente, os arqueólogos estão mais propensos a assinalar que muitas estatuetas poderiam muito bem ter sido os equivalentes locais de bonecas infantis, como Barbies (o tipo de Barbie que se
poderia ter numa sociedade com padrões de beleza feminina muito diferentes); ou que diferentes estatuetas poderiam ter servido a finalidades totalmente diversas (o que é correto, sem dúvida); ou a deixar toda a discussão de lado afirmando que simplesmente não
temos e nunca teremos a menor ideia dos motivos que levavam as pessoas a criarem tantas imagens femininas, de modo que o mais provável é que todas as interpretações oferecidas sejam projeções de nossos próprios pressupostos sobre as mulheres, o gênero ou a fertilidade, mais do que qualquer coisa que fizesse sentido para um habitante da Anatólia neolítica.p. 235-236




Não foi só a ideia de “matriarcado primitivo” que se tornou hoje um espantalho: a mera sugestão de que as mulheres tenham ocupado posições de maior destaque nas primeiras comunidades agrícolas é um convite à censura acadêmica. Talvez isso não seja tão surpreendente. Assim como os rebeldes sociais, desde os anos 1960, tendiam a idealizar os bandos de caçadores-coletores, as gerações anteriores de poetas, anarquistas e boêmios tinham sido propensas a idealizar o Neolítico como uma teocracia benevolente governada por sacerdotisas da Grande Deusa, a onipotente ancestral distante de Inanna, Ishtar, Astarté e da própria Deméter —até que essas sociedades foram esmagadas pela chegada de homens patriarcais violentos, falantes de uma língua indo-europeia, vindos das estepes a cavalo ou, no caso do Oriente Médio, de nômades falantes de uma língua semítica, oriundos dos desertos. A maneira de enxergar esse confronto imaginário acabou criando uma grande divisão política no final do século xix e começo do século xx.

Para dar uma ideia do que se trata, vejamos Matilda Joslyn Gage (1826-1898), considerada em vida como uma das mais importantes feministas norte-americanas. Gage era também anticristã, atraída pelo “matriarcado” haudenosaunee, que acreditava ser um dos poucos exemplos restantes da organização social neolítica, e vigorosa defensora dos direitos indígenas, a ponto de ser adotada como mãe do clã mohawk. (Ela passou os anos finais de vida na casa de seu devotado genro, L. Frank Baum, autor dos livros de Oz — uma série de catorze volumes que, como muitos já mencionaram, traz rainhas, fadas e princesas, mas nenhuma figura masculina de autoridade.) Em Woman, Church, and State [A mulher, a igreja e o Estado] (1893), Gage postulou a existência universal de uma forma inicial de sociedade “conhecida como Matriarcado ou governo da Mãe”, em que as instituições governamentais e religiosas seguiam os moldes da relação entre a mãe e sua prole no lar. p. 237


Com essa politização tão intensa de leituras obviamente fantasiosas da pré-história, não admira muito que o tema do “matriarcado primitivo” tenha se tornado uma fonte de vergonha — o equivalente intelectual a uma zona proibida — para as gerações seguintes. Mas é difícil evitar a impressão de que de fato existe algo aqui. O grau de apagamento foi extraordinário, muito maior do que a mera suspeita de se tratar de uma teoria muito forçada ou ultrapassada justificaria. Entre os acadêmicos atuais, a crença no matriarcado primitivo é tratada  como uma espécie de crime intelectual, quase equivalente ao “racismo científico”, e seus expoentes foram eliminados da história: Gage, da história do feminismo; Gross, da história da psicologia (apesar de ter criado conceitos como introversão e extroversão e ter trabalhado com muita gente de destaque, desde Franz Kafka e os dadaístas de
Berlim a Max Weber). p. 238


Isso causa estranhamento. Afinal, um século parece tempo mais do que suficiente para a poeira se assentar. Por que o assunto ainda continua tão cercado de tabus? Muito dessa suscetibilidade provém de uma reação contra o legado de uma arqueóloga lituano-americana chamada Marija Gimbutas. Nos anos 1960 e 1970, Gimbutas era uma grande autoridade no período final da pré-história da Europa Oriental. Hoje em dia, costumam representá-la como uma figura excêntrica, a exemplo de rebeldes da psiquiatria como Otto Gross, acusada de tentar reviver a mais ridícula das velhas fantasias vitorianas sob vestes modernas. Não só isso é falso (entre os que desqualificam o seu trabalho, são pouquíssimos os que parecem ter de fato lido alguma coisa de sua obra), como também criou uma situação que torna difícil para os estudiosos sequer espe ularem como a hierarquia e a exploração vieram a criar raízes na esfera doméstica — a menos que se queira voltar a Rousseau e à noção simplista de
que a agricultura sedentária, de alguma maneira, gerou automaticamente o poder dos maridos sobre as esposas e dos pais sobre os filhos.

Na verdade, se lermos os livros de Gimbutas — como The Goddesses and Gods of Old Europe [Os deuses e deusas da Velha Europa] (1982) —, rapidamente percebemos que a autora estava se dedicando a algo que, até então, só os homens tinham sido autorizados a tentar: elaborar uma narrativa grandiosa sobre as origens da civilização eurasiana. Para isso, tomou como base o mesmo conceito de “áreas de cultura” que abordamos no capítulo anterior,  usando-o para afirmar que, em alguns aspectos (mas certamente não em todos), a velha história vitoriana sobre os agricultores adoradores da deusa e os invasores arianos era mesmo verdadeira. p. 238

Gimbutas estava empenhada em entender os contornos gerais de uma tradição cultural a que chamava de “Velha Europa”, um mundo de aldeias neolíticas sedentárias concentradas nos Bálcãs e no Mediterrâneo Oriental (mas se estendendo também mais ao norte), onde, segundo ela, homens e mulheres eram igualmente valorizados e as diferenças de riqueza e status eram bastante circunscritas. Segundo suas estimativas, a Velha Europa se estendeu mais ou menos de 7000 a.C. a 3500 a.C. — o que, mais uma vez, é um período considerável. Ela acreditava que essas sociedades eram essencialmente pacíficas e que compartilhavam
de um panteão comum sob a tutela de uma deusa suprema, cujo culto é atestado em centenas e centenas de estatuetas femininas — algumas pintadas com máscaras — encontradas em assentamentos 
neolíticos, desde o Oriente Médio até os Bálcãs.7

Segundo Gimbutas, a “Velha Europa” teve um fim catastrófico no terceiro milênio a.C., quando os Bálcãs foram invadidos por uma migração de povos criadores de gado — o chamado povo “kurgan” — originários da Estepe Pôntica, ao norte do mar Negro. O termo
kurgan se refere à característica de mais fácil identificação arqueológica desses grupos: túmulos de terra amontoados sobre as sepulturas dos guerreiros (tipicamente masculinos), enterrados com armas e ornamentos de ouro, e com extravagantes sacrifícios de animais e, por vezes, também de “dependentes” humanos. Todas essas características atestavam valores opostos ao etos comunitário da Velha Europa. Os grupos recém-chegados eram aristocráticos, “androcráticos” (ou seja, patriarcais) e extremamente belicosos. Gimbutas os considerava responsáveis pela difusão ocidental das línguas indo-europeias, pela instauração de novas espécies de sociedades baseadas na subordinação radical das mulheres e pela
ascensão dos guerreiros como casta dominante.

Conforme citamos, tudo isso guardava uma certa semelhança com as velhas fantasias vitorianas — mas havia diferenças fundamentais. A versão anterior se baseava numa antropologia evolucionária que considerava o matriarcado como a condição original da espécie humana porque, de início, as pessoas supostamente não entendiam a paternidade fisiológica e julgavam que as mulheres eram as únicas responsáveis pela procriação. Isso
significava, claro, que as comunidades caçadoras-coletoras anteriores deviam ser tão matrilineares e matriarcais quanto os primeiros agricultores, se não mais — algo que muitos inclusive defendiam como pressupostos básicos, apesar da total ausência de qualquer tipo evidência. p. 239

Gimbutas, porém, não propunha nada desse tipo: seu argumento tratava da autonomia e da prioridade ritual das mulheres no Neolítico europeu e médio-oriental. Todavia, nos anos 1990, muitas ideias suas se tornaram uma bandeira para ecofeministas, religiões New Age e uma legião de outros movimentos sociais, inspirando uma enxurrada de livros populares que iam do filosófico ao ridículo — e, nesse processo, acabaram se entrelaçando com algumas das velhas ideias vitorianas mais extravagantes. Em vista de tudo isso, muitos arqueólogos e historiadores concluíram que Gimbutas estava turvando as águas que dividiam a pesquisa científica da literatura popular. Não demorou muito, e ela passou a ser acusada de praticamente tudo de que a academia conseguiu lançar mão: desde escolher a dedo as evidências de acordo com sua conveniência a deixar de acompanhar os avanços
metodológicos, de se entregar a um sexismo às avessas ou de se comprazer em “mitificar”. Chegou até a se tornar alvo do supremo insulto da psicanálise pública, quando importantes periódicos acadêmicos publicaram artigos sugerindo que suas teorias sobre o
deslocamento da Velha Europa eram basicamente projeções fantasmagóricas de sua tumultuada experiência de vida, quando Gimbutas fugiu de sua terra natal, a Lituânia, ao final da Segunda Guerra Mundial e na esteira das invasões estrangeiras.8 Felizmente, talvez, a própria Gimbutas, falecida em 1994, não estava presente para acompanhar grande parte desses acontecimentos. Mas isso também significou que ela nunca pôde dar uma resposta. Algumas, talvez a maioria, dessas críticas continham elementos de verdade — embora sem dúvida se possam fazer críticas similares a praticamente qualquer arqueólogo que desenvolva um tema abarcando um extenso período histórico. Os argumentos de Gimbutas incluíam uma certa mitificação, o que em parte explica a humilhação geral de seu trabalho por parte da comunidade acadêmica. Mas, quando são os homens da academia
que se entregam a tal mitificação — e, como vimos, isso é bem frequente —, eles não só passam ilesos, como muitas vezes ganham prestigiosos prêmios literários e séries de palestras são batizadas com seu nome. É provável que se tenha considerado que Gimbutas estava invadindo, e deliberadamente subvertendo, um gênero de narrativa grandiosa que era (e ainda é) dominado por autores homens, como nós mesmos. No entanto, o que ganhou em
troca não foi um prêmio literário ou um lugar entre os respeitados ancestrais da arqueologia — foi o aviltamento póstumo quase universal ou, ainda pior, a conversão em objeto de desprezo desdenhoso. Pelo menos até bem pouco tempo atrás. p. 240

