| Jesus não é palavra de Deus e sim sua fonte- logos |
Ao contrario dos pais da igreja posteriores, Inácio de Antioquia cria como os apóstolos que Jesus não foi gerado como Deus.
“Existe apenas um médico, carnal e espiritual, gerado e ingênito (não gerado), Deus feito carne, filho de Maria e Filho de Deus, vida verdadeira na morte, , um tempo passível e agora impassível, Jesus Cristo nosso Senhor." Padres Apostólicos. Inácio aos Efésios 7, São Paulo:Paulus, 2008, p. 84 Por volta de 110 d.C
“Existe apenas um médico, carnal e espiritual, gerado e ingênito (não gerado), Deus feito carne, filho de Maria e Filho de Deus, vida verdadeira na morte, , um tempo passível e agora impassível, Jesus Cristo nosso Senhor." Padres Apostólicos. Inácio aos Efésios 7, São Paulo:Paulus, 2008, p. 84 Por volta de 110 d.C
1-Por que Jesus não é literalmente a Palavra ?
Há, como vimos, marcantes diferenças entre João c todo esse conjunto de idéias acima. Antes, porém de analisarmos o prólogo, é necessário verificar as idéias veterotestamentárias que informaram a cristologia do Logos. O conceito de logos no AT (-► AT, abaixo) tem muita relação como Logos joanino, A palavra de Javé é o poder que cria (Gn 1; SI 33:6, 9) e sustenta o mundo (SI 147: 15-18; 148:8). A palavra de Javé traz luz, revelação e julgamento (Os 6:5; SI 119:19, etc.; Am 3:8, etc.), é efetiva para a salvação do povo de Deus (SI 147:15; Is 55:10 e segs,, etc.)* “Deve haver poucas dúvidas quanto ao conceito hebraico da palavra como ato desempenhar um grande papel na compreensão do significado do Logos. Na história e profecia do Antigo Testamento, a debar Yahweh sempre significava a atividade de Javé na criação, revelação e redenção” (R. Morgan, Interpretation, XI, 1957 159 e segs.). ... Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento ,p. 1531
(b) Princípio absoluto. Jo 1:1 dá a entender algo antes do tempo, i.é, não um começo dentro do tempo, mas um princípio absoluto, que se pode afirmar somente com respeito a Deus, de Quem não se pode predicar nenhuma categoria temporal. O Logos ( Palavra) é pré-existente, no sentido mais rigoroso, antes do mundo, e, portanto, antes do tempo que começa com o mundo. Este é o sentido também em 1 Jo 1:1; 2:3-4. A referência anterioor com o sujeito no neutro faz a intenção ainda mais clara. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento , p. 369-370
Portanto se Deus não tivesse criado o universo ele continuaria sendo uma trindade.
2-Jesus junto com o Pai e o Espírito criaram o Universo por meio da Palavra, portanto Jesus não é a palavra literal, Jesus fez o universo e o sustenta pela sua palavra:
1:1 Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
1:2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo
1:3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,
Gênesis 1:26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
Patrística
Palavra criativa na criação, analogia do pensamento/palavra
Logos também é a tradução da LXX para o Heb, dãbàr (palavra). No NT o emprego técnico do termo é confinado a Jo 1:1 e segs.: 1 Jo 1:1; Ap19:13 (cf. Hb 1:2; 4:12). Os apologistas do século II desenvolveram cristologias de Logos que apresentavam a crença em Jesus Cristo em termos de logos divino na criação Glossário, LXX
Deixando de lado a encarnação, de acordo com Justino as funções especiais do Logos são duas: ser o agente do Pai na criação e na ordenação do universo8 e revelar a verdade aos homens.9 No que diz respeito à Sua natureza, enquanto outros seres são “coisas feitas” (poiêmataw) ou “criaturas” (ktismata11), o Logos é a “geração” (gennêma12) de Deus, Seu “filho” (teknon13) e Seu “unigênito” (ho monogeriêsu)\ “No princípio, antes de todas as criaturas, Deus gerou um poder racional a partir de Si mesmo”.15 Nesse caso, para Justino, geração significa não a origem última do Logos ou da razão do Pai (isso ele não discute), mas Sua expressão ou emissão tendo em vista os propósitos da criação e da revelação; e ela é condicionada por uma ação da vontade do Pai, sendo resultado de tal ato.16 Mas essa geração ou emissão não implica nenhuma separação entre o Pai e Seu Filho, como deixa claro a analogia entre a razão humana e sua extrapolação na fala. “Quando pronunciamos uma palavra, fazemos nascer a palavra (ou razão) dentro de nós, mas sem diminuí-la, visto que sua expressão não acarreta rompimento algum. Observamos algo muito parecido quando fogo é aceso a partir de outro. Este fogo não experimenta diminuição, mas continua o mesmo; enquanto o fogo que é aceso parece existir por si próprio, sem diminuir o fogo em que teve origem.”1 Mais adiante,1 2 Justino utiliza a analogia da impossibilidade de fazer distinção entre a luz e o sol, que é sua fonte, para afirmar que “esse Poder é indivisível e inseparável do Pai”, e Sua distinção numérica do Pai não envolve nenhuma divisão na essência deste.
