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domingo, 17 de janeiro de 2016

A Salvação dos que nunca ouviram o evangelho (pagãs)

O texto abaixo é uma adaptação da Teologia Sistemática de Norman Geilser, editora CPAD



At 17:24  O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.25  Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;26  de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;27  para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;28  pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração

1-INTRODUÇÃO
Grande parte da população mundial  nunca ouviu uma apresentação clara do evangelho, pelo menos nunca ouviram no seu próprio idioma. Além disso tem os que morreram sem nunca ter ouvido.
Se Deus é Todo-amoroso, como Ele poderia lançar pessoas que jamais ouviram as Boas Novas da salvação no inferno?
Seria justo Deus lançar no inferno pessoas que jamais ouviram o único evangelho pelo qual poderiam ser salvas? Esta pergunta, na verdade, tem uma série de outras implicações que serão aqui examinadas.

2-CONCEITOS BÍBLICOS

2.1 Os Pagãos Estão Perdidos sem arrependimento
 “como por um homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que  todos pecaram” (Rm 5.12). 
“Desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” (Rm 1.20). “Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados” (Rm 2.12)
"Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo
eles lei, para si mesmos são lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os. (Rm 2:14,15)
“porque não há diferença [...] porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.22,23).


2.2 Não existe salvação à parte da Obra de Cristo
 “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” ( Jo 14.6).
 “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Tm 2.5).
Mas, agora, na consumação dos séculos, [Cristo] uma vez se manifestou, para aniquilar
o pecado pelo sacrifício de si mesmo [...] mas este, havendo oferecido um único sacrifício
pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus [...] Porque, com uma só
oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados. (9.26; 10.12, 14)
E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. (At 4.12)
Seria Possível a Salvação dos Pagãos sem a Aceitação de Cristo por parte deles?
De acordo com a posição da revelação especial, com a qual concordamos, não existe
16  Pois assim amou Deus ao mundo, que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.
17  Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
18  Quem nele crê, não é julgado; o que não crê, já está julgado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus.


3- É JUSTO CONDENAR UMA PESSOA QUE NUNCA OUVIU O EVANGELHO?
Sim,CASO ELA não responda positivamente a à luz da revelação geral:

Primeira, todos receberam a revelação geral de Deus, por meio das coisas criadas.
 At 1:20  Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;
21  porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.
22  Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos
23  e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.


At 14:15  Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles;
16  o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;
17  contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.


At 17:24  O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.
25  Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;
26  de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;
27  para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;
28  pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.

Segunda, Deus se revelou na própria consciência deles; se eles rejeitarem esta luz, Deus não
é obrigado a lhes proporcionar mais nada, já que viraram as costas para a luz que já possuíam 
At 2:14  Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.
15  Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se,

16  no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.

Se um homem estivesse perdido na escuridão de uma mata muito densa e somente tivesse um feixe de luz para seguir, ele deveria seguí-lo, pois se virar as costas para ele estará eternamente perdido nas trevas e não poderá culpar ninguém mais além de si mesmo


A terceira,  Deus vai proporcionar aos pagãos uma porção suficiente da revelação especial caso eles o busquem por intermédio da revelação geral. (ver 4.2)
Em termos gerais, isto pode ser feito por intermédio de, pelo menos, duas maneiras:
(1) através do envio de um crente para testemunhar do evangelho aos grupos pagãos ou
(2) por meio de sonhos, visões e revelações específicas.


4- A BASE DA SALVAÇÃO DOS PAGÃOS
A Bíblia ensina que a  morte e a ressurreição de Cristo (o fato da consumação da sua obra) são necessárias para a salvação de todas as pessoas.

  • Contudo, os defensores de que a salvação pode ser obtida por intermédio da revelação geral insistem que não é necessário termos o conhecimento daquilo que Cristo fez por nós. Dessa forma, todos os versículos (vide adiante) que indicam que a morte e a ressurreição de Cristo são soteriologicamente necessárias, devem ser considerados referências ao fato do sacrifício de Cristo e não ao conhecimento explícito desta verdade. 


