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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

História do ministério das mulheres na Assembléias de Deus

"Em 27 de maio de 1917, Frida foi ordenada missionária na Igreja Filadélfia de Estocolmo, para trabalhar no Brasil, principalmente, como bibelkvinna (antiga palavra sueca para designar uma mulher que exercia o ministério de ensinadora da Palavra de Deus nas igrejas).(Frida Vingren, CPAD 2014, p. 32)

 Substituta de Vingren na direção da Assembleia de Deus de Belém do Pará... Três meses substituindo Vingren na direção da Assembleia de Deus de Belém ao lado de Samuel Nyström... Dirigente auxiliar da Assembleia de Deus de São Cristóvão (Frida Vingren, CPAD 2014, p. 10-11)
" irmã Frida foi uma das mais profícuas da história das Assembléias de Deus. Ela é autora de hinos belíssimos da Harpa Cristã e foi a única mulher a escrever comentários da revista de Escola Dominical Lições Bíblicas. Foi também uma colaboradora efetiva do jornal Mensageiro da Paz em seus primeiros anos, com artigos e poesias edificantes. Mesmo aqueles que criticam a sua presença no jornal (seu marido a incentivava, não por nepotismo, mas por Frida ser notoriamente talentosa) eram unânimes em reconhecer que ela era vocacionada para aquele trabalho e uma das mais bem preparadas missionárias evangélicas que já pisaram em solo brasileiro. Sabe-se que a irmã Frida Vingren também se destacava muito na obra pela sua atuação em várias outras áreas. Ela era extremamente atuante.Quando Gunnar Vingren não podia dirigir os cultos na igreja de São Cristóvão devido às suas muitas enfermidades, quem os dirigia era sua esposa (DANIEL, S. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: Cpad, 2004, p. 34.)

Nesse período, Frida Vingren exercia o trabalho de evangelização, pregação, ensino, abertura de novos pontos de culto, dirigia a Escola Dominical, tocava órgão e violão, enfim, executava um intenso trabalho na igreja. Frida também escrevia para Lições Bíblicas, ao passo que, em mais de cem anos de Assembleias de Deus, foi a única mulher comentarista dessas lições; além disso, Frida foi autora de 24 hinos da Harpa Cristã. Em 1926, Gunnar Vingren designou para o cargo de diaconisa uma mulher chamada Emília Costa, o que pode ter acontecido por influência 64 CIÊNCIAS DA RELIGIÃO – HISTÓRIA E SOCIEDADE v. 11 • n. 2 • 2013 de Frida; essa atitude de Gunnar Vingren desagradou aos pastores assembleianos. (MEMÓRIA COLETIVA E PENTECOSTALISMO – FRIDA VINGREN, A PIONEIRA ESQUECIDA, p. 63-64) 
file:///C:/Users/Reginaldo/Downloads/Frida%20Vingren%20-%20A%20pioneira%20esquecida.pdf
 Com relação ao ministério de Frida, Gunnar Vingren (1982, p. 56) afirmou:
durante a minha enfermidade, a minha esposa, junto com os obreiros da Igreja, tem assumido a responsabilidade pela obra”. Percebe-se pelas palavras de Gunnar Vingren que sua mulher pastoreava a igreja nas ocasiões  que ele esteve doente, ou seja, Frida ocupou a função de “pastora-presidente”.
Essa intensa atuação de Frida nas Assembleias de Deus causou incômodo, principalmente entre os pastores brasileiros e os pastores suecos que atuavam no Brasil, dos quais o maior opositor ao ministério de Frida foi o sueco Samuel Nystrom. Quanto a isso, Vingren (1982, p. 58) escreveu:

Samuel Nystrom chegou do Pará. Não se humilhou. Sustenta que a mulher não pode pregar nem ensinar, só testificar. Disse mais que provavelmente vai embora do Brasil”. Tal impasse gerou conflitos entre os dois pastores, pois segundo Gunnar Vingren (1982, p. 60),
[...] chegaram Samuel, Simon e Daniel. Samuel não se humilhou. Separamo-nos em paz, mas para não trabalhar mais juntos, nem com jornal ou nas escolas bíblicas, até o Senhor nos unir. Simon disse que ficava de fora, e Daniel tinha convidado Samuel a trabalhar em São Paulo. Assim, disse para ele: “Estamos separados”. Vingren procurou mais uma vez Nystrom para tentar resolver a questão, mas este continuou irredutível quanto ao ministério feminino: “Samuel Nystrom chegou do Pará. Está indo para São Paulo. Ele não tem mudado de opinião concernente à mulher. Disse que não é bíblico a mulher pregar, ensinar e doutrinar” (VINGREN, 1982, p. 67).