9. 1 apol. 5.4; 64.5; 2 apol 6.3.
10. 2 apol. 6.3; dial 62.4.
11. Dial. 61.1; 100.2.
12. 1 apol 21.1; dial 62.4.
13. Dial. 125.3.
14. Ibidem, 105.1.
15. Ibidem, 61.1.
16. Ibidem, 61.1; 100.4; 127.4; 128.4. p. 72-72
Taciano foi discípulo de Justino e, tal como seu mestre, falou3 que o Logos existia no Pai na forma de Sua racionalidade, tendo sido então gerado por um ato de Sua vontade. Também à semelhança de Justino, ele enfatizou4 a unidade essencial da Palavra com o Pai, empregando a mesma imagem de uma luz acesa a partir de outra. “O nascimento do Logos envolve uma distribuição (merismon), mas nenhuma ruptura (apokopen). O que se rompe é desligado de sua origem, mas aquilo que é distribuído passa por uma divisão na organização, sem empobrecer a fonte da qual deriva. Pois, assim como uma única tocha serve para acender várias fogueiras, e a luz da primeira tocha não enfraquece pelo fato de outras serem acesas a partir dela, o Verbo também procede do poder do Pai, sem privar de Seu próprio Verbo aquele que O gerou. Por exemplo, eu falo e tu me ouves; mas eu, que converso contigo, não fico desprovido de minha palavra ao transmiti-la a ti.” Ao mesmo tempo, Taciano acentuou5 mais do que Justino o contraste entre os dois estados sucessivos do Logos. Antes da criação, Deus estava só; o Logos estava imanente nEle como Sua potencialidade para criar todas as coisas. No momento da criação, porém, Ele irrompeu do Pai como Sua “obra primordial” (ergon prõtotokon). Uma vez nascido, sendo “espírito derivado de espírito, racionalidade derivada do poder racional”, Ele serviu como o instrumento do Pai na criação e no governo do universo, principalmente ao fazer os homens à imagem divina.6
O ensino de Teófilo de Antioquia seguia uma linha de raciocínio parecida, embora utilizasse abertamente os termos técnicos estóicos apropriados a seu sistema de idéias. “Deus”, escreveu,7 “tendo Sua Palavra imanente (endiatheton) em Suas entranhas, gerou-a juntamente com Sua sabedoria, emitindo-a antes do universo. Ele usou esse Verbo como Seu assistente em Sua obra criadora e por intermédio dEle fez iodas as coisas. Esse Verbo é chamado Princípio Primeiro, porque é o princípio e o Senhor de todas as coisas moldadas por Ele”. Além disso, tratando da filiação do Logos, Teófilo escreveu:8 “Ele não é Seu Filho na acepção em que os poetas e romancistas descrevem o nascimento dos filhos dos deuses, mas, sim, no sentido de que a verdade fala do Verbo considerando-o eternamente imanente (endiatheton) no seio do Pai. Pois antes que qualquer coisa viesse a existir, Ele O teve como Seu