  • Já os que defensores da outra posição defendem que só existe salvação por meio do conhecimento explícito do fato do sacrifício de Cristo, a pregação das boas novas de salvação. Vejamos agora estas duas vertentes:

4.1- Resposta à luz da Revelação Geral
 Alguns acreditam que os pagãos podem ser salvos sem o evangelho, pela sua resposta à luz da revelação geral (a “criação natural” e a sua própria “consciência”). Ou seja,  se a revelação especial de Deus acerca do plano de salvação não chegar até a pessoa, o que ela compreender e aceitar por
intermédio da revelação geral será suficiente para a vida eterna. Obviamente, a base desta salvação continuará sendo a obra de Cristo, apesar da pessoa não tomar consciência do que Cristo realizou por ela. 
Argumentando a partir dos atributos divinos de amor e justiça, alguns apologistas cristãos insistem que Ele não condenaria as pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho de Cristo. Eles enfatizam as afirmações bíblicas acerca da justiça de Deus (por exemplo: Gn 18.25; SI 33.5), de que Deus “não faz acepção de pessoas” (At 10.34; Rm 2.11). Além disso, Deus é onibenevolente (2 Pe 3.9). Ele ama o mundo inteiro e enviou o seu único Filho para entregar a sua vida por ele (Jo 3.16).

Atos 10.35
Pedro disse a Cornélio, um gentio que jamais havia ouvido falar do Evangelho, “que [a Deus] é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.” O texto indica que Cornélio já “temia a Deus” (v. 2) e foi aceito por Deus mesmo não tendo ainda ouvido explicitamente as Boas-Novas.

Hebreus 11.6
“E necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.” Isto, aparentemente, inclui também aqueles que nunca ouviram falar do evangelho.

Atos 19.2-5
Esta passagem fala de crentes, anos depois da época de Cristo, que foram salvos mesmo sem ter recebido ainda o Espírito Santo. Quando Paulo lhes perguntou — “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?”— eles responderam — “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo” (v. 2). Então Paulo proclamou a verdade para eles e: “os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus” (v. 5). Eles foram chamados de “discípulos” (isto é, crentes) mesmo antes de Paulo ter pregado a eles (v. 1).

Gálatas 3.8
De acordo com Paulo: “Tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.” Não existe nenhuma evidência explícita de que o “evangelho” que Abraão ouviu continha a mensagem explícita de que Cristo morreria e seria ressuscitado dentre os mortos. Quando Abraão creu, o texto simplesmente diz: “Então, [o Senhor] o levou fora e disse: Olha, agora, para os céus e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua semente” (Gn 15.5). Abraão não foi solicitado a crer na morte e ressurreição de Jesus antes de ser salvo.

Apocalipse 14.6
João registrou: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo.”
Se o evangelho pelo qual aquelas pessoas foram salvas é eterno, então se tratava da mesma proclamação final contida no Antigo Testamento (a qual, como indica a próxima passagem, não tinha o mesmo conteúdo do evangelho mais plenamente desenvolvido no Novo Testamento (1 Co 15.1-5).73 Todavia, as pessoas eram salvas ao crer nas Boas-Novas da graça de Deus.

Jonas 3.1-10
O Antigo Testamento contém um relato explícito de salvação de pagãos. Jonas, o profeta israelita, recebeu mandamento da parte de Deus para ir a Nínive (na Assíria) e anunciar a sua breve ruína:

E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida. E os homens de Nínive creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até ao menor [...] E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez. (vv. 4,5, 10) Posteriormente, Jonas declarou a respeito da conversão dos ninivitas: “[Eu] sabia que és Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e que te arrependes do mal” (4.2). Não existe qualquer indício mostrando que a mensagem que eles ouviram e creram ia além da confiança no Deus que perdoa aqueles que abandonam o pecado e a Ele se voltam.

Salmo 19.1-4
Davi indica que até mesmo os céus proclamam o evangelho a todas as pessoas: "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes em toda a extensão da terra, e as suas palavras, até ao fim do mundo". Esta passagem parece ensinar que todos, em todos os lugares, ouvem o “evangelho da criação” (a revelação geral) pelo qual podem ser salvos. E curioso notarmos, entretanto, que esta é exatamente a passagem utilizada por Paulo para dizer que ninguém poderá ouvir a palavra sem que alguém a anuncie (isto é, a revelação especial — Rm 10.18).