Nos últimos anos, a análise de dnas antigos — que não existia na época de Gimbutas — tem levado uma série de arqueólogos importantes a admitirem que pelo menos uma parte significativa da reconstituição feita por ela provavelmente estava correta. Se esses novos argumentos, apresentados com base na genética populacional, estiverem corretos pelo menos em termos gerais, então de fato houve uma expansão de povos pastores das pradarias
ao norte do mar Negro por volta da época que Gimbutas supusera: o terceiro milênio a.C. Alguns estudiosos inclusive afirmam que houve migrações maciças partindo das estepes eurasianas naquela época, levando ao realocamento da população e talvez à difusão de
línguas indo-europeias em extensos trechos da Europa Central, tal como concebera Gimbutas. Outros são bem mais cautelosos; mas, seja como for, após décadas de silêncio quase completo, de repente as pessoas voltam a falar sobre essas questões e, portanto, sobre a obra de Gimbutas.9

E quanto à outra metade do argumento de Gimbutas, de que as sociedades do Neolítico Inicial eram relativamente isentas de níveis e hierarquias? Antes mesmo de começar a responder a essa pergunta, é preciso esclarecer alguns equívocos. Gimbutas, na verdade, nunca afirmou com todas as letras a existência de matriarcados neolíticos. Na verdade, o termo parece ter significados bem variados para diferentes autores. Considerando que com
“matriarcado” se descreve uma sociedade em que há a preponderância de mulheres nas posições políticas formais, pode-se de fato dizer que é extremamente raro na história humana. Existem inúmeros exemplos de mulheres com poder executivo efetivo, comandando exércitos ou criando leis, mas são pouquíssimas, se é que existem, as sociedades em que se espera normalmente que apenas mulheres detenham o poder executivo, comandem exércitos ou criem leis. Mesmo rainhas fortes, como Elizabeth i da Inglaterraa Imperatriz Mãe da China ou Ranavalona i de Madagascar não nomearam principalmente outras mulheres como conselheiras, comandantes, juízas e ocupantes de altos cargos públicos.

Em todo caso, há outro termo — “ginarquia” ou “ginecocracia” — para descrever o papel político das mulheres. A palavra “matriarcado” significa algo bem diferente. Há aqui uma certa lógica: “patriarcado”, afinal, se refere não ao fato de que são os homens que ocupam cargos públicos, mas acima de tudo à autoridade dos patriarcas, isto é, os homens chefes de família — uma autoridade que opera como modelo simbólico e base econômica do poder
masculino em outros campos da vida social. O matriarcado poderia se referir a uma situação equivalente, em que o papel da mãe na casa também se torna o modelo, e a base econômica, para a autoridade feminina em outros aspectos da vida (o que não significa necessariamente a dominação em sentido violento ou exclusionista), e em decorrência disso as mulheres ganham uma preponderância no exercício do poder no dia a dia. p´. 241

Vistos dessa maneira, os matriarcados são bem reais. O próprio Kondiaronk presumivelmente vivia em um. Em sua época, os grupos falantes de iroquês, como os wendats, viviam em cidades formadas por casas comunitárias com cinco ou seis famílias. Cada uma era dirigida por um conselho de mulheres — os homens que moravam ali não tinham um conselho paralelo próprio —, cujas integrantes controlavam todos os estoques essenciais de alimentos, roupas e instrumentos. A esfera política em que atuava o próprio Kondiaronk era talvez a única na sociedade wendat que não tinha predomínio feminino, e mesmo assim havia conselhos de mulheres com poder de veto sobre qualquer decisão dos conselhos masculinos. Com essa definição, as nações Pueblo, como os hopis e os zuñis,
também se qualificariam como matriarcados, e os minangkabaus, um povo muçulmano de Sumatra, se descrevem como matriarcais exatamente por essas mesmas razões.10
É verdade que tais ordenamentos matriarcais são um tanto raros — pelo menos nos registros etnográficos, que cobrem aproximadamente os últimos duzentos anos. Mas, depois que se evidencia que esses ordenamentos podem existir, não temos nenhuma razão especial para excluir a possibilidade de que fossem mais comuns nos tempos neolíticos ou para supor que Gimbutas — ao procurá-los nesse período — estivesse fazendo algo intrinsecamente fantasioso ou equivocado. Como qualquer hipótese, é uma questão de avaliar e contextualizar as evidências. 
Isso nos leva de volta a Çatalhöyük. p. 242

Como realmente pode ter sido a vida na cidade neolítica mais famosa do mundo: Recentemente, uma série de descobertas entre a arte de
miniaturas de Çatalhöyük aparenta mostrar que a forma feminina era um foco especial de atenção ritual, de esmerada artesania e de reflexão simbólica sobre a vida e a morte. Uma delas é uma figura de argila com a frente feminina tipicamente corpulenta, que nas
costas, passando por braços de aparência emaciada, forma um esqueleto modelado de forma meticulosa. A cabeça, agora perdida, era fixada numa cavidade no topo. Outra estatueta feminina tem uma pequena cavidade no centro das costas, onde fora posta uma
semente de uma planta silvestre. E os escavadores encontraram dentro de uma plataforma doméstica, como as usadas para sepultamentos, uma estatueta feminina de calcário, muito bem entalhada e especialmente reveladora. Sua detalhada representação esclarece um aspecto das figuras de argila mais comuns: os seios murchos, a barriga caída e os depósitos de gordura aparentam representar não a gravidez, como se acreditava antes, mas sim a velhice.11
Essas descobertas sugerem que as estatuetas femininas mais comuns, embora claramente não fossem objetos de culto, tampouco eram bonecas ou brinquedos. Deusas? É pouco provável. Mas é bem possível que fossem alguma espécie de matriarcas, cujas formas revelavam um interesse em torno de anciãs como figuras de autoridade. E não se encontrou nenhuma representação equivalente para os homens. Claro que isso não significa que devamos ignorar as inúmeras outras estatuetas neolíticas que apresentam possíveis
atributos fálicos ou atributos masculino-femininos mistos, ou são tão simplificadas que nem conseguimos identificá-las direito como masculinas ou femininas, ou sequer como visivelmente humanas. 

Da mesma forma, as ocasionais ligações entre estatuetas e máscaras no Neolítico — atestadas tanto no Oriente Médio como na Europa Oriental12 — podem estar relacionadas com ocasiões ou apresentações em que tais distinções categóricas eram apagadas ou mesmo invertidas de forma deliberada (algo não muito diferente, digamos, das mascaradas da Costa do Pacífico na América do Norte, em que as divindades e os que faziam sua personificação eram quase sempre homens).

Não existe nenhuma evidência de que a população feminina de Çatalhöyük tivesse um padrão de vida melhor que o da população masculina. Estudos detalhados de esqueletos e dentes humanos revelam uma paridade básica na alimentação e saúde, bem como no tratamento ritual dos cadáveres masculinos e femininos.13 Mesmo assim, permanece a questão de que não existe nenhuma representação tão esmerada ou elaborada de formas masculinas na arte transportável de Çatalhöyük. Já a decoração das paredes é outro assunto. Quando surgem cenas coerentes nos murais remanescentes, referem-se sobretudo à caça e ao acuamento de animais como javalis, cervos, ursos e touros bravos. Os participantes são homens e meninos, aparentemente representados em diversos estágios da vida ou talvez ingressando em determinadas etapas com as provas de iniciação na caça. Algumas dessas figuras cheias de energia usam pele de leopardo; numa cena que retrata o cerco a um gamo, todos têm barba.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O triunfo da evolução e falência do criacionismo Niles Eldredge - Acertos, erros e críticas ao livro

Este trabalho é dividido nas seguintes partes:

1- Introdução

2- Acertos do livro

3- Erros e Contradições do livro


1-Introdução

Niles Eldredge
é um paleontólogo estadunidense que, juntamente com o colega Stephen Jay Gould, propôs uma teoria científica formulada originalmente em 1972 chamada de equilíbrio pontuado, segundo a qual a evolução das espécies não se dá de forma constante, mas alternando longos períodos de poucas mudanças com rápidos saltos transformativos.


O equilíbrio pontuado não desconsiderava o gradualismo e nem a seleção natural, que fazem parte da proposta original de Darwin; apenas sugeria uma explicação para a escassez de formas intermediárias no registro fóssil – um processo esperado. A crítica de Gould e Eldredge à Síntese foi o fato de ela desconsiderar outros tipos de explicação para as lacunas do registro geológico, considerando apenas sua imperfeição. Em relação à proposta de Darwin, o equilíbrio pontuado foi complementar, se considerarmos que Darwin admitia a existência de longos períodos em que as formas poderiam permanecer sem alterações. Adicionalmente, que sua proposta constituía num amplo programa de pesquisa aberto a novas contribuições, inclusive em relação ao registro geológico 



Veja abaixo a diferença entre o gradualismo e o equilíbrio pontuado:

Se desejar aprofundar leia esta introdução, caso contário pule esta secção

A hipótese (gradualismo) de que a evolução prossegue através da acumulação lenta de pequenas mutações genéticas e/ou recombinação gênica tem sido contestada por vários biólogos que argumentam que a especiação observada no registro fóssil não parece ser gradual, e que novas espécies podem aparecer repentinamente. 