3. Or. 5.1.
4. Ibidem, 5.1s.
5. Ibidem, 5.1.
6. Ibidem, 7.1s.
7. AdAutoL 2.10.
8. Ibidem, 2.22.
conselheiro, Sua própria inteligência e pensamento, mas quando Deus quis criar aquilo que planejara, Ele gerou e produziu (egenhêse prophorikori) esse Verbo, o primogênito de toda a criação. Dessa maneira, Ele não ficou despojado de Seu Verbo, mas, tendo-O gerado, fica sempre em Sua companhia”. Assim como Justino, Teófilo entendia que1 as teofanias do Antigo Testamento teriam sido de fato aparições do Logos. Em Si, Deus não pode estar limitado ao tempo e espaço, mas a função do Verbo que Ele gerou era justamente manifestar Sua mente e vontade na ordem criada. p. 74
Um relato bem mais completo é apresentado por Atenágoras. Numa passagem famosa,1 2 depois de afirmar que o Deus não criado, eterno e invisível deu origem e embelezou, e na realidade governa o universo mediante Seu Verbo, ele passa a identificar o Verbo com o Filho de Deus. Repudiando a objeção de que é ridícula a idéia de Deus ter um filho, ele protesta, dizendo que o Filho de Deus não é como os filhos dos homens, mas, sim, “o Verbo de Deus em idéia e em operação” (en idea kai energeia). Foi por Ele e por Seu intermédio que tudo se fez, e o Pai e o Filho formam uma unidade. “Estando o Filho no Pai e o Pai no Filho pela unidade e pelo poder do espírito divino, o Filho de Deus é a inteligência e a Palavra do Pai” (nous kai logos). Para deixar mais claro seu argumento, Atenágoras destaca então que, embora seja geração de Deus, Ele na verdade nunca passou a existir (ouch hõs genomenon), “pois desde o início Deus, sendo inteligência eterna, tinha Sua Palavra (logon) em Si mesmo, sendo eternamente racional” (aidiõs logikos). Uma descrição mais correta seria a de que Ele “Se manifestou” (proelthõn\ novamente a idéia de logos prophorikos) no mundo da matéria informe como a idéia arquetípica e força criadora. Em apoio a isso, ele cita Provérbios 8.22, “o Senhor me criou como um princípio de Seus caminhos para Suas obras”, sem, porém, enfatizar o verbo “criar”. Num capítulo posterior3, ele fala do “Deus verdadeiro e do Logos que deriva dEle”, passando a tratar da unidade e da comunhão que existe entre o Pai e o Filho; mais adiante,4 descreve o Filho como “inteligência, Palavra, sabedoria” do Pai.
No ensino dos apologistas, há dois pontos que, devido à sua importância abrangente, devem ser bem destacados, a saber: (a) para todos eles, a descrição “Deus Pai” não indicava a primeira Pessoa da Santa Trindade, mas a Divindade única, considerada autora de tudo o que existe; e (b) todos eles, incluindo Atenágoras, identificavam a geração do Logos e, conseqüentemente, Sua qualificação ao título de “Filho” não com o momento em que teria sido originado dentro do ser da Divindade, mas com o instante de sua emissão ou expressão com vistas aos propósitos da criação, revelação e redenção. p. 74
Teófilo realmente tinha a idéia da santa Tríade firmemente estabelecida em seu pensamento. Ele imaginava que Deus tinha Seu Verbo e Sua Sabedoria eternamente em Si, e gerou-Os5 tendo por propósito a criação; ele também foi claro6 ao dizer que, quando Deus Os expressou, Ele não Se esvaziou dEles, mas “está para sempre conversando com Seu Verbo”. Assim, a imagem elaborada pelos apologistas, ou seja, a de um homem expressando seu pensamento e seu Espírito em atividade externa, permitiu-lhes reconhecer, ainda que vagamente, a pluralidade na Divindade e ainda mostrar como 0 Verbo e o Espírito, embora realmente manifestos no mundo do tempo e do espaço, também podiam continuar dentro do ser do Pai, sem romper Sua unidade com Ele.p. 77
A razão desse enfoque, comum a todos os pensadores cristãos desse período, era o profundo interesse deles no princípio fundamental do monoteísmo, mas seu corolário inevitável era certo obscurecimento da posição do Filho e do Espírito como “pessoas” (para usar o jargão da teologia posterior) antes de serem gerados ou emitidos. Devido à sua ênfase na "economia”, esse tipo de pensamento tem sido rotulado de “trinitarismo econômico”. A descrição é apropriada e conveniente, desde que não se entenda que, por seu reconhecimento da Trindade revelada na “economia” e por seu interesse nisso, Irineu ria-se impedido de reconhecer também a misteriosa triunidade da vida interior de Deus. O objetivo básico da grande imagem ilustrativa que ele, como seus predecessores, empregou, a saber, a figura de um homem com suas funções intelectuais e espirituais, era destacar, mesmo que de modo inadequado, o fato de que existem distinções reais no ser imanente do Pai único, indivisível, e que, embora essas distinções tenham-se manifestado plenamente só na “economia”, na verdade elas existiam desde toda a eternidade. p. 80