Romanos 2.6,7
Paulo afirma que Deus “recompensará cada um segundo as suas obras, a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra, e incorrupção.” Isto está no contexto dos “os gentios que não têm lei” (2.14), ou seja, os pagãos, o que parece ser uma referência à possibilidade dos não alcançados pelo evangelho receberem a “vida eterna” independentemente da revelação especial que vem através da Lei de Deus.




4.2- Providência do evangelho aos que desejarem sinceramente
Outros acreditam que Deus providencia a verdade do evangelho (a revelação especial) àqueles que o buscarem diligentemente. A revelação geral somente é suficiente para a condenação

O Envio de Missionários/Evangelistas
Apoiando esta posição estão as seguintes razões:
(1) Ela está em harmonia com os exemplos mostrados na Bíblia, nos quais Deus envia um pregador àqueles que Ele já sabia que responderiam positivamente ao evangelho; por exemplo, Pedro foi enviado a Cornélio (cf. At 10). O autor de Hebreus (11.6) nos fala que todos aqueles que procuram, haverão de achar.
(2) Está de acordo com o mandamento de Deus na Grande Comissão (Mt 28.18-20) e também com o padrão estabelecido em 2 Timóteo 2.2: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.”
(3) Isto também se encaixa com a declaração de Paulo em Atos 17.26 na qual ele diz que Deus determinou “os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação” de forma que aqueles que desejarem poderão ouvir o evangelho e ser salvos.
(4) Ela reafirma a oração do nosso Senhor na qual ele afirma que os crentes surgirão a partir da comunidade de outros crentes: “Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra [deles], hão de crer em mim” (Jo 17.20).
Isto também é o que sugerem as palavras de Paulo em Romanos 10.14: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”

A Utilização de Visões, Sonhos ou Revelação Especial Específica
Apesar de ser normativo (e talvez até mais útil) para Deus o uso de crentes para levar o evangelho aos povos não-evangelizados, é possível que Ele possa também utilizar outros meios à sua disposição para levar a proclamação da mensagem do evangelho aos povos que viriam a crer, caso tivessem contato com o evangelho.
(1) Para isso, Deus tem feito uso de diversos meios, tais como o rádio, a televisão, gravações diversas, internet, celulares e literatura.
(2) Um dia Deus utilizará um anjo para proclamar o evangelho “aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo” (Ap 14.6).
(3) Historicamente, Deus tem transmitido miraculosamente a sua revelação especial por meio de visões e sonhos. Deus está muito mais interessado na salvação de todos do que nós mesmos poderíamos estar (cf. 2 Pe 3.9). A sua justiça exige que Ele condene todos os pecadores, mas o seu amor o impele a proporcionar a salvação a todos os que, por intermédio da sua graça, haverão de crer: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13).


4.2.1 Evidências de que a Salvação Ocorre somente por Intermédio do Conhecimento de Jesus Cristo
Este ponto de vista a respeito do destino eterno dos pagãos parece ser um desafio tanto à justiça de Deus, quanto à sua onibenevolência. Todavia, há várias passagens bíblicas que apontam nesta direção.

João 3.36
Como já vimos, Jesus deixou claro que “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." Este versículo também parece enfatizar que o conhecimento de (e a fé em) Cristo é uma condição
necessária para a salvação.

João 3.1 8
“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê j á está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” Explicitamente falando, a fé “no nome do Filho unigênito de Deus” é colocada como condição para a salvação.

João 8.24
“Se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.” Mais uma vez, a condição para se fugir da morte eterna é a fé em Jesus.

João 10.1. 9, 11, 14
Jesus disse:
“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador [...] Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á [...] Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas [...] e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.” O fato das ovelhas (os crentes) terem necessariamente de “conhecer” Cristo e “entrar” pela porta, indica que a salvação implica um conhecimento específico a respeito
de Cristo.