Dando suporte a este ponto de vista, está o fato de que as modificações graduais ou a transição de uma espécie para outra em geral faltam no registro fóssil. Existe com frequência uma lacuna entre formas reconhecidamente aparentadas, porém distintas. Com efeito, nos raros casos em que uma espécie é representada por uma longa seqüência de fósseis, suas características, quase sempre, mostram variação, mas não uma mudança direcional, como esperada, se a seleção natural estivesse operando.

 Mais do que progredir através do acúmulo constante de pequenas modificações na estrutura, na fisiologia e no comportamento, a evolução parece alternar-se entre períodos de rápida modificação e períodos nos quais pouca ou nenhuma mudança ocorre (ESTASE ). O equilíbrio pontuado explicaria a existência de espécies reconhecíveis ao longo do tempo. Se espécies aparecem repentinamente através de súbitos ajustes estruturais genéticos, e então permanecem em equilíbrio estável até a próxima pontuação; então, essas espécies representam entidades distintas com estruturas e períodos de existência definidos

 Esta controvérsia entre as duas hipóteses está ilustrada na Figura 26.2. Durante o processo de especiação, uma nova espécie diverge como uma pequena população isolada da sua espécie parental. De acordo com o modelo gradualista, as espécies descendentes de um ancestral comum, assim que adquirem adaptações únicas, divergem mais e mais em sua morfologia. Os proponentes do modelo do equilíbrio pontuado acreditam que uma nova espécie se altera muito quando se separa de sua linhagem parental e, depois, se modifica minimamente para o resto de sua existência.



GRADUALISMO 

Um dos mais difíceis assuntos da Biologia Evolutiva, ainda um tema polêmico, é o fato de Darwin ter estado ou não certo quando argumentou que a evolução se processa por pequenas mudanças sucessivas. O principal problema reside no fato de que vários táxons superiores (por exemplo: o filo animal, ordens de insetos e de mamíferos) serem muito diferentes e não estarem conectados por estados intermediários. O termo gradualismo tem sido utilizado em dois sentidos distintos. 

O primeiro é o sentido que o próprio Darwin originou: a evolução acontece de forma gradual. Assim, a diferença entre organismos evoluiu por meio de formas intermediárias que atuaram como inúmeras pequenas etapas entre um organismo e outro.

SALTACIONISMO

 O oposto de evolução gradual é evolução em saltos ou SALTACIONISMO (grandes diferenças evoluíram por saltos, sem intermediários entre os estados ancestrais e os descendentes). Darwin foi obrigado a postular que as formas intermediárias haviam sido extintas e a admitir que o registro fóssil fosse extremamente incompleto, visto que se desconheciam (e permanecem desta forma até o presente) formas intermediárias para diversos organismos vivos e linhagens fósseis.


A gradualidade da evolução darwiniana tem pouca relação com a velocidade ou o ritmo da evolução; é um modo de alteração que depende do fenômeno populacional. A gradualidade diz respeito às mudanças nos organismos, provavelmente genéticas, entre duas gerações consecutivas (essas alterações estariam dentro da faixa de variação normal observada nas populações modernas). As alterações morfológicas podem surgir geologicamente de forma rápida, ainda que gradual. O segundo sentido de "gradualismo" é o de que as velocidades evolutivas são geologicamente lentas, constantes e comumente ORTOGENÉTICAS. 

O oposto seria a evolução quântica (alterações morfológicas rápidas em uma escala geológica). Este segundo sentido é equivalente ao GRADUALISMO FILÉTICO denominado por N. Eldredge e S. Gould (ELDREDGE & GOULD, 1972). Esta não é a maneira como Darwin utilizou o termo gradualismo, embora alguns evolucionistas pós-Darwin o tenham feito.


O primeiro sentido lida com a maneira como a evolução ocorre, o segundo trata do ritmo do processo evolutivo. Esta diferença foi apontada por diversos cientistas proeminentes. O trabalho de ERNST MAYR no processo de especiação peripátrica serviu de base para a formulação da hipótese do equilíbrio pontuado. Em seu livro Um argumento extenso (One long argument) de 1997, Mayr afirma: “entender a independência da gradualidade e da velocidade evolutiva é importante para avaliar a hipótese do equilíbrio pontuado”.

Os argumentos utilizados pelos gradualistas contemporâneos em defesa desta hipótese são baseados: 1. na real existência, para alguns taxa, de intermediários entre espécies atuais e extintas; 2. em considerações funcionais a respeito da intrincada e harmoniosa construção dos organismos. Darwin acreditava que se um caráter evolui, a seleção natural deve causar alterações compensatórias nos caracteres com funções interativas, equilibrando o dano da mutação; 3. nos efeitos adaptativos das mutações. Muitas mutações discretas (por exemplo, cor do olho ou forma de asa em Drosophila) apresentam efeitos pleiotrópicos diversos (no exemplo de  Drosophila essas mutações afetam a forma da espermateca – parte do sistema reprodutivo das fêmeas – diminuindo sua viabilidade); 4. na genética das diferenças das espécies: a impossibilidade de cruzamento entre espécies distintas (por não deixarem descendentes férteis) impede a determinação do número e do efeito fenotípico dos genes que resultam nas diferenças fenotípicas entre taxa mais primitivos 


EQUILÍBRIO PONTUADO

 Em 1972, NILES ELDREDGE e STEPHEN J AY GOULD publicaram sua hipótese do equilíbrio pontuado ou intermitente. Eles observaram que, na história de muitas linhagens fósseis, períodos longos, sem alterações – chamados estase – eram quebrados por curtos momentos de modificações rápidas, que não podiam ser observadas nos fósseis devido à sua velocidade, e que estes períodos menores estavam associados a eventos de especiação. Eles excederam tais observações, inferindo que a maior parte das alterações morfológicas ocorreu durante eventos de especiação.


Outra extrapolação derivada por Eldredge e Gould foi afirmarem que a maioria das espécies não se modificou muito durante a maior parte de suas vidas (diversos milhões de anos) e que quando houve modificações evolutivas, boa parte era CLADOGENÉTICA(ocorrendo durante eventos de especiação) em vez de ANAGENÉTICA(ocorrendo dentro de uma espécie). 

As afirmações de Eldredge e Gould contradizem o gradualismo darwiniano, iniciando uma controvérsia que persiste até hoje. Seu efeito positivo foi o revigoramento da Paleontologia (lembre-se de que ambos possuem esta formação científica!), demonstrando que essa área de estudos revela padrões não previstos por processos microevolutivos, e que tinha contribuições singulares a fazer. Seu efeito negativo foi o exagero de diferenças entre os neontólogos e os paleontólogos, inibindo sua comunicação. 

A hipótese do equilíbrio pontuado (EP) equipa os paleontólogos com uma explicação para os padrões que eles encontram no registro fóssil. Esse padrão inclui o característico surgimento abrupto de novas espécies, a relativa estabilidade da morfologia em espécies amplamente disseminadas, a distribuição de formas transicionais (quando estas são encontradas), as diferenças aparentes na morfologia entre espécies ancestral e filha, além do padrão de extinção das espécies.

 As características principais do EP são: 

• A Paleontologia deve se basear na Neontologia (estudo de espécies viventes ou recentemente extintas). 

• A maior parte dos eventos de especiação ocorre por cladogênese.

 • A maior parte dos eventos de especiação ocorre por especiação peripátrica.

 • Espécies amplamente distribuídas modificam-se lentamente durante seu tempo de existência; 

• As espécies-filhas desenvolvem-se em região geograficamente limitada. 

• As espécies-filhas desenvolvem-se em limitada extensão estratigráfica, que é pequena em relação ao tempo total de existência da espécie ancestral;

 • A amostragem do registro fóssil revela determinado padrão de estase para a maioria das espécies. O aparecimento repentino de novas espécies derivadas é conseqüência de sucessão ecológica e dispersão;

• As mudanças adaptativas nas linhagens ocorrem, na maior parte das vezes, durante períodos de especiação. 

• As tendências adaptativas acontecem através de um mecanismo de seleção de espécies.


 O EP depende do estudo de espécies modernas para seus princípios; isso ocorre porque o registro fóssil é incompleto. Essa imperfeição tem muitos fatores contribuintes. Os processos geológicos podem causar confusão ou erro, já que a velocidade de deposição de se dimentos pode variar, a erosão pode provocar o desaparecimento de algumas camadas, a compressão pode transformar os fósseis em um lixo irreconhecível, e vários outros motivos pelos quais um determinado registro fóssil acabe tornando-se o equivalente a um livro parcialmente queimado, totalmente desencadernado, do qual algumas páginas foram possivelmente embaralhadas e poucas permaneceram nas posições corretas. Além da Geologia, existe a Tafonomia – estudo de como os organismos tornam se preservados como fósseis. Aqui, outros fatores importantes estão envolvidos. As partes duras dos organismos fossilizam preferencialmente. As condições sob as quais até mesmo essas partes se fossilizam são bastante especiais. Tudo isso resulta em uma distribuição fortemente distorcida sobre as partes dos organismos que são fossilizadas e afeta o reconhecimento das características morfológicas que estarão disponíveis para uso na classificação das paleoespécies (espécies derivadas do estudo de fósseis). A questão geográfica entra nisso como conseqüência do fato de as linhagens atuais ocuparem nichos ecológicos que estão ligados a certas características geográficas de fossilização. Esses estudos indicam a importância da consideração das interações entre as espécies e as condições geográficas nas predições da distribuição e abundância de espécimes transicionais. Ainda que Eldredge e Gould reconheçam que os processos geológicos contribuem para a existência de "lacunas" no registro fóssil, afIrmam que o EP é notadamente a causa mais importante a ser considerada. 