Em primeiro lugar, portanto, ambos defendiam o conceito de que Deus existe, desde toda a eternidade, em solitude singular; ao mesmo tempo, com base na analogia das funções mentais do homem, Ele tem Sua razão ou Palavra imanente em Si mesmo, indivisível. Essa é a doutrina do Logos endiathetos, conhecida desde os apologistas, e Hipólito chega a usar1 2 o termo técnico. Para ele, como também para Taciano e Irineu, a Palavra de Deus e Sua Sabedoria são distintas, sendo na verdade o Filho e o Espírito considerados imanentes; mas Tertuliano acompanha3 a tradição que identifica a Sabedoria com a Palavra. Dessa maneira, Hipólito afirma que sempre existe uma pluralidade na Divindade, afirmando;4 “Embora só, Ele era múltiplo (monos õn polys ên), pois não estava sem Sua Palavra e sem Sua Sabedoria, Seu Poder e Seu Conselho”. Tertuliano é bem mais explícito, destacando5 que “antes de todas as coisas Deus estava só, sendo Seu próprio universo, localização, tudo. Entretanto, Ele estava só, no sentido de que não havia nada externo a Ele. Mesmo assim, porém, Ele não estava realmente só, pois tinha junto de Si aquela Razão que possuía em Seu próprio íntimo, isto é, Sua própria Razão”. Além disso, ele expõe muito mais claramente do que qualquer de seus predecessores a diversidade ou individualidade dessa razão ou Palavra imanente. A racionalidade, explica1 ele, por meio da qual uma pessoa cogita e planeja, é de alguma forma “outro” (alius) ou “um segundo” em si mesmo (cf. secunãus quodammodo in te est sermo)\ e assim também com a Palavra divina, com a qual Deus vem raciocinando desde a eternidade e que constitui “um segundo em relação a Si mesmo” (secundum a se). p. 82-83
Em segundo lugar, porém, a triplicidade do ser intrínseco de Deus manifesta-se na criação e na redenção. De acordo com Hipólito,1 2 quando Deus quis, Ele gerou Sua Palavra, usando-a para criar o universo, e Sua Sabedoria, para adorná-lo ou ordená-lo. Mais tarde ainda, tendo em vista a salvação do mundo, Ele fez com que a Palavra, até então invisível, se tornasse visível na encarnação
Tertuliano acompanhou os apologistas, indicando que7 Sua “geração perfeita” teria ocorrido quando Ele foi extrapolado para a obra da criação; antes desse momento, não se poderia dizer exatamente que Deus tinha um Filho,8 enquanto, depois disso, o termo “Pai”, que para os teólogos
1. Ibidem.
2. C. Noet. lOs.
3. C. Noet. 7; 11; 14.
4. Ibidem, 10: cf. ibidem, 8.
5. Ibidem, 10.
6. Ibidem, 15.
7. Adv. Prax. 7.
8. Adv. Hermog. 3.
O trinitarismo de Orígenes foi uma brilhante reinterpretação, em termos do mesmo medioplatonismo, da tradicional regra triádica de fé, com a qual ele estava comprometido como ministro. No topo de seu sistema, na condição de fonte e alvo de toda existência, transcendendo a mente e o próprio ser, ele colocou Deus Pai, “totalmente Mônada e, também, se é que posso expressá-lo desse modo, Hênada”.3 Só Ele é Deus no sentido estrito (autotheos), só Ele é “ingerado” (agennêtos), e é significativo que Cristo tivesse falado dEle como “o único Deus verdadeiro” (Jo 17.3).4 Sendo bondade e poder perfeitos, Ele sempre deve ter tido objetos sobre os quais exercia esses atributos, de maneira que trouxe à existência um mundo de seres espirituais, ou almas, coeternas consigo mesmo.5 Contudo, para fazer mediação entre Sua unidade absoluta e a multiplicidade de tais seres, Ele tem Seu Filho, Sua imagem expressa, o ponto de encontro de uma pluralidade de “aspectos” (epinoiai: que representam as idéias do platonismo propriamente dito) que explicam sua dupla relação com o Pai e com o mundo.6 Esses “aspectos” representam os múltiplos caracteres que a Palavra apresenta em Seu ser eterno (e. g., Sabedoria, Verdade, Vida) ou então em sua forma encarnada (por exemplo, Aquele que Cura, Porta, Ressurreição). Estando fora do tempo e sendo imutável, o Pai gera o Filho mediante um ato eterno (aei genna auton), de maneira que não se pode dizer que “houve um tempo quando Ele não existia”;7 além disso, 0 Filho é Deus, embora Sua deidade seja derivada e, assim, Ele é um “Deus secundário” (deuteros theos8). É notável o paralelo com Albino,9 que acreditava num Pai supremo que organizou a matéria por meio de um segundo Deus (a quem ele, no entanto, identificou com a Alma Mundial), como é notável o fato de ambos os pensadores terem concebido10 11 a geração do Filho como resultado de Sua contemplação do Pai. Mas, em terceiro lugar (e aqui ele percebe11