Atos 4.12
Os apóstolos de Jesus declaravam com ousadia: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Como aqui existe uma referência clara ao nome de Cristo, é difícil crermos que o conhecimento explícito de Cristo seja dispensado como condição para a vida eterna. Isto significa dizer que não se trata simplesmente do fato de Cristo, mas do próprio nome de Cristo, como necessidade soteriológica.

Romanos 10.9
Paulo ensina como seremos salvos: "Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos.” Isto parece exigir uma confissão do nome de Jesus feita pelos nossos próprios lábios.

Romanos 10.13,14
O Apóstolo prossegue fazendo o seguinte acréscimo:
Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram.' E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?
A ênfase sobre a verdade de que os pagãos precisem “invocar” o nome de Jesus e que, para isso, necessitam “ouvir” a proclamação do evangelho parece eliminar a possibilidade de que qualquer pessoa nesta era possa se salvar sem que ouça a mensagem do evangelho.

1 João 5.10-13
João repete a mesma verdade nas suas epístolas:
'Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus."
As palavras destacadas demonstram claramente que João está ensinando que o conhecimento explícito de Cristo é necessário à salvação.


4.2.3 Resposta aos Versículos Utilizados para Embasar a Visão da Revelação Geral
Atos 10.35
Duas coisas são normalmente mencionadas acerca do episódio na casa de Cornélio.

Primeiro, Cornélio é uma prova de que as pessoas que buscam a Deus receberão, num dado momento, a revelação especial por meio da qual eles poderão chegar ao conhecimento de Jesus Cristo. Além do mais, a grande lição desta história é que Deus enviou Pedro por revelação especial e Cornélio não se converteu enquanto não havia ouvido e crido na revelação especial.

Segundo, o livro de Atos representa um período de transição entre os dois Testamentos durante o qual as pessoas que haviam sido salvas nas bases do Antigo Testamento receberam a luz de Cristo via Novo Testamento. Isto fica muito claro na resposta à passagem seguinte.

Hebreus 11.6
De acordo com este versículo: “é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.”
Primeiro, apesar de esta referência ter certa relação com o conhecimento de Deus, e não de Cristo, ela não exclui o Filho.

Segundo, como o contexto envolve os santos do Antigo Testamento e não os crentes do Novo Testamento, é compreensível que a declaração mais abrangente a respeito do conhecimento explícito de Cristo não estivesse incluída. Hebreus 11.6 é uma proclamação das exigências salvíficas mínimas de qualquer época; ela não exclui a possibilidade de Deus tornar a fé em Cristo uma exigência explícita para a salvação em o Novo Testamento.

Terceiro, na mesma linha, o uso deste versículo para negar que a té explícita em Cristo é soteriologicamente necessária despreza a revelação progressiva, por meio da qual, Deus, por exemplo, exige mais dos crentes do Novo Testamento do que dos crentes do Antigo, em função da revelação adicional que havia sido entregue (cf. Hb 1.1; 2.3,4).

Galatas 3.5
Como já verificamos, esta passagem afirma que o evangelho foi proclamado para Abraão, entretanto, quando o conteúdo desta proclamação feita a Abraão é escrutinado, ele se apresenta incompleto, à medida que não menciona a fé na obra consumada de Cristo, a qual, segundo o Novo Testamento, é essencial para o Evangelho (cf. 1 Co 15.1-3).
Os proponentes da revelação especial respondem de duas maneiras.

Primeira, alguns defendem que mesmo na era do Antigo Testamento, os crentes não tinham um conhecimento explícito de Cristo. Eles apresentam a declaração de Paulo mostrando que a “semente” de Abraão era Cristo (G1 3.16). Além disso, alguns crêem que, quando Jesus disse aos judeus: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se” (Jo 8.56), Ele estava querendo dizer que Abraão sabia o que Cristo faria por ele.

Segunda, outros apologistas consideram Gálatas 3.8 como uma simples descrição do conteúdo mínimo (não incluindo o conhecimento explícito da morte e da ressurreição de Cristo) necessário para a salvação no Antigo Testamento. Seja como for, era mais do que a revelação geral, já que Deus havia entregue a revelação especial a Abraão.