EQUILÍBRIO PONTUADO: A HIPÓTESE E SEUS CRÍTICOS

 A Teoria Sintética da Evolução possui menos componentes propensos a má interpretação e crítica do que a hipótese do equilíbrio pontuado. Em alguns casos, afi rmações dos próprios autores, Niles Eldredge e Stephen Jay Gould, podem suscitar desconfianças e agirem como opositoras de si mesmas. O modelo pontuado de Eldredge e Gould foi muito publicado, mas, ironicamente, enquanto a hipótese foi desenvolvida especificamente para justificar a ausência de variedades transicionais entre as espécies, seu maior efeito parece ter sido o de haver chamado mais atenção para as lacunas no registro fóssil. Quando Eldredge aventou a questão com um grupo de escritores científicos, há alguns anos, suas conclusões foram amplamente reproduzidas e chegaram inclusive à primeira página do jornal inglês The Guardian Weekly; todavia, foi a ausência de formas transicionais que chamaram atenção, em particular do repórter, que intitulou o artigo de “Missing believed non-existent” (Ausência, acreditada como não-existente).


RICHARDS DAWKINS foi apelidado de “o menino mau do evolucionismo” devido ao seu espírito combativo em defesa do darwinismo. Valeu-se de sua inteligência e objetividade brilhantes para defender a Teoria da Evolução de Darwin e explicar as controvérsias criadas pelos criacionistas e pelos defensores de outras teorias evolutivas. No seu livro O relojoeiro cego, Richard Dawkins disserta sobre o equilíbrio pontuado: “Esta nova hipótese –equilíbrio pontuado – é a proposta feita pelos cientistas para lidar com o embaraço provocado pelo registro fóssil, de um modo geral, que se mostra na atualidade da mesma forma como foi encontrado em 1859, mesmo tendo-se em vista as "caçadas" intermitentes que lhe são feitas pelos especialistas. O que precisa ser dito agora, alto e bom som, é a verdade: que a teoria do equilíbrio pontuado reside solidamente dentro da síntese neodarwiniana. Sempre residiu. Levará tempo para corrigir o dano causado pela retórica excessiva, mas ele será corrigido” (DAWKINS, 1986). 

CONCLUSÃO 

As três hipóteses sobre a origem da diversidade das espécies, gradualismo, saltacionismo e equilíbrio pontuado, foram formuladas sobretudo com dados de morfologia e divergem principalmente quanto à forma como vêem o acúmulo de mutações (a velocidade evolutiva). Elas são utilizadas para explicar a diversidade da vida nos vários níveis hierárquicos, de espécies a fi los e reinos. A teoria do saltacionismo, que tem sido desacreditada pela nova Genética Molecular, estabelece que os BURACOS FENOTÍPICOS existam porque os intermediários nunca existiram, já que as espécies se originariam por meio de alterações drásticas (macromutações) que alterariam, e muito, o fenótipo gerando novas espécies." Controvérsias evolutivas III. Gradualismo e equilíbrio pontuado  cederj  p. 136-147


2- Acertos do livro

2.1 Religião e Ciências não são necessariamente contraditórios

p. 15

domingo, 21 de dezembro de 2025

Erros e acertos sobre o Criacionismo Cientifico/ Designe Inteligente em livros didáticos

No Criacionismo, em vez das espécies evoluírem de um ancestral comum elas evoluem de diversos ancestrais

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LIVRO ANALISADO:

 Evolução v. 3 / Antonio Solé-Cava. – Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.

 268p.; 19 x 26,5 cm. ISBN: 85-7648-246-0

  1. Seleção natural. 2. Adaptacionismo. 3. Endocruzamentos. 

 I. Silva, Edson Pereira da. II. LôboHajdu, Gisele. III. Título.

"Esse livro faz parte de uma coleção didática universitária. Ele foi produzido pela Fundação CECIERJ para o curso de Biologia do Consórcio CEDERJ (ensino superior a distância no Rio de Janeiro).

 Portanto, a escolaridade indicada para o uso desse material é nível universitário (graduação em Ciências Biológicas e áreas afins)."

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O LIVRO SERÁ ANALISADO EM 3 BLOCOS:

A- ACERTOS COM RESSALVAS
B- ERROS
C- PERGUNTAS AOS CRICIONISTAS

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A- ACERTOS COM RESSALVAS

1- Não existe necessariamente conflito entre religião e ciência

"EXISTE CONFLITO ENTRE RELIGIÃO E CIÊNCIA?
 Apesar de não existir, necessariamente, um conflito entre Religião e Ciência (negar isso seria dizer que a Religião depende da ignorância para existir, ou que todos os cientistas deveriam ser ateus – o que não é verdade),os criacionistas  procuram radicalizar o debate, reduzindo-o à dicotomia “crer em Deus” X “crer na Evolução”. p. 201

 Correção:

1-Apenas criacionistas da Terra Jovem radicalizam o debate.


"Para muitos criacionistas, cada palavra da Bíblia (particularmente do livro do Gênesis) deve ser tomada literalmente. Essa também era a posição da Igreja Católica no século XVII, quando a Inquisição declarou ser uma heresia a afirmação do matemático Galileu Galilei de que a Terra girava em torno do Sol (como dizia Copérnico), forçando-o, sob pena de morte, a afirmar, de joelhos, que, na verdade, era o Sol que girava em torno da Terra (como havia dito Ptolomeu). 

A visão de Galileu era considerada uma heresia, porque no Velho Testamento está declarado, explicitamente, que é o Sol que gira em torno da Terra. 
No livro de Josué, Capítulo 10, versículos 12-14, verifica-se que Josué ordena ao Sol e à Lua que parem seus movimentos no céu (“o Sol ficou parado, no meio do céu, durante um dia inteiro, sobre Gabaon, e a Lua, sobre o vale de Ajalon”), para que, com um dia mais longo, os exércitos de Israel pudessem derrotar os Amorreus, em Gabaon. Também no livro de Jó, Capítulo 9, versículo 7, está declarado que Deus pode “ordenar o Sol a não nascer” (em vez de dizer que ele pode “ordenar a Terra a parar de girar”). Curiosamente, somente em 1992 o Papa João Paulo II reconheceu que a Inquisição havia sido injusta com Galileu (350 anos após a sua morte!). p. 202

 Correção:

Galileu Galilei defendeu que o texto de Josúé na verdade ia contra o que a Igreja Ensinava (o geocentrismo). Defendeu a inspiração bíblica e as observações científicas, disse que se referia ao movimento de rotação. Na verdade a Bíblia narra todos os eventos a partir de um observador na terra, ou seja, sua narração é fenomenológica. ela não se pronuncia sobre Geocentrismo ou Teocentrismo como bem defendeu Galileu    https://catolicismoromanorefutado.blogspot.com/2024/05/galileu-acusado-de-heresia-igreja.html 


Na Aula 1, você conheceu algumas idéias do biólogo Stephen Gould. A respeito da temática que estamos discutimos, Gould afi rmou: Nenhuma teoria científica, incluindo evolução, ameaça a religião, pois esses dois grandes instrumentos da humanidade para entender o mundo funcionam de maneiras complementares (não contrárias), em domínios completamente distintos: a Ciência investiga os fatos do mundo natural, enquanto que a Religião busca o sentido espiritual e os valores éticos. p. 202


2- Tipos de Criacionismo judaico-cristão

"Do ponto de vista da interpretação dos escritos religiosos da criação do mundo, da vida e do homem, existem três linhas religiosas principais, particularmente em relação à versão judaico-cristã, do livro do Gênesis:

a) Criacionistas de uma Terra jovem: esses criacionistas acreditam que cada dia descrito no Gênesis corresponde a 24 horas de nosso tempo. Assim, a Terra não poderia ter mais de 7.000 anos (baseado em cálculos feitos sobre as várias gerações descritas no Velho Testamento), e toda a vida no planeta teria permanecido inalterada desde o sétimo dia da criação. " p. 203

Correção:

Mesmo os criacionistas da Terra Jovem acreditam que todos os felídeos tem um ancestral comum (macroevolução) assim como os canídeos também, bem como outros. Não acreditam somente em microevolução (adaptabilidade). Até mesmo o famoso Adalto Lourenço reconhece:

Já vimos, Deus não precisaria ter criado todas as variações, apenas ot tipos básicos de cada grupo...Além disso, cães, lobos, hienas, raposas, coiotes e chacais tiveram um mesmo ancestral comum (ver Apêndice 9) Gênesis 1 &2 . A mão de Deus na Criação. Adauto JOsé Boiança Louenço.São José dos Campos, SP:Fiel, 2011, p.199


Gênesis 1 &2 . A mão de Deus na Criação. Adauto JOsé Boiança Lourenço.São José dos Campos, SP:Fiel, 2011

De acordo com a teoria evolutiva, todos os organismos são historicamente  ligados à chamada árvore evolutiva, na qual se pode acompanhar em retrospecto as formas anatômicas, que passaram por mudanças gradativas, partindo de configurações anatômicas mais simples que se desenvolveram ao longo de muitas gerações, derivadas em última análise de um ancestral comum primitivo. Um ponto de vista contrastante discerne tipos distintos de organismos que compartilham de uma configuração anatômica e de um modo de desenvolvimento básicos. Esses conjuntos distintos de organismos estão mais próximos do nível taxonômico moderno da família. Suas características distintivas argumentam em favor da possibilidade de que cada grupo teve uma origem separada e singular. Evolução Teísta. Um crítica científica , filosófica e teológica . São Paulo: Vida NOva, 2022, p. 312

b) "Criacionistas de uma Terra antiga: esses criacionistas aceitam as evidências geológicas de que a Terra tem bilhões de anos e consideram que cada dia do Gênesis deve ser visto de maneira figurada, podendo significar milhões de anos. No entanto, não acreditam em evolução por ancestralidade: para eles, cada espécie foi criada independentemente." p. 203

Correção:

1-Tanto os criacionistas da Terra Jovem como da Antiga acreditam em macro e micro evolução. ambos acreditam que Deus criou um numero pequeno de tipos básicos dos quais descendem todos os seres vivos, exceto o homem. Os criacionistas não creem em macroevolução a nivel taxonomico mais distante como por exemplo : peixe  ➡anfibio réptilmamífero ou ave

2- o termo dia YOM em hebraico tem vários significados e não significa necessariamente dia de 24 horas, além disso o texto literal indica um período muito superior a 24 horas: https://criacionismodaterraantiga.blogspot.com/2014/02/criacionismo-da-terra-jovem-refutado.html

c) Teístas evolutivos: "da mesma forma que os criacionistas de uma Terra antiga, para esses a Terra tem, conforme evidências da Geologia, vários bilhões de anos, ou seja, cada dia do Gênesis deve ser visto de maneira figurada. Os teístas evolutivos, no entanto, crêem que a evolução biológica de fato ocorreu, conforme evidências da Paleontologia e do próprio estudo da Evolução, sem ver nisso, porém, qualquer conflito com sua fé religiosa. Para os teístas evolucionistas, da mesma forma que os dias no Gênesis podem ser vistos de forma figurada, também pode ser vista assim a origem das espécies. A Evolução, então, pode ter sido a maneira que Deus usou, e ainda usa, para completar sua Criação. Para os teístas, o livro do Gênesis se refere mais ao porquê, e não ao como foi feita a Criação."