1. Strom. 6.138.1s; 7.9.4; 7.79.4.
2. Paed, 1.42.1: cf. ibidem, 3.101.2; prot. 118.4; quis div. 34.1; etc.
3. De princ. 1.1.6; c. Cels. 7.38.
4. In Ioh. 2.2.16; 2.10.75.
5. De princ. 1.2.10; 1.4.3; 2.9.1.
6. C. Cels. 2.64; in Ioh. 1.20.119.
7. De princ. 1.2.4; hom. in lerem. 9.4: cf. Plotino, enn. 5.1.6.
8. C. Cels. 5.39; in Ioh. 6.39.202.
9. Veja acima, p. 15.
10. Cf. Orígenes, in Ioh. 2.2.18; Albino, didask. 14.3.
11. De princ. 1.3.1-4. p. 95
...O Pai, o Filho e o Espírito Santo são “três Pessoas” (hypostaseis), declara Orígenes.1 2 Essa afirmação de que cada um dos Três é uma hipóstase distinta desde toda a eternidade, não se tendo manifestado apenas na “economia” (como acreditavam Tertuliano e Hipólito), é uma das principais características de sua doutrina, brotando diretamente da idéia de geração eterna. p. 96
Num campo mais limitado, o impacto do platonismo revela-se no subordinacionismo radical que é parte integrante da estrutura trinitária de Orígenes. Como vimos, só 0 Pai é autotheos\ de maneira que João, diz ele,1 descreve corretamente o Filho, chamando-o somente de theos, e não de ho theos. Em relação ao Deus do universo, Ele merece um nível secundário de honra,1 2 pois não é bondade e verdade absolutas: Sua bondade e verdade são reflexo e imagem do Pai.3 O mesmo se aplica à Sua atividade; o Filho é o agente do Pai (hypêretés) e executa Suas ordens, como no caso da criação.4 Por isso, ele conclui5 que “não devemos orar a qualquer ser gerado, nem mesmo a Cristo, mas somente ao Deus e Pai do universo, a quem nosso próprio Salvador orava”; se a oração é oferecida a Cristo, ela é transmitida por Ele ao Pai. Na verdade, o Filho e o Espírito são transcendidos pelo Pai ao menos na mesma intensidade com que Eles próprios transcendem a esfera de seres inferiores;6 e, se às vezes a linguagem de Orígenes parece contradizer isso, indicando7 que o Filho é Deus desde o princípio, a própria Palavra, a Sabedoria e a verdade absolutas, a explicação é que Ele assim pode parecer às criaturas, mas, do ponto de vista da Divindade inefável, é o primeiro na seqüência de emanações. Esse conceito de uma hierarquia descendente, resultado em si da formação platonizante de Orígenes, é resumido na afirmação8 de que, enquanto a ação do Pai estende-se a toda a realidade, a do filho limita-se aos seres racionais, e a do Espírito, àqueles que estão sendo santificados. p.98
Foi Gregório de Nissa, porém, quem apresentou o que seria a afirmação definitiva. O Espírito, ele ensina,1 sai de Deus e é de Cristo; Ele procede do Pai e recebe do Filho; não se pode separá-Ιo da Palavra. A partir daí, é curto o caminho até a idéia da dupla processão do Espírito. De acordo com Gregório de Nissa, 2 as três pessoas devem ser distinguidas por Sua origem: o Pai é a causa {to aition) e os outros dois “causados” (c/. to aitiaton.). As duas pessoas causadas têm ainda outra distinção, pois uma dElas é diretamente (prosechõs) produzida pelo Pai, enquanto a outra procede do Pai por meio de um intermediário. Visto por esse prisma, apenas o Filho tem direito ao título de Unigênito, e a relação do Espírito com o Pai não fica de modo algum prejudicada, porque Ele deriva Seu ser do Pai mediante o Filho. Em outra passagem, Gregório fala3 que o Filho se relaciona com o Espírito em termos de causa e efeito; para ilustrar a relação das três pessoas, ele emprega4 a analogia de uma tocha que primeiro dá sua luz a outra tocha e, então, por intermédio desta a uma terceira.