Mesmo que este “evangelho” não incluísse tudo que é salvificamente exposto em o Novo Testamento, ele se tratava, ainda, de um estágio primitivo no desenvolvimento da revelação, no qual Deus ainda não exigia a fé na revelação plena a respeito da pessoa e obra de Cristo.

Apocalipse 14.6
A referência que João faz ao evangelho eterno, independentemente da sua intenção ao fazer uso desta expressão, não apóia a posição de que a salvação dos pagãos é baseada somente na revelação geral.
Primeiro, esta mensagem chegou até eles por intermédio da revelação especial — Deus enviou-lhes um anjo para fazer o anúncio.

Segundo, o conteúdo deste evangelho dizia respeito às pessoas que criam em Cristo (o “Cordeiro”) que os havia “redimido” pelo seu sangue (14.1, 4).

Terceiro, o fato de o evangelho ser eterno pode significar simplesmente que Cristo era “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8). Não há indícios de que João esteja mencionando um evangelho eterno conhecido somente por intermédio da revelação geral.

Jonas 3.1-10
Como já estudamos, os santos do Antigo Testamento não tinham necessariamente o mesmo conteúdo de conhecimento exigido por Deus para a salvação como se exige no Novo Testamento. A doutrina da revelação progressiva indica que Deus progressivamente revelou o seu plano, ao fornecer, gradativamente, mais revelação até chegar à revelação plena e final em Cristo (Hb 1.1,2). Os adeptos da revelação especial não precisam negar (e a maioria deles não nega) que, no Novo Testamento, Deus exige mais conhecimento da obra de Cristo como condição para a salvação do que exigia no Antigo Testamento.

Salmo 19.1,2
Davi não está falando da revelação especial de Deus, mas da revelação geral que ocorre por intermédio da contemplação do firmamento, dos “céus,” que são “obras das suas mãos.” Ele não está falando da cruz, que é a obra do amor redentor de Deus (Rm 10.14, 18). O Salmo 19.1 serve de ilustração de que ambas as mensagens (tanto a geral, quanto a especial) são universais, mas não idênticas. Na verdade, de acordo com Romanos, a revelação geral nos informa a respeito do “poder eterno” de Deus (1.20), mas não a respeito do plano de salvação eterno. A revelação geral é suficiente para a condenação, já que torna todos os seres humanos “indesculpáveis,” mas insuficientes para a salvação.

Romanos 2.6,7
Esta passagem não afirma que os que não ouviram o evangelho podem ser salvos pela revelação geral, mas sim, que aqueles que buscam a imortalidade haverão de encontrá-la.
Posteriormente, Paulo afirma que somente Cristo: “O qual aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo evangelho” (2Tm 1.10). A revelação geral e outros meios fazem parte da bondade divina que conduz o homem ao arrependimento (Rm 2.4). Em suma, os pagãos que respondem à luz da revelação geral recebem subseqüentemente a revelação especial pela qual podem ser salvos (cf. At 10.34-48; Jn 3).



5-EXISTE CHANCE DEPOIS DA MORTE?
Alguns apologistas e muitas seitas acreditam que Deus dará uma segunda chance aos adultos que nunca ouviram falar do evangelho, depois da morte. Todavia, a maior parte dos cristãos ortodoxos rejeita esta idéia.

Primeiro, a Bíblia declara a respeito de todas as pessoas que: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo” (Hb 9.27).

Segundo, a urgência com a qual a Bíblia fala para tomarmos uma decisão imediata — ainda nesta vida, antes que seja tarde demais — é uma forte evidência de que não haverá uma segunda chance. Por exemplo, Pv 29.1; Hb 3.7,8; Jo 8.24; 2 Pe 3.9.

Terceiro, o fato de as pessoas enfrentarem o seu destino definitivo logo após a morte (cf. Lc 16.19ss; 2 Co 5.8; Ap 19.20) é um indicativo de que uma decisão precisa ser tomada nesta vida.

Quarto, como Deus tem à sua disposição tantos meios para se revelar aos descrentes antes da morte, torna desnecessário que ele precise utilizar a vida futura para fazer isto.

Quinto, a crença em uma segunda chance elimina a necessidade do mandamento missionário. Por que Jesus teria deixado o mandamento da “Grande Comissão” (Mt 28.18-20) se as pessoas pudessem se salvar sem a necessidade de aceitar Jesus ainda nesta vida?

Sexto, e para encerrar, os versículos utilizados para embasar esta segunda chance para a salvação são, na melhor das hipóteses, hermeneuticamente dúbios e contraditos por outros ensinamentos bíblicos claros.

1Pe 3.18-20 diz:

Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais em outro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água. ( )

Primeiro, Pedro não diz que Cristo os evangelizou (do grego: euaggelizo), mas simplesmente que proclamou a eles (do grego: kerusso) a vitória da sua ressurreição (cf. Cl 2.15).

Segundo, não existe qualquer referência a qualquer pessoa que tenha sido salva como resultado desta proclamação.

Terceiro, as pessoas que receberam este anúncio não eram seres humanos não evangelizados, mas “espíritos em prisão” que podem, muito bem, ter sido anjos decaídos (cf. Jó 1.6; 2.1; 38.7).

Quarto, de qualquer forma, o grupo ao qual ele pregou não era composto por todas as pessoas, mas somente por aqueles aos “quais em outro tempo foram rebeldes [...] nos dias de Noé” (1 Pe 3.20; cf. Gn 6.1-4). Ao considerarmos esta conexão de passagens, é interessante notarmos que em 2 Pedro 2.4, ele menciona o pecado dos anjos imediatamente antes de se referir ao dilúvio (v. 5).

Portanto, parece mais apropriado considerar esta passagem como uma referência ao anúncio do triunfo de Cristo aos espíritos que partiram depois da ressurreição.  Isto se enquadra com o contexto e está de acordo com o ensino de outros versículos (cf. Ef 4.8; Cl 2.15). Como já afirmamos, Pedro utiliza o termo proclamar ou anunciar e não evangelizar.

 1 Pedro 4.6 diz “foi pregado o evangelho também aos mortos,” é uma referência ao fato de que o evangelho “foi pregado” (no passado) àqueles que estão “agora” mortos (no presente).

Primeiro, porque em parte alguma a Bíblia deixa qualquer esperança de salvação para o além-túmulo. A morte é definitiva, e há somente dois destinos — o céu ou o inferno — entre os quais existe um abismo intransponível (vide acima).

Segundo, esta passagem é um tanto obscura, sujeita a várias interpretações e não se deve estabelecer doutrina com base em ambigüidades. Como já demonstramos, as passagens difíceis devem ser interpretadas à luz das claras e não vice-versa.

Terceiro, existem interpretações plausíveis desta passagem que não entram em conflito com outros ensinamentos bíblicos. Por exemplo, alguns acreditam que ela não pode ser uma referência aos seres humanos, mas aos “espíritos em prisão” (anjos) de 1 Pedro 3.19 (cf. 2 Pe 2.4; Gn 6.2).
 Ou, como já foi visto, ela, possivelmente, refere-se àquelas pessoas que hoje estão falecidas, mas que já ouviram o evangelho enquanto viveram. Apesar de elas terem sofrido a destruição da sua carne (1 Pe 4.6), elas continuam vivas para Deus em virtude daquilo que Cristo fez por intermédio do evangelho (ou seja, a sua morte e a ressurreição). A mensagem da vitória foi anunciada pelo próprio Cristo ao mundo espiritual depois da sua ressurreição (cf. 1 Pe 3.18-20).

Diante de tudo isso, não existem evidências reais de que Deus concederá uma segunda chance post-mortem (cf. Jo 8.24) àqueles que já rejeitaram a sua revelação geral (ou especial).

RESUMO E CONCLUSÃO

  • Todo pagão precisa responder positivamente a revelação natural para ser salvo.
  • A base da salvação é a obra feita por intermédio de Cristo
  • Alguns acreditam que apenas a resposta à revelação geral é suficiente para a salvação do que nunca ouviu o evangelho.
  • Outros acreditam que os que respondem positivamente a revelação geral e de fato buscam a Deus,  Deus de alguma forma providencia um jeito dele ouvir o evangelho da salvação.
  • De fato, os que nunca ouviram, mas buscam a Deus de coração Deus os salva por um dos meios acima

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