Esses três tipos de criacionismo são incompatíveis entre si, e uma das perguntas a que os criacionistas têm dificuldade de responder é se acreditam que os outros criacionistas estejam tão errados quanto os evolucionistas, já que é difícil crer, ao mesmo tempo e usando a mesma (única) fonte de informações, que a Terra tenha tanto sete mil quanto vários bilhões de anos de idade" p. 203

Correção: 
A Bíblia não diz a idade da Terra, como já dito anteriormente. 



B- ERROS 

1- O criacionismo não pode ser uma teoria científica e se baseia na bíblia

"Argumento 1 – A Evolução é só uma teoria
Esse argumento não surgiria se as pessoas tivessem uma visão melhor sobre Filosofia da Ciência e do processo de construção do conhecimento científico. Todo o conhecimento científico evolui, e as bases sobre as quais as modifi cações acontecem são as Teorias Científicas. Já se passaram 150 anos desde a publicação, por Darwin, do livro A origem das espécies. Ao longo desse tempo, a teoria foi constantemente testada. O assunto é tão importante que, se algum cientista conseguisse evidências concretas (genes não respondendo à seleção natural, fósseis de humanos encontrados em rochas do período Cambriano, seqüências de DNA de genes humanos mais próximos dos genes de lagartos do que dos macacos, descoberta de mamíferos com seis membros etc.) de que a teoria evolutiva estivesse errada, ele certamente ganharia grande fama – provavelmente até um Prêmio Nobel! No entanto, todos os testes feitos até hoje serviram para confirmá-la e aperfeiçoá-la, como você viu ao longo de nossas aulas. 

Baseados nisso, podemos dizer que o criacionismo é uma teoria?

 O criacionismo só pode ser chamado de teoria no sentido mais popular da palavra (palpite, hipótese). O criacionismo não pode ser uma teoria científica porque: 
a) não é aberto à comprovação experimental;
 b) não tem como ser refutado (que tipo de fato natural poderia provar que o criacionismo está errado?);
 c) tem como base a fé, que é uma experiência individual e espiritual, não científica.

O que é uma teoria científica?
A palavra teoria pode ser usada, no dia-a-dia, com o sentido de palpite: “Eu tenho
uma teoria sobre quem está namorando o Pedro”. Também pode ser usada com
o sentido de hipótese: “Minha teoria é a de que os cariocas são mais altos que os
paulistas”. Ou como contraponto à prática: “Nosso curso tem aulas teóricas e práticas”.

No entanto, quando os cientistas falam sobre teoria, referem-se ao sentido original
da palavra. Uma teoria se origina a partir de um conjunto de hipóteses testadas e
confirmadas. As teorias científicas evoluem constantemente: até mesmo a Teoria da
Evolução que conhecemos hoje apresenta várias diferenças em relação à hipótese
da seleção natural originalmente descrita por Darwin. Tais teorias não são palpites
ou hipóteses; elas são constantemente testadas, tanto empiricamente como pela
descoberta de fatos naturais novos. A base da Ciência são as teorias. Exemplos bem
conhecidos são a Teoria da Evolução, a Teoria da Relatividade, a Teoria Quântica, a
Teoria dos Conjuntos e as Teorias da Probabilidade." p. 209



"Estratégia B: um criacionismo científico?
Essa estratégia depende, naturalmente, da definição do que é Ciência ou do que é o conhecimento científico. O conhecimento científico pode ser definido da seguinte forma:
se caracteriza por ser objetivo, quantitativo, homogêneo, generalizador, diferenciador; por estabelecer relações causais depois de investigação árdua e comprovações que as justifiquem.
É, portanto, resultado da pesquisa científica. Como o trabalho científico é permanente e contínuo, está aberto a mudanças. É um conhecimento em construção, logo, é uma produção histórica e social (HORA, 2004).
Ou seja, conhecimento científico procura relações causais e comprovações, o que o torna aberto a mudanças. 

Baseado nessa definição, podemos dizer que o criacionismo é uma ciência? Que evidências
poderiam fazer um criacionista mudar de ideia? Na Ciência, fatos novos são produzidos com frequência, que confirmam ou contrariam as teorias existentes. As teorias científicas são constantemente aperfeiçoadas, através de contínuos testes (a própria Teoria da Evolução mudou bastante desde a sua formulação original por Darwin, como você pode constatar
relendo as Aulas 3 e 4 de nosso Curso). 

A única fonte de informações do criacionismo é a Bíblia. É como se os biólogos usassem até hoje, sem questionamentos, a origem das espécies, de Darwin. Assim, o único evento que poderia, de fato, abalar a crença de um criacionista seria a descoberta de uma bíblia mais antiga que os escritos do Mar Morto, comprovadamente original, em que fosse declarado que as espécies haviam sido produto da Evolução. p. 207

Resposta:


1- O criacionismo é aberto a confirmação experimental por causa que suas previsões são passiveis de teste, como por exemplo a barreira genética, complexidade irredutível, o designe perfeito, etc. Inclusive exemplos de "bad designe",  DNA lixo, de tentativas de refutação, da complexidade irredutível,  etc são utilizados por evolucionistas como provas contra os vários tipos de criacionismo. Até mesmo o criacionismo religioso da terra jovem é passivel de refutação pois diz que a Terra não tem mais de 10.000 anos, ou que não existem galáxias bebês ou em formação, etc.
 
2-O criacionismo científico não se baseia na bíblia, mas o criacionismo religioso sim. O criacionismo científico tem em sua origem histórica o criacionismo religioso, mas não se confundem. 

3-O criacionismo científico , hoje conhecido como designe inteligente não se baseia na bíblia mas em:

A- Complexidade Irredutível (sistemas biológicos com partes interdependentes que não poderiam evoluir gradualmente)
B- Complexidade Específica (padrões informacionais complexos que não surgem do acaso)
C- Ajuste fino do Universo (constantes físicas e químicas perfeitamente calibradas para a vida)
D- Antevidência (capacidade de antecipar problemas futuros e já providenciar soluções)
E- Modelo de projeto (a vida projetada e há limites genéticos ) a árvore da vida não tem uma origem comum


A-Complexidade Irredutível:
Conceito: A vida possui sistemas (como o flagelo bacteriano ou a coagulação sanguínea) que são como "máquinas" com peças que precisam estar todas presentes e funcionando juntas para terem utilidade; a remoção de uma peça as torna inúteis.
Argumento do DI: Isso não poderia ter sido construído passo a passo pela seleção natural, pois as etapas intermediárias não teriam função. https://averacidadedafecrista.blogspot.com/2019/10/15-respostas-ao-evolucionismo-15.html  https://fatosdoevolucionismo.blogspot.com/2020/10/a-complexidade-irredutivel-foi-refutada.html

B-Complexidade Especificada (ou Informação Codificada):
Conceito: A informação genética (DNA) e outras estruturas biológicas contêm padrões complexos e específicos que transmitem significado, como uma linguagem ou código.
Argumento do DI: Essa informação não é aleatória e aponta para uma fonte inteligente, não processos naturais. Não há nenhuma evidencia científica que processos naturais produzam algo complexo e especifico em linguagem codificada  https://fatosdoevolucionismo.blogspot.com/2025/12/origem-da-vida-geracao-expontanea-x.html

C- Ajuste Fino (Sintonia Fina) do Universo:
Conceito: As leis e constantes físicas (gravidade, força nuclear, etc.) são tão precisamente ajustadas que, se fossem mínimasmente diferentes, a vida não seria possível na Terra.
Argumento do DI: Essa sintonia perfeita sugere um "afinador" inteligente por trás do cosmos.

D-Antevisão/Antecipação Genial (ou Antrópico):
Conceito: A capacidade de antecipar problemas futuros e já providenciar soluções, uma característica de design e inteligência.
Argumento do DI: Visto em sistemas biológicos complexos, sugere um planejamento, não acasos. 

E- Modelo de projeto (a vida projetada e há limites genéticos ) a árvore da vida não tem uma ÚNICA origem comum, mas tem VÁRIAS



arvore genealogica criacionista

No Criacionismo, em vez das espécies evoluírem de um ancestral comum elas evoluem de diversos ancestrais

2- O criacionismo é fixista, não crê na formação de novas espécies

"Argumento 3 – Os cientistas nunca viram a especiação acontecendo. Todo mundo sabe que filhotes de cachorro são cachorros, assim como filhotes de macaco são macacos, da mesma espécie que os pais. Os cientistas nunca viram uma espécie gerar filhotes de uma nova espécie. idéia de que espécies aparecerem a partir de outras espécies, então, é apenas uma hipótese, que nunca foi nem poderá ser provada, não é mesmo?