E visível que faz parte da doutrina de Gregório o fato de que o Filho, sem dúvida em subordinação ao Pai, que é o manancial da Trindade, atua como 0 agente na produção do Espírito. Acompanhando Gregório, costuma-se ensinar na Igreja Oriental que a processão do Espírito Santo é “da parte do Pai por intermédio do Filho”. Epifânio, após descrever o Espírito Santo, dizendo que Ele “procede do Pai e recebe do Filho”, dá mais um passo, influenciado talvez por seus contatos com 0 Ocidente, e omite a preposição crucial “mediante”. Para ele,5 o Espírito Santo “não é gerado, não é criado, não é coirmão nem irmão do Pai, nem genitor nem geração, mas da mesma substância do Pai e do Filho”. Ele é 0 “Espírito do Pai” e o “Espírito do Filho” não por intermédio de alguma composição análoga à do corpo e da alma num homem, mas “no centro do Pai e do Filho, saindo do Pai e do Filho”. Ele “procede de ambos, um Espírito derivado de espírito, pois Deus é espírito”.6 Recordamos que mais de cem anos antes, Orígenes havia ensinado7, com base em João 1.3, que 0 Espírito deve ser incluído entre as coisas que vieram a existir pela Palavra. A mesma teoria, com um forte cunho subordinacionista, reaparece em seus sucessores radicais, como Eusébio de Cesaréia.8 No entanto, de acordo com a formulação dos capadócios, a idéia da dupla processão do Pai por intermédio do Filho não tem nenhum vestígio de subordinacionismo, pois seu contexto é um reconhecimento sincero do homoousion do Espírito.
1. C. Maced. 2; 10; 12; 24.
2. Quod non sint ad fin.3. C. Eunom. 1.42 (PG 45, 464).
4. C. Marced. 6.
5. Ancor. 7.7s.
6. Ibidem, 70.
7. E. g.,in Ioh. 2.10.75s.
8. Veja acima, p. 192. Idem p. 198
Geração eterna não subordianiconista
Atanásio sustenta2 que Deus nunca pode estar sem Sua Palavra, da mesma forma como a luz nunca pode deixar de brilhar nem o manancial do rio deixar de fluir. Por isso, o Filho deve ter existido na eternidade junto com o Pai. A explicação disso é que Sua geração é um processo eterno; “assim como o Pai é sempre bom por natureza, Ele também é por natureza sempre generativo” (aei gennêtikos3). “É plenamente correto”, escreve ele,4 “chamá-Ιo de geração eterna do Pai, pois o Ser paterno jamais esteve incompleto, nunca precisou que se Lhe acrescentasse algum aspecto essencial; nem a geração do Filho é como a de um homem em relação a seu pai, o que exigiría que Ele tivesse vindo à existência depois do Pai. Pelo contrário, Ele é geração de Deus, e, uma vez que Deus é eterno e Ele Lhe pertence como Filho, existe desde a eternidade. E característico dos homens, devido à imperfeição de sua natureza, gerar no tempo; mas a geração de Deus é eterna, sendo Sua natureza sempre perfeita”. Tal como Irineu, Atanásio considera5 misteriosa a geração do Filho, mas, em sua interpretação6, deixa implícito que, longe de ser uma criatura, Ele deve, à semelhança da geração humana, derivar da natureza de Seu Pai e dela participar. Isso não significa que devemos forçar a analogia da geração humana a ponto de concluir que o Filho é como uma porção de substância divina separada do Pai; isso é impossível — a natureza divina é imaterial e não está dividida em partes.7 Nem significa que a geração do Filho seja, como afirmavam os arianos, resultado de um ato definido da vontade do Pai, o que reduziría a condição do Filho à de mera criatura. Certamente, isso ocorre de acordo com a vontade do Pai, mas é ilusório falar de um ato específico de volição com respeito a um processo eterno inerente na própria natureza de Deus.8 Também devemos rejeitar a indicação de que, ao contrário do Pai, o Filho não é agennetos, caso a conotação dada a esse termo ambíguo seja de “eternamente existente” ou “incriado”, embora, é claro, ele não seja agennetos, se a palavra retém seu sentido etimológico de “ingerado”.9. Atanásio está certo de que, na condição de geração (gennêma) do Pai, o Filho tem de ser realmente distinto (heteron) dEle;10 e, uma vez que a geração é eterna,
1.De syn. 51.
2.E. g.,c.Ar. 2.32.
3.Ibidem, 3.66.
4.Ibidem, 1.14.
5.C. Ar. 2.36; 3.66s.
6.Ibidem, 1.26-28; 2.59s.