Por fim, Gunnar Vingren (1982, p. 78) escreveu uma última carta a Nystrom a fim de tentar convencê-lo da importância da mulher na igreja: Eu mesmo fui salvo por uma irmã evangelista que veio visitar e realizar cultos na povoação de Borka, Smaland, Suécia, há quase trinta anos. Depois veio uma irmã dos Estados Unidos e me instruiu sobre o batismo no Espírito Santo. Também quem orou por mim para que eu recebesse a promessa foram as irmãs. Eu creio que Deus vai fazer uma obra maravilhosa neste país. Porém, com o nosso modo de agir, podemos impedi-la. Para não impedi-la, devemos dar plena liberdade ao Espírito Santo para operar como ele quiser. (Idem p. 65)
"3. A AD é uma igreja grande, burocratizada e conservadora.
  •  Em 1917, ela usa o que há de mais moderno na comunicação da época: jornal escrito
  •  Em 1930 há mulher no exercício ministerial,
  •  e diversos jovens solteiros pastores dirigindo igrejas. Mas já na década de 40, passa anos discutindo se é ou não “pecado” usar rádio, e repete a discussão nas décadas seguintes com a televisão. Perdeu o trem da história. No início, ela tinha ministros jovens e solteiros e até mulheres abrindo e dirigindo igrejas, a partir de agora ela se compõe de uma liderança envelhecida e reacionária, preocupada em preservar a pretensa “tradição assembleiana”; (TODO PODER AOS PASTORES, TODO TRABALHO AO POVO, TODO LOUVOR A DEUS. Gedeon Freire de Alencar, p. 123-124)
"1ª convenção geral:
"Em segundo lugar, nesta convenção foi discutida a posição da mulher no Ministério em razão de haver diferentes opiniões sobre o trabalho na mulher na igreja”, a Convenção publicou a seguinte declaração: 
“As irmãs têm todo direito de participar na obra evangélica, testificando de Jesus e as sua salvação, e também apresentando instrução se assim for necessário. Mas não se considera justo que uma irmã tenha a função de pastor de uma igreja ou de ensinadora da mesma, salvo em casos de exceção mencionados em Mt. 12:3-8. Assim dever ser, especialmente quando não existem na igreja irmãos capacitados para pastorear ou ensinar