De fato, a especiação é um processo muito lento, podendo levar milhares de anos, que é muito mais tempo que a vida de um cientista. Assim, a maioria das especiações aconteceu mesmo sem ter um testemunho ocular que pudesse relatá-las. No entanto, a especiação, em alguns casos, pode acontecer de maneira muito rápida, de modo que as semelhanças nas seqüências gênicas permaneçam muito altas, apesar da presença do isolamento reprodutivo que caracteriza as espécies diferentes. Isso foi observado, por exemplo, nos peixes que vivem no Lago Vitóriana África. Esse lago passou por vários ciclos, em função do clima: em alguns momentos, era um grande lago (como hoje em dia), e, em outros, era fragmentado em muitos pequenos lagos. Com esse processo, várias espécies de Tilapia se originaram, mesmo em uma escala temporal muito reduzida (poucos milhares de anos), de modo que é possível acompanhar, a partir da alta semelhança genética, todo o processo. Mais surpreendente ainda: a especiação já foi produzida experimentalmente em moscas-da fruta (Drosophila), através de muitas gerações criadas em laboratório, em isolamento e com populações pequenas. De qualquer forma, a Ciência não pode se basear apenas naquilo que podemos observar hoje em dia. Senão, como seria possível existir uma ciência como a História?! Alguém já viu Júlio César? Então, será que ele não existiu? Ninguém duvida de que Júlio César tenha existido porque há evidências múltiplas e claras de sua existência. Assim, será razoável dizer que se ninguém houvesse visto a especiação ocorrer isso signifi caria que ela não existe, considerando que o número de evidências de especiações passadas é muito superior ao das evidências da existência de César?

Finalmente, a observação direta, que os criacionistas argumentam ser indispensável para a comprovação da Evolução, não é, de fato, necessária. Senão, não poderíamos acreditar que a Terra gira em torno do Sol (alguém já se posicionou fora do sistema solar para ver isso?) ou que o núcleo dos átomos é feito de prótons e nêutrons. O cientista age, muitas vezes, como um detetive, que consegue descobrir quem cometeu um crime a partir das evidências deixadas. Se fosse sempre necessário haver uma testemunha ocular para que os crimes fossem elucidados, como seria o trabalho da Justiça?" p. 211

Resposta:

Errado. Os criacionistas não são fixistas, crêem que as espécies podem formar outras espécies, como já respondido anteriormente acima. Eles não acreditam que existem evidencias de mudanças evolutivas a um nível taxonômico mais distante justamente por não ter evidências, interessante é que o mesmo livro no vol. 2 reconhece isso. 


"Um dos mais difíceis assuntos da Biologia Evolutiva, ainda um tema polêmico, é o fato de Darwin ter estado ou não certo quando argumentou que a evolução se processa por pequenas mudanças sucessivas. O principal problema reside no fato de que vários táxons superiores (por exemplo: o filo animal, ordens de insetos e de mamíferos) serem muito diferentes e não estarem conectados por estados intermediários. Solé-Cava, Antonio. Evolução v. 2 / Antonio Solé-Cava. – Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.p. 139

Nesse caso em específico nem a Teoria do Equilíbrio pontuado resolve este problema.

Os evolucionistas dizem que a maior prova da Evolução são os vírus e bactérias:

  • "a evolução ocorre "em ritmo lento demais para ser observado por qualquer cientista" (National Geografic de novembro de 2004, p. 66 ) 
  • A melhor forma de observar a evolução por seleção natural é estudar organismo cujo ciclo de vida seja curto o suficiente para que muitas gerações possam ser analisadas. Algumas bactérias podem se reproduzir a cada meia hora” (Cientific American- A evolução da evolução p. 32, ano 7 nº 81)
  • "Esses micróbios passam de animais selvagens ou domésticos ao ser humano, adaptando-se continuamente a novas circunstâncias. Tal capacidade inata de mutação permiti-lhes achar novas maneiras de enganar e derrotar o sistema imunológico. Graças á seleção natural adquirem resistência aos medicamentos que poderiam destruí-los. em suma, os microorganismos evoluem. Não há evidência melhor a favor da teoria darwiana do que esse processo de transformação forçada dos germes que são nossos inimigos.” (National Geografic de novembro de 2004, p.56-57).
  • "característica mais NOTÁVEL da vida tem sido A ESTABILIDADE de seu modo bacteriano, do início dos fósseis até hoje e, com quase toda certeza, por todo o futuro enquanto a Terra subsistir. Trata-se realmente da era das bactérias- como FOI NO INÍCIO, É AGORA E SEMPRE SERÁ"(Scientific American- Brasil p. 69- história 7 -O homem em busca das origens)

Conclusão: Uma vez bactéria, sempre bactéria, uma vez vírus sempre vírus. Surgem novas espécies, sim. 

O problema da Teoria Evolutiva é que a microevolução e a macroevolução a nível de espécies é extrapolada a níveis taxonômicos mais distantes, como vimos anteriormente. Vejamos a definição de micro e macroeolução. Inclusive erroneamente, criacionistas desinformados acham que microevolução inclui a formação de novas espécies, o que é um erro conceitual:

Microevolução "evolução restrita ao âmbito da espécie“ (Paleontologia Básica, P. 125, Editora Da Universidade De S.P, 1988.)
Macroevolução "envolve processos que conduzem a formação de espécies novas ou de táxons de categoria mais elevada " (Idem, p. 124).
"estamos falando do que é geralmente chamado de macroevolução ou evolução além do nível das espécies (Rensch 1959). Se a macroevolução pressupõe ou não processos diferentes da MICROEVOLUÇÃO ou mudança genética dentro das populações e espécies, constitui um assunto polêmico no início deste séc. e tem sido revivido por alguns palenteólogos e biólogos que estudam o desenvolvimento“

3- O pescoço da girafa evoluiu essencialmente por pressões alimentares

Argumento 4 – Se o crescimento do pescoço da girafa se deu porque era vantajoso ter pescoço longo para conseguir comer as folhas altas das árvores, por que os outros herbívoros não têm pescoço longo?

O argumento aqui é: se a seleção natural explica a evolução do pescoço da girafa, seria esperado que ela operasse também, com o mesmo fim, em outros animais, de modo que teríamos elefante de pescoço comprido, vaca de pescoço comprido etc. Essa é uma argumentação ingênua, embora possa aparecer em sala de aula. Como você a rebateria? A evolução das espécies depende, ao mesmo tempo, do potencial suficiente (dado pela variabilidade gênica) e das pressões seletivas específicas que atuam sobre ele. Achar que todos os herbívoros deveriam ter seguido o mesmo caminho evolutivo da girafa é considerar que as várias outras adaptações a nichos diferentes (comer grama, comer pequenos arbustos etc.) são menos importantes que poder comer folhas altas de árvores. Na verdade, o preço que as girafas pagam para poder explorar o nicho exclusivo de comer folhas do topo das árvores é fisiologicamente muito alto (como a necessidade de um sistema circulatório especializado para enviar o sangue até a cabeça). Assim, a evolução de um mamífero com pescoço tão comprido foi um evento raro, e poderia nem ter ocorrido. O fato de ele ter acontecido, portanto, não significa que seria a tendência natural de todos os herbívoros, já que muitos estão perfeitamente bem adaptados a comer grama ou pequenas plantas. p. 212


 Resposta:

 1- O criacionismo crê que um pescoço pode se alongar do mesmo modo que os tentilhoes de Darwin mudaram seus bicos por pressões ambientais tal qual como explicado pelos evolucionistas, pois ambos acreditam em macroevolução a nivel taxonômico menos  elevado como já mostrado anteriormente. Supor que a girafa tem um ancestral girafídeo não contraria o criacionismo atual, já que não é fixista

2- Existem teorias rivais sobre a causa primordial do pescoço longo da girafa

A hipótese predominante é que a competição entre os machos influenciou o comprimento do pescoço, mas a equipe de pesquisa descobriu que as girafas fêmeas têm pescoços proporcionalmente mais longos do que os machos — sugerindo que as altas necessidades nutricionais das fêmeas podem ter impulsionado a evolução dessa característica. https://www.sciencedaily.com/releases/2024/06/240603114245.htm?  https://www.psu.edu/news/eberly-college-science/story/food-not-sex-drove-evolution-giraffes-long-neck-new-study-finds?


A avaliação mais recente do tamanho e formato das girafas atuais vem de Doug Cavener, na Pensilvânia, EUA. Cavener e seus colegas combinaram dados de animais vivos em zoológicos com medições fotográficas de machos e fêmeas selvagens na Tanzânia. Ao medir o comprimento do pescoço, das pernas e do tronco de animais de zoológico com idade conhecida, eles descobriram que as fêmeas adultas, surpreendentemente, têm pescoços mais longos em relação ao tamanho do corpo do que os machos (os corpos das fêmeas ainda eram menores que os dos machos, mas seus pescoços eram proporcionalmente mais longos). Cavener et al. sugeriram que isso não corroborava a ideia de que o comprimento do pescoço era uma relação sexual e, em vez disso, reforçava a ideia original de competição por alimento, já que as fêmeas poderiam usar pescoços mais longos para se alimentar em locais mais profundos dentro dos arbustos.

No entanto, argumento que isso não é um teste da ideia de que o pescoço é uma função do sexo, pois essa hipótese não faz nenhuma previsão sobre o comprimento do pescoço feminino. Seus pescoços podem ser mais curtos ou mais longos, dependendo da seleção sexual. A hipótese se concentra na ideia de que os machos possuem pescoços longos e fortes para vencer rivais e obter acesso às fêmeas no cio. Essa teoria postula que os pescoços femininos são longos porque foram "arrastados" pela conhecida correlação genética entre os sexos, demonstrada experimentalmente em muitos experimentos de laboratório com moscas-das-frutas e outras espécies. Essa correlação genética também explica outras características não adaptativas, como mamilos em homens e presas em elefantas. Assim, os resultados de Cavener et al. fornecem informações interessantes, mas não constituem um teste da ideia de que o pescoço é uma função do sexo. 
https://africageographic.com/stories/necks-for-feeding-or-fighting-giraffe-evolution/? 