7.De decret. 11.
8.C.Ar. 3.59-66.
9.Ibidem, 1.31; de decret. 28-30.
10.C.Ar. 3.4. p. 184
segue-se que a distinção também é eterna, não pertencendo simplesmente à “economia”. No entanto, conclui-se também que, na condição de Filho derivado do ser de Seu Pai, Ele deve partilhar da mesma natureza. Na expressão de Atanásio.1 "o Filho é diferente das criaturas em espécie e natureza (heterogen.es kai heterophyês): ou melhor, ele pertence à substância do Pai (tês tou patros ousias idios) e é da mesma natureza”. Considerados como duas pessoas, portanto, o Pai e o Filho são “iguais” (homoioi). O Filho é a imagem do Pai;1 2 Ele é o rio e o Pai é 0 manancial; Ele é 0 brilho e o Pai, a luz.3 Por isso, todo aquele que vê Cristo, vê o Pai, “porque o Filho pertence à substância do Pai e porque Ele é totalmente semelhante (kata panta homoiotéta) ao Pai”.4 Essa semelhança, contudo, não é externa, como a que existe entre um homem e outro,5 mas se estende à Sua própria substância ou natureza. “Ele é a geração”, diz 6 Atanásio, “da substância de Seu Pai, de modo que ninguém pode duvidar de que, devido à Sua semelhança com Seu Pai imutável, a Palavra também seja imutável”. p. 185
Tanto Atanásio quanto Hilário, deve-se notar, ao fazerem concessões aos homoiousianos. aceitavam1 com naturalidade que o Filho é uma geração real e deriva Sua substância da substância do Pai....p. 192
Basílio comenta:1 “No Filho é visto tudo aquilo que o Pai é, e tudo o que 0 Filho é pertence ao Pai. O Filho como um todo habita no Pai e, por sua vez, possui em Si o Pai como um todo. Assim, a hipóstase do Filho é como a forma e a apresentação pelas quais o Pai é conhecido, e a hipóstase do Pai é reconhecida na forma do Filho”. Temos aqui a doutrina da co-inerência das pessoas divinas, ou “pericorese“, como foi mais tarde chamada. Pode-se afirmar que a Divindade existe “não-dividida... em pessoas divididas” (ameristos en memerismenois... he theotês1 2), e há uma “identidade de natureza” (tautotês physeõs) nas três hipóstases.3 “Confessamos”, escreve4 Evágrio Pôntico, “a identidade de natureza e, assim, aceitamos o homoousion.... Pois Aquele que é Deus, com relação à substância, é consubstanciai com Aquele que é Deus com relação à substância”. Gregário de Nazianzo explica5 a posição, declarando: “Os três possuem uma só natureza, a saber, Deus, sendo que a base da unidade é o Pai, de quem e para quem enumeram-se as pessoas subseqüentes”. Embora se exclua todo subordinacionismo, aos olhos dos capadócios o Pai continua sendo a fonte, o manancial ou o princípio da Divindade. p. 199
Por isso Agostinho ensinou, mais inequivocamente do que qualquer dos pais ocidentais que o precederam,5 a doutrina da dupla processâo do Espírito a partir do Pai e do Filho (filioque). Respondendo à objeção de que, uma vez que o Filho e o Espírito derivam do Pai, deve haver dois Filhos, ele declarou:6 “O Filho vem do Pai, o Espírito também vem do Pai. Mas o primeiro é gerado, o último procede. De sorte que o primeiro é Filho do Pai, de quem é gerado, mas o último é o Espírito de ambos, visto que procede de ambos... O Pai é o autor da processâo do Espírito porque Ele gerou tal Filho e, ao gerá-Ιo, também tornou-O a fonte da qual 0 Espírito procede”. A questão é que, se o Pai deu tudo o que possui ao Filho, dar-Lhe a capacidade de outorgar o Espírito.7 Agostinho nos adverte8 que não se deve inferir que o Espírito tem, portanto, duas fontes ou princípios; pelo contrário, a ação do Pai e do Filho ao outorgarem o Espírito é comum, assim como a ação das três pessoas na criação. Além disso, apesar da dupla processâo, o Pai continua sendo a fonte primordial (e/. de patre principaliter... communiter de utroque procedit), na medida em que é dEle que 0 Filho deriva Seu poder de outorgar o Espírito.9 p. 208
Resposta:
Disso resulta que é eterno, pois tudo o que existe com base na necessidade pura e simples é eterno. E aquilo que é eterno é não gerado e imperecível. (ARISTÓTELES- Etica a Eudemo. São Paulo: Edipro, 2015, p. 181)
7- O termo unigênito no grego, não se refere a unico gerado, mas a singularidade, unico do tipo. O Lexico de Strong recomenda o uso do DITNT, que diz:
Filosofia grega:
Logos (Gr. logos, palavra, raciocínio). A noção do Logos figurou na filosofia gr. a partir de Heráclito (c. de 500 a.C.) que o entendeu como raciocínio universal que permeia e governa o mundo. Foi adotada pelos filósofos estóicos neste sentido. Glossário, LXXI ...