Díário do pioneiro, p. 179, CPAD

 “Os assuntos tratados nessa convenção podem ser resumidos em: em relatório do trabalho realizado pelos missionários; a nova direção do trabalho pentecostal no Norte e Nordeste; a circulação dos dois jornais existentes e o trabalho feminino na igreja. (...) Os missionários suecos(...) sentiam que era chegada a hora de deixarem a Obra nas mãos dos trabalhadores nacionais e partirem para as áridas terras do Sul do País. Todos os templos e locais de reuniões que pertenciam à Missão foram entregues às igrejas brasileiras” Versão da 2ª história (Almeida, 1982:30)
Moderno demais para a época? Afinal, as mulheres ainda não participavam da vida política do país nem mesmo como eleitoras, mas a AD permite que elas, excepcionalmente, sejam pastoras e ensinadoras. A AD no Rio de Janeiro, em 1925 (Conde, 1960:229), já havia consagrado uma diaconisa. É a única da história, assunto que morreu completamente depois disto. 
Influência de Frida Vingren? Com certeza. Ela prega, canta, toca, escreve poemas, textos escatológicos, visita hospitais, presídios, realiza cultos e – nada comum dirige a igreja na ausência do marido (e, segundo algumas insinuações, na presença também). 
Numa entrevista com um pastor de mais de oitenta anos, perguntei-lhe por que na foto dos missionários (jornal Mensageiro de Paz, no. 03, março de 31) participantes da Convenção de Natal ela é única mulher que aparece? Onde estão as esposas dos outros? Ele respondeu ríspido: “Mas a Convenção de 30 aconteceu por causa dela!”74.
Frida chega a escrever um texto no Mensageiro de Paz (no. 5, maio, 30) disciplinando a conduta dos obreiros. “A minha esposa, junto com os obreiros da Igreja, têm levado a responsabilidade pela obra” (Vingren, 1987:194)"
TODO PODER AOS PASTORES, TODO TRABALHO AO POVO, TODO LOUVOR A DEUS. Gedeon Freire de Alencar, p. 113-114)
https://haroldoxsilva.files.wordpress.com/2014/12/assembleia-de-deus-origem-implantac3a7c3a3o-e-militc3a2ncia-1911-1946-por-gedeon-freire-de-alencar-umesp-2000.pdf
Cinco meses depois da primeira Convenção Geral, Frida escreveu um texto chamado de “Deus mobilizando suas tropas”: Despertemo-nos, para atender o chamado do Rei, alistando-nos nas suas fileiras. As irmãs das “assembleias de Deus”, que igualmente, como os irmãos têm recebido o Espírito Santo, e portanto, possuem a mesma responsabilidade de levar a mensagem aos pecadores precisam convencer-se que precisam fazer mais do que tratar dos deveres domésticos. Sim, podem também, quando chamadas pelo Espírito Santo, sair e anunciar o Evan gelho. Em todas as partes do mundo, e especialmente no trabalho pentecostal, as irmãs tomam grande parte na evangelização. Na Suécia, país pequeno com cerca de 7 milhões de habitantes, existem um grande número de irmãs evangelistas, que saem por toda parte anunciando o Evangelho, entrando em lugares novos e trabalhando exclusivamente no Evangelho. Dirigem cultos, testificam e falam da palavra do Senhor, aonde há uma porta aberta. (Os que estiveram na convenção em Natal e ouviram o pastor Lewi Pethrus falar desse assunto sabem que é verdade). Por qual razão, as irmãs brasileiras hão de ficar atrasadas? Será, que o campo não chega, ou que Deus não quer? Creio que não. Será falta de coragem? Na “parada das tropas” a qual teve lugar aqui no Rio, depois da revolução, tomou também parte, um batalhão de moças do estado de Minas Gerais, as quais tinha se alistado para a luta (MENSAGEIRO DA PAZ, 1º.2.1931, p. 6).

 Em mais um artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz (15.12.1931, p. 3), Frida afirmou o seguinte: Muitos pensam que é consagração que faz o pastor. É um erro – esta é apenas uma confirmação de Deus, e um auxílio, diante da lei social, poder exercer as funções de um ministro do Evangelho. É preferível, então, ter a realidade sem os títulos. O verdadeiro pastor nunca é “dirigente” em absoluto. Elle tem o Espírito Santo como dirigente, e não como “auxiliar”.(MEMÓRIA COLETIVA E PENTECOSTALISMO – FRIDA VINGREN, A PIONEIRA ESQUECIDA,  p. 67)

Para uma defesa bíblica do ministério feminino click:
 http://averacidadedafecrista.blogspot.com.br/2014/05/mulher-pode-ser-pastora-ou-exercer.html

3 comentários:

  1. Substituir temporariamente na condução de cultos não é exercer o pastorado. Tem muitos irmãos e irmãs hoje que fazem isso, é mesmo assim, não são pastores.
    O pastorado, conforme as cartas a Timóteo e a a Tito, é muito mais que dirigir cultos.

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  2. Cpom certeza. Mas não foi só isso.
    1- dirigente auxiliar da Ass. de Deus de são Crsitovão
    2-escritora de revistas de escola dominical
    3- ensinava na igreja
    4-assumiu o cargo de pastora presidente temporariamente
    etc.

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  3. Você disse muito bem que é o ESPÍRITO SANTO quem conduz o trabalho evangelistico. Como mordomo, há que entender as funções específicas de cada ser humano. Por exemplo, na guerra as mulheres são alistaveis, porém para os trabalhos próprios, mormente na área da saúde.
    Isso mostra que na obra de DEUS tem trabalho para todos, sem que um extrapole as suas funções para exercer ministério de outrem.
    Amém

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