4- O criacionismo usa a Segunda Lei contra o Neodarwinismo

 Argumento 9 : A Segunda Lei da Termodinâmica estabelece que todo processo tem tendência à desordem (também chamada Entropia). A teoria evolutiva depende de um aumento de organização; portanto, é incompatível com as leis da Física.

Quando você nasceu, era menor e menos organizado do que é agora. No entanto, você cresceu, produziu novas moléculas, aumentou sua complexidade, ou seja, diminuiu sua entropia. Como isso foi possível?

Você contrariou a Segunda Lei da Termodinâmica? Pode ficar tranqüilo, você não quebrou a lei! Na verdade, a Segunda Lei da Termodinâmica diz que em um sistema fechado, haverá uma tendência a aumento de entropia. Você não é um sistema fechado, ou seja, existe energia entrando e saindo de você. Assim, você usou essa energia (na forma de alimentos) para se organizar. Em outras palavras, diminuiu sua entropia (crescendo) à custa do aumento da entropia da comida que comeu.

Mas de onde a vida no nosso planeta retirou energia para se organizar? De nossa grande fonte de energia: o Sol. O Sol está aumentando sua entropia, desorganizando-se e perdendo energia. Parte dessa energia é recebida pela Terra; é a fonte que permite que os sistemas vivos se organizem, cresçam e evoluam. p.214-215

Resposta:

Esse argumento não é usado na Evolução Biológica, que foi devidamento explicado no livro. Mas é usado na Evoluçao Quimica ou Origem da vida. Pois a Energia do Sol precisa ser transformada, isso é fácil para alguns seres vivos, mas impossível para seres não vivos  https://fatosdoevolucionismo.blogspot.com/2014/01/os-fatos-sobre-origem-da-vida.html

Todas as evidencias do surgimento da vida apontam para um Designer Inteligente https://fatosdoevolucionismo.blogspot.com/2014/01/os-fatos-sobre-origem-da-vida.html


5- O criacionismo despreza o fator tempo para a origem da vida

"Argumento 10 – O cientista francês Louis Pasteur provou, ainda no século XIX, que geração espontânea de vida a partir de matéria inanimada não era possível. Como podem os evolucionistas, então, desmentir Pasteur para explicar a origem da vida na Terra?

Ao contrário do que se pensava na época, Pasteur mostrou que as moscas não eram geradas espontaneamente da carne podre nem os ratos do lixo. Ele demonstrou que as moscas se originavam de outras moscas, e que o processo de apodrecimento se devia a organismos muito pequenos (os microorganismos). Se, por um lado, isso mostra que a vida no intervalo de tempo de alguns dias – ou anos, ou séculos – não se cria do nada, isso também não significa que, em uma escala de bilhões de anos, em condições propícias, a vida não possa ter se originado espontaneamente, ainda que inicialmente e, em formas extremamente simples." p. 215

Resposta:

Os argumentos criacionistas contra uma geração espontânea da vida não se baseia no fator tempo: https://fatosdoevolucionismo.blogspot.com/2014/01/os-fatos-sobre-origem-da-vida.html

Resumo direto: 

1. Incertezas fundamentais

  • Ninguém sabe quais compostos químicos estavam presentes na Terra há 4 bilhões de anos
  • Não sabemos como a natureza passou da química inorgânica para a biologia.
  • A síntese de nucleosídeos em laboratório não prova que esse foi o caminho natural.
  • “Como a não vida se tornou vida? Ainda não sabemos responder.”  (Marcelo Gleiser).

2. Hipótese da abiogênese

  • Baseada na evolução química, mas considerada mera hipótese, sem comprovação
  • A vida teria surgido de lenta acumulação de moléculas complexas.
  • Não há observação direta; apenas hipóteses testáveis.

3. Problema da “vida simples”

  • Não existe célula “muito simples”: até uma ameba contém informação equivalente a várias de enciclopédias, segundo o próprio Richard Dawkins
  • A ideia de formas primitivas extremamente simples é considerada falsa.

4. Probabilidade e tempo

  • Hoyle argumenta que a idade do universo (15 bilhões de anos) seria insuficiente para a complexidade da vida.
  • A chance de vida surgir espontaneamente seria tão improvável quanto um tufão montar um Boeing 747.

5. Condições ambientais

  • Vida complexa só possível em galáxias espirais com elementos como carbono e oxigênio.
  • Necessidade de posição adequada na galáxia, proteção de Júpiter, camada de ozônio, temperatura correta,  etc.

6. Problemas com radiação e atmosfera

  • Radiação UV poderia destruir moléculas recém-formadas.
  • Atmosfera primitiva controversa: provavelmente continha CO₂, CH₄, N₂, H₂, H₂O, H₂S.
  • Aminoácidos podem se formar por aquecimento em ambientes hidrotermais, mas não por radiação UV.
  • Água inibe formação de moléculas complexas (hidrolisa proteínas e ácidos nucleicos).

7. Catalisadores e energia

  • Formação de proteínas requer ATP e enzimas, mas estas não existiam na Terra primitiva.
  • Catalisadores inorgânicos são raros e improváveis.
  • Energia de ativação poderia destruir coacervados em vez de organizá-los.

8. Proteínas vs. ácidos nucleicos

  • Dilema: qual surgiu primeiro?
  • Possibilidades: polinucleotídeos autoduplicadores, polipeptídeos replicadores ou ambos simultâneos.
  • Muitos concluem que apenas células completas poderiam ser sistemas viáveis.
  • Evidência experimental de replicação sem enzimas é insuficiente.

9. Problemas com aminoácidos

  • Síntese pré-biótica gera mistura de enantiômeros D e L em proporções iguais.
  • Nos seres vivos, apenas aminoácidos L e nucleotídeos D são usados.
  • Não há explicação convincente para essa homociralidade.

10. Limitações empíricas

  • Não foi demonstrado em laboratório como polinucleotídeos poderiam se replicar sem enzimas.
  • A única demonstração foi a formação de proteinóides em condições ideais e com intervenção humana.

11. Complexidade irredutível

  • Fotossíntese é extremamente complexa, sem formas simples conhecidas.
  • Respiração celular também envolve múltiplas etapas.
  • Fossis mais antigos já mostram organismos relativamente complexos (cianofíceas e bactérias).


6- O olho da Lula é mais eficiente que o olho humano

  "Argumento 11 – Como estruturas tão perfeitas e complexas – como o olho humano – poderiam ter aparecido apenas por acaso? Certamente, sua existência comprova a existência de um ser superior, que as desenhou.

A evolução será devida apenas ao acaso? Essa é uma visão deturpada do que seja a Evolução! A mutação é devida, basicamente, ao acaso. A deriva gênica também é. Mas a seleção natural certamente não é um processo aleatório! Você viu, em uma de nossas primeiras simulações com o programa Populus (usando o módulo da wozzleologia), a força que a seleção natural pode ter ao dirigir o processo evolutivo. O olho humano, na verdade, nem é uma estrutura tão perfeita, pois apresenta – devido a contingências anatômicas decorrentes de nossa origem evolutiva como vertebrados – um ponto cego que precisa ser compensado por mecanismos neurológicos complexos. Curiosamente, os olhos das lulas e dos polvos são muito mais eficientes: eles não têm pontos cegos. Será que o ser superior que criou os homens e todos os animais preferia as lulas, desenhando para elas olhos mais eficientes que aqueles dos homens e outros mamíferos? "p. 216

Resposta:

1-O autor esqueceu de mostrar várias desvantagens do olhos das Lulas:

Complexidade funcional: O olho humano é mais versátil para ambientes variados, enquanto o das lulas é altamente especializado para o mar.

Proteção contra luz: Humanos têm mecanismos de defesa (íris, pigmentos), lulas são mais vulneráveis.

Visão cromática: Humanos enxergam cores; lulas dependem de contraste e polarização. https://pt.scienceaq.com/Nature/1004182442.html? https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960982223009880

Ponto cego: Curiosamente, as lulas têm uma vantagem anatômica — não possuem ponto cego, ao contrário dos humanos.

2- O autor comparou o olho de ser aquático com um ser terrestre, e omitiu ou não sabe das desvantagens:


Eficácia → capacidade de cumprir sua função principal (ver o ambiente e permitir sobrevivência).

Eficiência → desempenho otimizado, com menor gasto de energia ou maior versatilidade em diferentes condições.

 Olho da lula

 Eficaz: Sim, é altamente eficaz no ambiente marinho.

  • Capta luz em profundidades extremas.
  • Detecta contrastes e luz polarizada, útil para caça e camuflagem.
  • Não possui ponto cego, vantagem anatômica sobre humanos.

 "O ponto cego também não é um grande problema: ocupa uma parte muito limitada do campo visual e, em humanos e outros animais com grande sobreposição binocular, a direção cega de um olho é vista pelo outro. Os cefalópodes não apresentam nenhuma dessas falhas de projeto e podem parecer ter uma pequena vantagem. Mas a solução dos vertebrados também tem seus pontos positivos. Uma delas é que o espaço dentro do olho pode ser usado para acomodar um número substancial de interneurônios, o que economiza espaço valioso fora do olho, o que pode ser de particular importância para animais muito pequenos e juvenis* ( Kröger e Biehlmaier, 2009 ; Baden e Nilsson, 2022 https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960982223009880


Eficiência: Relativa. 
  • Mais vulnerável à luz intensa em águas rasas.


Olho humano

Eficaz: Sim, para ambientes terrestres.
  • Visão cromática ampla (cores).
  • Proteção contra excesso de luz (íris, pigmentos).

Eficiência: Alta em ambientes variados.
  • Adapta-se a diferentes intensidades de luz.
  • Mais versátil para múltiplos cenários (dia/noite, ambientes artificiais).
  • Sofre com ponto cego, mas o cérebro compensa.

 Conclusão

Olho da lula é mais eficaz no mar: especializado para sobrevivência em profundidades e comunicação por polarização. Mas o humano é mais eficaz fora do mar e para muitos ambientes com diferentes intensidades de luz

Olho humano é mais eficiente em versatilidade: funciona bem em diferentes ambientes, com visão cromática e mecanismos de proteção.


C- PERGUNTAS PARA OS CRIACIONISTAS

 A ARCA DE NOÉ E A BIOGEOGRAFIA

Além de argumentarem que a Terra tem menos de sete mil anos, os criacionistas também dizem que os eventos descritos na Bíblia sobre o Dilúvio Universal devem ser interpretados literalmente. Ou seja, Noé colocou numa arca, em sete dias (Gn, 7: 4-10), um casal de cada uma de todas as espécies terrestres do planeta. Após o dilúvio, que, segundo a Bíblia (Gn, 7: 21-23), matou todos os animais terrestres que não estavam na arca, Noé e sua família espalharam os animais e plantas pelo planeta. A história do Dilúvio é uma bela parábola. No entanto, a tentativa de interpretá-la literalmente é um dos pontos fracos do criacionismo, que podem ser explorados em discussões. Se a Bíblia deve ser interpretada literalmente e dá um relato muito detalhado do evento do dilúvio, os criacionistas devem ser capazes de responder:

a) "Bois e carneiros são animais extremamente úteis, que são explicitamente listados na Bíblia, na passagem sobre o dilúvio. Escorpiões, cobras e pragas não são listados; mas, como são animais terrestres, também deviam estar presentes na arca. Por que será que os fi lhos de Noé, que seguiram para as Américas e Oceania, não trouxeram consigo camelos, bois e carneiros, apesar de sua clara utilidade, mas escorpiões, cobras e pragas?" p. 218

Resposta:

1-O texto bíblico menciona que 7 casais de cada animial limpo e  um casal de cada animal impuros para sacrifícios foram colocados na arca, sendo assim a cobra ou seu ancestral foram sim colocados  na arca.

2- O texto não menciona insetos, que podem bem sobreviver em troncos por exemplo

3- Como ja respondido o criacionismo não ensina que Deus criou todos os animais que existem hoje, mas alguns grupos de animais que deram origem a todos os grupos de animais de hoje

4- Este tipo de pergunta mostra claramente o desconhecimento sobre o criacionismo.



b) 'Atualmente são conhecidas cerca de 2 milhões de espécies de insetos. A maioria delas tem distribuição geográfica restrita a continentes específicos. Como foram transportadas até a arca em apenas sete dias? E como todas elas foram levadas de volta, do monte Ararat aos seus locais de origem?" p. 218

Resposta:

1- Como respondido anteriormente, os insetos não precisam de arca para sobreviver, mas podem sobreviver em troncos por exemplo.

2- Como já dito nem todas as espécies de animais, insetos, aves ou quaisquer seres vivos foram criados por Deus, eles evoluíram de alguns ancestrais comuns.

3- Como a ilha de Madagascar foi povoada ? Os criacionistas tem a mesma exlicação que os evolucionistas, não dizem que Deus criou os Lêmueres em Madagascar:

Certamente os mamíferos não chegaram a Madagascar após tentar fugir de um zoológico em Nova York, como no cinema. Mas os cientistas dizem agora que eles também não ocuparam a ilha atravessando pontes de terra firme que poderiam ter existido no passado entre o lugar e o continente africano. A emoção foi maior: foram levados pelo mar, flutuando sobre pedaços de vegetação que caíram na água.
Eles não escolheram fazer a viagem, claro. Intensas tempestades fizeram a água subir e os animais foram arrastados por ela até o oceano, diz Matthew Huber, da Universidade Pardue, nos EUA.
Ele é um dos autores do trabalho publicado na revista "Nature". Segundo eles, a ocupação não aconteceu de uma vez só, e se deu a partir de 65 milhões de anos atrás.
As correntes marinhas antigas, segundo o trabalho, tinham condições favoráveis para que bichos do continente fossem levados até Madagascar. Mais: a viagem nos pedaços de madeira que usavam como "jangadas" era rápida o suficiente para que chegassem vivos -ainda que talvez desesperados- à ilha, após uma viagem de centenas de quilômetros.
A teoria explica por que existem apenas pequenos mamíferos em Madagascar -uma ligação por terra teria permitido que espécies grandes como girafas ou macacos também tivessem ocupado a ilha. Viajar pelo mar em um pedaço de madeira não é muito fácil para um elefante.
Os pequenos mamíferos deram origem aos animais hoje típicos de Madagascar, como os lêmures. Muitas espécies só podem ser encontradas por lá. Fruto do isolamento, que fez com que os bichos acabassem evoluindo independentemente.  https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2101201002.htm

c) Os criacionistas dizem que os fósseis dos dinossauros foram produzidos durante o dilúvio. Existiam dinossauros na arca? Se sim, considerando-se o tamanho imenso de vários deles (e são conhecidas centenas de espécies de dinossauros grandes), como foram acomodados na arca? Se não, isso significa que a Bíblia mente ao dizer que todas as espécies terrestres estavam presentes na arca?

Resposta:

1- Os criacionistas da terra jovem dizem que os fósseis de dinossauro foram produzidos pelo dilúvio, mas não os da terra antiga.

2- A bíblia não menciona se Dinossauros existiam ou não na época de Noé. 

3-Como já dito os criacionistas não dizem que todas as espécies de animais foram criadas por Deus tais como as conhecemos hoje, havia um numero muito menor, das quais o restante evoluiu a partir delas


d) Os pingüins são animais terrestres que não conseguem permanecer por longo tempo na água. Portanto, eles teriam morrido no dilúvio, a não ser que estivessem também na arca. Como eles foram da Antártida para a arca? Como voltaram? p. 219

Resposta:

E quem disse que pinguins existiam na época de NOé? Como ja dito o pinguin deve ter evoluído de outra ave, pois Deus não criou todas as espécies tais quais como as conhecemos.


e) "Por que várias espécies como preguiças, sagüis, onças, centenas de orquídeas, dezenas de espécies de ratos etc. só existem na América do Sul? Se elas foram salvas pela arca, por que algumas não foram mantidas em outras partes do mundo? A mesma coisa com cangurus, avestruzes, ornitorrincos etc. na Oceania. 'p. 219

Resposta:

Como ja dito várias vezes, os criacionistas creem na formação de novas espécies, nao são fixistas. As espécies evoluem apartir de um táxon ancestral criado por Deus. Elas são formadas  e adaptadas para os diferentes habitats


f) "A batata e o milho são plantas especialmente úteis na agricultura. No entanto, elas só foram introduzidas no Velho Mundo após a descoberta da América por Colombo. Essas plantas não poderiam ter sobrevivido a um dilúvio universal; então, elas estavam na arca. Por que plantas tão úteis, que poderiam ter amenizado a fome da população, não foram aproveitadas pelo povo de Noé, sendo levadas apenas para as Américas, não sendo deixadas em nenhuma outra parte do mundo?" p.219

Resposta:

Nem todas as espécies de seres vivos foram criadas por Deus no início,Várias delas evoluíram a apartir dos vários grupos dos primeiros seres criados por Deus. Criacionistas não são fixistas. O milho por exemplo vem do teosinto que é uma gramínea


g) "São conhecidas dezenas de espécies de vermes, vírus e parasitas que são exclusivas da espécie humana. Esses organismos não podem viver por muito tempo fora do homem, e muitos deles teriam se extinguido durante o dilúvio, a não ser que estivessem na arca. Seriam, então, Noé e seus familiares portadores de todas essas doenças ao mesmo tempo?" p. 219

Resposta

Nem todas as espécies de seres vivos foram criadas por Deus no início,Várias delas evoluíram a apartir dos vários grupos dos primeiros seres criados por Deus. Criacionistas não são fixistas. 

A resposta a essa pergunta é a mesma de um evolucionista.  Esses vermes, vírus e parasitas vem de ancestrais que eram de animais, mas ficaram restritos ao homem


h) Por que não há registro de qualquer dilúvio nos escritos históricos de outras civilizações (como a egípcia) existentes na época descrita, na Bíblia, como a do dilúvio universal (2000 a.C.)? Na verdade, a explicação mais lógica é a de que houve mesmo uma enorme enchente na região do Oriente Médio. O povo judeu – como a maioria dos povos da época – pensava que o mundo fosse muito menor; conseqüentemente, acreditou que tal enchente houvera atingido o mundo inteiro, ou seja, que ele tivesse sido um dilúvio universal. Vista dessa forma, a história do dilúvio é coerente, sua explicação religiosa é indiscutível e não há qualquer incompatibilidade com os dados científicos. A incompatibilidade surge, apenas, quando se tenta ler o texto da Bíblia de maneira literal, esquecendo que ele foi escrito para um povo específico e com linguagem adaptada àquele povo. p. 220

Resposta:

1-Há sim vários relatos de dilúvios de povos vizinhos.

2-A questão é que o Novo Testamento também diz que  apenas sobreviveu 8 pessoas. Independente de ser ou não universal



Não somente os profetas ensinam coisas sobre Deus. Também os cientistas fazem ensinamentos proféticos, pois a verdade é uma só. O ensino religioso deveria mostrar o capítulo do Gênese (da  Bíblia) como uma maravilhosa alegoria ou parábola, de grande valor moral. Jesus pregava freqüentemente por parábolas. As novas gerações muitas vezes não sabem sequer o que é uma parábola. Desconhecem o fato de que hoje inúmeros cristãos e muitos adeptos de outras religiões reconhecem e aceitam a importância da evolução biológica (NOGUEIRA-NETO, 2004). P. 203


Não cabe a um livro de evolução ditar normas como deve ser um ensino religioso, foge da sua competência