Na filosofia grega o conceito de logos tem importância a partir de Heráclito (c. 500 a .C.) para o qual logos era o princípio unificador do mundo - que constantemente mudava. “Em Heráclito, as três concepções, Logos, fogo e Deus são fundamentalmente a mesma. Compreendido como Logos, Deus é a Sabedoria onipresente pela qual todas as coisas são governadas” (J. Adam, TheReligious Teachers of Greece, 1909, pág. 217)* p.1529
Após Heráclito, o conceito de logos foi utilizado, em grande escala, pelos estóicos, para os quais o fogo era a fonte primordial de toda a realdade. Esse fogo-críativo era conhecido como logos spermatikos, a Razão Seminal. Eles concebiam, entretanto, de vários logoi spermatikoi — as forças responsáveis pelos ciclos criativos da natureza. Em ambos os casos, Heráclito e os estóicos, o logos é impessoal, é uma força, um princípio unificador e, embora fizessem parte do mundo do pensamento na época de João, nâo tem relação direta com o conceito dele p. 1530
João poderia laçar mão do conceito de Logos como princípio ordenador do Universo, mas apresentando-o como ser pessoal, o próprio Deus
Nos Targuns judaicos
Menra (Aram. mêmrã\ palavra) é empregado em lit. judaica para significar o logos divino e criador, que manifesta o poder de Deus no mundo e na mente humana, ... Possivelmente subjaz Jo cap. 1. Às vezes era empregado nos Targum ao invés de Javé, para evitar antropomorfismo. Glossário, LXXNos Targuns aramaicos, a palavra (memra) é constantemente usada como uma designação de Deus. A memra não é um intermediário, como a Torah mas um termo susbstituto para o próprio Deus. “E. M. Sidebottom dá a sua força nestes termos: "memra, portanto, não é um princípio mediador, e também não é a palavra criativa dos salmos. .. é o Nome do próprio Deus, talvez com a sugestão especial da autorevelação de Deus’ ” (L. Morris, The Gospel According to John, NICONT, pág. 120 n.).p. 1530
Por Fílon de Alexandria
O logos era é cabeça do universo, intermediário, gerado por Deus Pai, impessoalO pensador helenístico judeu, Filo (c, de 20 a.C. — c. de 50 d.C.) considerava o Logos como sendo um agente intermediário mais do que um poder imanente. Glossário, LXXI
6. O emprego que Filo fazia de kephalè era original. O logos (-* palavra) é a “cabeça” do universo que Deus criou, sua fonte de vida, seu senhor supremo, seu soberano. “Carimba o mundo como se faz com um selo, separa espécies e gêneros como aquele que corta . . . e, por meio do eikôn [-> Imagem] celestial, lhes dá uma participação em Deus” (C. Colpe, RGG3 V 343 Conhecimento* art ginóskõ). p. 255
4. No juduaísmo helenistico, Filo aplicava gennaõ a Deus na Sua obra de Criador (Leg. A li 3, 219). O logos (-* Palavra), animais e plantas são gerados por Deus (Conf, Ling. 63; Mut. Nom. 63; cf. Migr. Abr. 35). Filo, no entanto, não aplicava esta idéia ao relacionamento entre Deus e os piedosos. O emprego que Filo fazia da palavra se contrasta com o Credo de Nicéia no século IV, que empregou gennaõ quanto ao Pai gerar o Filho, e ktizõ (“criar”), porém, com respeito ao mundo, p. 1363
Filo, o expoente maior do pensamento judaico helenista, ‘‘usa o termo Logos para expressar o conceito de um mediador entre o Deus transcendente e o universo, um poder imanente, ativo na criação e na revelação; mas embora o Logos seja freqüentemente personificado, ele nunca é verdadeiramente personalizado”, W. F. Howard, Christianity according to St. John, 1943, pág. 38. p. 1530
Como visto acima, Fílon apresenta a Palavra como gerada, e de fato é, como também impessoal.
Conclusões:
